As exportações de petróleo do Oriente Médio cresceram com força em setembro e se aproximam do nível anterior à guerra com o Irã, segundo empresas de rastreamento de navios ouvidas pelo New York Times. Pelo cálculo da Kpler, uma média de 10 milhões de barris por dia atravessou o Estreito de Hormuz neste mês, contra 16 milhões antes do conflito, iniciado no fim de fevereiro. Outros 6 milhões diários saíram por oleodutos e portos que contornam o estreito, principal rota de saída do petróleo do Golfo Pérsico. Outra empresa, a TankerTrackers, chega a um número menor: 7,4 milhões. A melhora é atribuída a uma operação militar dos EUA de escolta a petroleiros. Ainda assim, o preço do barril continua bem acima do patamar pré-guerra, e a oferta global continua abaixo da demanda. A Organização Marítima Internacional, agência da ONU, afirma que o estreito não pode ser considerado aberto por falta de segurança: 85 navios foram atacados e 24 marinheiros morreram desde o início da guerra. Parlamentares democratas e analistas de inteligência, sob anonimato, suspeitam que o Comando Central americano tenha inflado seus números de tráfego, o que o Pentágono nega. Na diplomacia, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, disse que Teerã mantém conversas indiretas com Washington, com mediação do Qatar, e espera para hoje a resposta formal americana à proposta do Irã de reabrir Hormuz. Trump chamou de "farsa" reportagens segundo as quais seu governo ofereceu ao Irã alívio de sanções e acesso a fundos congelados. Enquanto isso, novas sanções dos EUA ao setor aéreo iraniano já levaram ao cancelamento de voos para Bagdá e Mascate, e Azerbaijão e Geórgia deixaram de receber companhias do Irã, segundo a rede alemã DW. Chanceler chileno enfrenta interpelação inédita por adesão a aliança de TrumpO ministro das Relações Exteriores do Chile, Francisco Pérez Mackenna, foi submetido ontem (28) a uma interpelação inédita na Câmara dos Deputados, mecanismo pelo qual os parlamentares convocam um ministro para responder a perguntas em plenário. O principal alvo foi a adesão do país, em 22 de setembro, ao Escudo das Américas, aliança liderada pelos EUA que reúne 15 países do continente, entre eles Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru. O Brasil não faz parte. O governo de José Antonio Kast sustenta que se trata de uma declaração política, sem assinaturas e sem força de tratado, voltada ao combate ao crime organizado transnacional. "Não é um tratado", repetiu o chanceler. O texto divulgado pelo Departamento de Estado americano, porém, vai além da segurança: prevê cooperação econômica, incluindo mecanismos de controle de investimentos e proteção das cadeias de minerais críticos, e coordenação em fóruns multilaterais. O Chile é o único integrante em que a adesão provocou debate político intenso. Os ex-presidentes Michelle Bachelet e Gabriel Boric pediram, em declaração conjunta, que o governo reconsidere a participação, sob o argumento de que o país não deve ser forçado a escolher um lado. Um ex-chanceler relatou que Pérez Mackenna admitiu, em reunião privada, ter havido pressão dos EUA. Deputados de oposição acionaram a Controladoria-Geral, órgão que fiscaliza a legalidade dos atos do governo, e o Senado fará sessão especial sobre o tema em 7 de outubro. Para analistas ouvidos pelo site chileno Emol, o chanceler conseguiu conter as críticas, mas não encerrar o debate. Dados de expulsões contradizem Milei sobre 30 mil "terroristas"O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou em entrevista à emissora LN+ que seu governo expulsou 30 mil "terroristas" em dois anos, 10 mil em 2025 e 20 mil em 2026. Segundo ele, eram estrangeiros que vieram "dinamitar o modelo argentino". Nenhum dado público sustenta a cifra, de acordo com levantamento do jornal Página/12, crítico ao governo. Os números da Comissão Argentina para Pessoas Refugiadas e Migrantes mostram que as expulsões aumentaram na gestão Milei, mas em outra escala: 920 em 2025 e 470 no primeiro semestre deste ano. A cifra mais próxima da citada pelo presidente veio da ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, que falou em mais de 20 mil estrangeiros expulsos, barrados na fronteira ou impedidos de entrar desde fevereiro. A maioria, segundo especialistas, por falta de documentos, sem relação com terrorismo. Em agosto, o número 2 da Secretaria de Inteligência disse ao Congresso que não há grupos de extrema esquerda atuando no país. A oposição apresentou pedidos formais de explicação. Ela acusa Milei de inflar o número para abrir caminho à Lei de Defesa da Soberania Nacional, que amplia os poderes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência e começa a ser discutida amanhã (30) na Câmara. Rubio vê mão estrangeira em suposto plano contra base usada pelos EUA no Reino UnidoO secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o suposto plano terrorista contra a base aérea de Fairford, no oeste da Inglaterra, envolveu "claramente" um ator estrangeiro. Ele não deu detalhes. A base é usada por bombardeiros americanos em missões contra o Irã. Cinco britânicos de 23 a 25 anos, moradores da região de Londres, foram presos na madrugada de domingo perto da base, sob suspeita de posse de explosivos e de preparação de ato terrorista. Na segunda, foram soltos em liberdade provisória, com restrições de movimento, decisão criticada por Trump, que disse que os suspeitos "podem ser" ligados ao Irã. Segundo a imprensa britânica, com base em fontes, não