Salvador puxa "boom" das corridas de rua, e Bahia mira mais de 200 provas em 2026
As ruas de Salvador deixaram de ser apenas cenário para treino e se consolidaram como palco de um dos movimentos esportivos que mais crescem na Bahia. Depois de registrar 181 eventos reconhecidos pela Federação Bahiana de Atletismo (FBA) em 2025, o estado projeta ultrapassar a marca de 200 corridas em 2026, em um avanço que tem a capital baiana como principal vitrine da modalidade. A informação foi confirmada ao Bahia Notícias nesta quinta-feira (9) com fontes ligadas à Federação Bahiana de Atletismo (FBA).
O crescimento aparece também no calendário da FBA, atualizado no dia 15 de maio de 2026. Entre 16 de maio e dezembro, o documento lista 135 eventos no calendário baiano de atletismo. Deste total, 80 estão previstos para Salvador, o que representa cerca de 59% das provas registradas no período analisado.
A expansão não acontece de forma isolada. De acordo com dados divulgados pela própria FBA, a Bahia saiu de 145 eventos com selo da entidade em 2024 para 181 em 2025, um crescimento de aproximadamente 25%. Para 2026, a expectativa é superar 200 provas até o fim do ano.
O calendário mostra que a capital concentra eventos em diferentes pontos da cidade, com destaque para Piatã, Jardim de Alah, Barra, Ondina, Patamares, Boca do Rio, Comércio, Rio Vermelho, Arena O Canto da Cidade, Shopping Barra e Salvador Shopping. A variedade de locais também ajuda a explicar a popularização da modalidade, que passou a ocupar tanto espaços tradicionais da orla quanto áreas comerciais e equipamentos públicos.
Entre os meses com maior volume de provas no documento, agosto aparece como o mais movimentado, com 28 eventos no estado e 18 em Salvador. Novembro também se destaca, com 20 eventos listados, sendo 14 na capital. Setembro, mês da Maratona Salvador, aparece com 19 eventos, incluindo os dois dias da principal prova de rua da Bahia, marcada para 26 e 27 de setembro.
A Maratona Salvador é um dos símbolos desse novo momento. A prova está confirmada para dois dias, com percursos de 5 km, 10 km, 21 km e 42 km, e largada na Arena O Canto da Cidade, na Boca do Rio. O evento é tratado como a principal corrida de rua da Bahia e integra o calendário turístico-esportivo da capital.
Para Herbert Silva Junquilho, presidente da Federação Bahiana de Atletismo, o avanço das corridas passa por uma mudança de comportamento no período pós-pandemia. Em entrevista ao Bahia Notícias no Ar, da Rádio Antena 1 Salvador, ele destacou que a busca por atividades ao ar livre aproximou novos públicos das provas.
“Dentro desse recorte pós-pandêmico houve essa busca das corridas ao ar livre. Foi uma estratégia muito boa. Quando isso foi apresentado ao público que não conhecia essa atmosfera de eventos, foi muito atrativo”, afirmou Herbert.
O dirigente também aponta o pós-prova como um diferencial da capital baiana. Segundo ele, Salvador e a Bahia agregam às corridas uma experiência que vai além do percurso, com entretenimento, música e ações culturais após as provas. Esse formato ajuda a atrair o público recreativo, que representa a maior parte dos participantes.
“É muito atrativo o pós-prova que a capital e a Bahia têm, um diferencial em relação aos entretenimentos e shows culturais que sucedem no pós. Isso tudo atrai o público recreativo que compõe 95% dos participantes”, completou.
A profissionalização do mercado também aparece nos números de plataformas de inscrição. Segundo levantamento divulgado pela Ticket Sports, a Bahia passou de 62 provas cadastradas em 2024 para 84 em 2025, alta de cerca de 35%. O volume bruto de vendas relacionado às corridas cresceu 60,4% no mesmo período.
O crescimento, no entanto, também amplia o debate sobre segurança, organização e regularização dos eventos. O próprio calendário da FBA diferencia as categorias de vinculação, como evento oficial da Federação, evento oficial da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), eventos com selo da FBA, eventos com selo e medição oficial, além de caminhadas e treinos.
A preocupação com a chancela das provas virou tema de discussão pública. Em junho, FBA, Conselho Regional de Educação Física (Cref) 13/BA e Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Bahia (OAB-BA), promoveram uma audiência pública sobre corrida de rua na Bahia, justamente para debater segurança, organização e responsabilidade na modalidade.
Na ocasião, Herbert afirmou que a corrida de rua é “uma das principais portas de entrada para o atletismo” e defendeu a construção coletiva de caminhos para garantir mais qualidade aos atletas, profissionais e organizadores.
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