foram encontrados explosivos nas vans do grupo. A polícia antiterrorismo investiga se eles agiram, consciente ou inconscientemente, a serviço de um Estado estrangeiro. A embaixada iraniana em Londres nega envolvimento. Há versões divergentes sobre como o caso veio à tona. Trump disse que os homens eram investigados "havia muito tempo", mas a polícia afirma ter sido alertada por moradores, e a BBC apurou que a ação não partiu de trabalho de inteligência. Cerca de 85 famílias retiradas de casa no domingo já foram autorizadas a voltar. OpenAI desiste de lançar novo modelo após testes apontarem comportamento enganoso A OpenAI, dona do ChatGPT, cancelou o lançamento do GPT-6.1 Astra, seu próximo modelo de inteligência artificial, previsto para outubro, após testes internos apontarem falhas de segurança, informou o Wall Street Journal. Segundo a chefe de sistemas de segurança da empresa, Saachi Jain, o modelo mostrou mais tendência a enganar: nem sempre informava com honestidade o que havia feito ou deixado de fazer. Ele também avançava em tarefas sem pedir autorização ao usuário e recorria a ferramentas externas mesmo quando isso podia ser arriscado. É raro uma grande empresa do setor abrir mão de um lançamento por motivos de segurança. A decisão vem após meses de incidentes com agentes de IA, sistemas que executam tarefas de forma autônoma. Agentes internos da OpenAI invadiram a Hugging Face, plataforma de compartilhamento de modelos de IA, durante um teste de segurança digital. Na semana passada, a empresa suspendeu o treinamento de seus modelos mais avançados depois que um agente driblou as restrições de acesso à internet. O Senado americano fará uma audiência sobre o tema nesta semana. A cautela contrasta com o apetite financeiro do setor. Segundo a Reuters, o prospecto de abertura de capital da Anthropic, dona do Claude e principal rival da OpenAI, indica que a empresa pode ser avaliada em mais de US$ 2 trilhões na Bolsa. A receita foi de cerca de US$ 4,6 bilhões em 2025, 12 vezes a do ano anterior. O prejuízo líquido, porém, chegou a US$ 42 bilhões, dos quais cerca de US$ 34 bilhões são um lançamento contábil, e não despesa efetiva. A empresa prevê gastar US$ 518 bilhões em computação e infraestrutura nos próximos anos. A estreia na Bolsa deve ficar para depois das eleições legislativas americanas de novembro. Governo Trump usa dinheiro público em anúncios que exaltam o presidenteA Casa Branca pôs no ar, desde a semana passada, três anúncios de TV e de serviços de vídeo pela internet que exaltam Donald Trump e terminam com a frase "pago pelo governo dos EUA". O custo já passa de US$ 1,4 milhão, segundo a empresa de monitoramento AdImpact, e pode ser maior. Um deles é praticamente idêntico a uma peça da campanha de reeleição de Trump em 2024. O governo não informou qual órgão está pagando. A Casa Branca afirma que são anúncios de utilidade pública, como os de gestões anteriores. Especialistas em direito ouvidos pela agência AP dizem que as peças podem violar a lei que proíbe o uso de verbas aprovadas pelo Congresso em "publicidade ou propaganda", já que não orientam o público sobre nenhum programa específico. As críticas chegaram ao Partido Republicano: o líder da maioria no Senado, John Thune, disse que os anúncios não deveriam ser pagos pelo contribuinte. A polêmica ocorre a cinco semanas das eleições legislativas. Outras notícias Venezuela. O governo Trump passou a levar ouro venezuelano para os EUA, mas as refinarias americanas se recusam a processá-lo, segundo o New York Times. As normas internacionais exigem garantia de que o metal não financiou crime organizado, destruição ambiental ou corrupção, e parte da carga está ligada a garimpeiros que pagam propina a gangues. O acordo com a estatal Minerven foi fechado em março, dois meses após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, e prevê a venda de até uma tonelada, avaliada em cerca de US$ 165 milhões. Em 2019, no primeiro mandato, o próprio Trump havia submetido o ouro venezuelano a sanções. Malásia. O país começou nesta terça (29) a mandar de volta 1.476 cidadãos de Mianmar. É a primeira leva de 5.000 que, segundo o governo malaio, aceitaram retornar voluntariamente. A agência da ONU para refugiados manifestou preocupação: Mianmar vive guerra desde 2021, e não está claro quantos repatriados são rohingyas, minoria muçulmana perseguida no país. A Malásia não assinou a Convenção da ONU sobre Refugiados, de 1951. México. O Morena, partido da presidente Claudia Sheinbaum, escolheu o prefeito licenciado de Ciudad Juárez, Cruz Pérez Cuéllar, para comandar sua campanha ao governo de Chihuahua em 2027. O anúncio foi feito sob gritos de "fraude" de apoiadores da senadora Andrea Chávez, que também disputava a indicação. O estado é governado por Maru Campos, do PAN, de oposição. Colômbia. O vice-diretor-gerente do FMI, Nigel Clarke, encerrou visita a Bogotá defendendo uma ação fiscal "oportuna e crível" para reduzir o desequilíbrio das contas públicas. Uma delegação do Ministério da Fazenda irá a Washington na próxima semana para dar sequência às conversas. Sudão. O chanceler sudanês criticou os EUA por não concederem visto ao chefe do Exército, general Abdel Fattah al-Burhan, para a Assembleia Geral da ONU. Segundo fontes, o visto foi retido por divergências sobre uma proposta de cessar-fogo na guerra entre o Exército e as paramilitares Forças de Apoio Rápido, iniciada em abril de 2023.
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