O presidente da SAF do Fluminense de Feira, Filemon Neto, fez duras críticas à diretoria do Jequié e acusou o clube de descumprir um acordo financeiro firmado dentro da parceria esportiva entre as duas equipes. Em declaração direcionada aos torcedores do Jipão, divulgada em suas redes sociais nesta quinta-feira (5), o dirigente afirmou que valores repassados pela Federação Bahiana de Futebol não teriam sido transferidos ao clube feirense, como previa o contrato entre as partes.
Segundo Filemon, o acordo previa que parte das receitas recebidas pelo Jequié durante a disputa do Baianão 2026 seria destinada ao Fluminense como forma de ressarcimento pelos custos assumidos pelo Touro do Sertão ao longo da parceria.
De acordo com o dirigente, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) teria depositado R$ 119 mil na conta do Jequié referentes a repasses da competição. No entanto, o valor não teria sido encaminhado ao Fluminense.
"Hoje fiquei sabendo que a Federação Baiana depositou R$ 119 mil na conta do Jequié referentes a esses repasses, e a diretoria decidiu não transferir os valores ao Fluminense. Entrei em contato com o vice-presidente Jacó, que me informou que o dinheiro foi transferido para a conta do presidente Eduardo para pagamento de dívidas", declarou.
Filemon afirmou que o clube de Feira de Santana não tem relação com os compromissos financeiros internos do Jequié e indicou que pretende buscar medidas jurídicas para cobrar o valor.
"Existe contrato, existe acordo e existe termo assinado. O Fluminense vai procurar as medidas legais para cobrar esses valores, mas é importante que o torcedor saiba quem está à frente do clube", disse.
PARCERIA PREVIA GESTÃO DO FUTEBOL PELO FLUMINENSE
A parceria entre as duas equipes foi oficializada no início da temporada e tinha duração prevista de um ano. Como revelou Filemon Neto em entrevista concedida ao Bahia Notícias, em fevereiro deste ano, o modelo estabelecia que todo o departamento de futebol do Jequié seria administrado pela SAF do Fluminense de Feira.
Na prática, o planejamento esportivo — incluindo montagem do elenco, comissão técnica e preparação — passou a ser conduzido integralmente em Feira de Santana, utilizando a estrutura do Fluminense
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À época, Filemon explicou que a centralização das decisões era uma condição para o funcionamento do projeto.
"O Jequié está treinando em Feira de Santana. Isso não é por acaso; é para garantir padrão de trabalho, metodologia e acompanhamento diário", afirmou na ocasião.
CRÍTICAS DE FILEMON À GESTÃO
Na nova manifestação, o presidente da SAF do Fluminense também afirmou que a parceria foi determinante para viabilizar o funcionamento das equipes do Jequié ao longo da temporada.
Segundo ele, o time profissional só teria disputado o campeonato graças ao acordo entre os clubes. Filemon também citou apoio indireto ao time sub-20, afirmando que o Fluminense abriu mão de receitas de partidas para ajudar na manutenção da categoria.
"Esse valor não foi conquistado por eles. Foi uma equipe que o Fluminense montou, financiou e pagou. O dinheiro veio do trabalho desse grupo", afirmou.
O dirigente classificou a situação como "vergonhosa" e disse que o caso precisa ser acompanhado pelos torcedores do clube do sudoeste baiano.
"O torcedor precisa cobrar e pedir prestação de contas. O Jequié é um clube grande e não merece passar por isso", concluiu.
RESPOSTA DO JEQUIÉ
Em nota oficial, a diretoria da Jequié afirmou que cumpriu todas as obrigações contratuais firmadas na parceria com o Fluminense de Feira e negou irregularidades nos repasses financeiros relacionados ao acordo.
De acordo com o clube, todos os valores provenientes de patrocínios e cotas vinculadas ao Campeonato Baiano foram administrados conforme os termos pactuados, com documentação comprobatória mantida pela instituição.
"Afirmamos, de forma inequívoca, o pleno cumprimento de todas as obrigações contratuais assumidas no âmbito da parceria, com estrita observância aos princípios da boa-fé, transparência e governança", afirmou o clube em nota.
A diretoria do Jequié também declarou que solicitou, durante a vigência da parceria, prestação de contas sobre despesas compartilhadas, apontando que a apresentação dessa documentação seria necessária para verificar valores eventualmente cobrados.
Na manifestação, o clube ainda repudiou acusações feitas contra seus dirigentes e afirmou que declarações públicas sem comprovação podem gerar responsabilização judicial.
"Caso haja alegação de valores supostamente pendentes, a via adequada é a apresentação transparente e documentada das contas, permitindo conferência técnica, auditoria e composição institucional", diz outro trecho do posicionamento.
O Jequié informou ainda que existem parcelas de patrocínio ainda a receber e que, caso os valores sejam confirmados como devidos no contrato, serão repassados conforme previsto no acordo.
Por fim, o clube afirmou que adotará as medidas judiciais necessárias para proteger seus direitos e que, por orientação jurídica, não voltará a se manifestar publicamente sobre o caso, deixando o assunto sob responsabilidade do departamento jurídico da instituição.
Leia a nota ofical completa na íntegra abaixo:
"A Associação Desportiva de Jequié – ADJ vem a público prestar esclarecimentos à imprensa jequieense, à imprensa baiana e aos torcedores acerca das informações recentemente divulgadas sobre a parceria firmada com o Fluminense de Feira para participação no Campeonato Baiano.
Afirmamos, de forma inequívoca, o pleno cumprimento de todas as obrigações contratuais assumidas no âmbito da parceria, com estrita observância aos princípios da boa-fé, transparência e governança. Todos os repasses financeiros decorrentes de patrocinadores e de cotas vinculadas à competição foram realizados em conformidade com os termos pactuados, mantendo-se sob guarda do ADJ toda a documentação comprobatória dos valores repassados e das obrigações adimplidas.
Ressalta-se que, ao longo da parceria, solicitamos reiteradamente a apresentação de prestações de contas referentes às despesas compartilhadas, com a documentação necessária à transparência e ao controle da gestão conjunta. Trata-se de prática essencial em qualquer acordo que envolva divisão de custos e recursos de terceiros, e sua ausência impede a verificação técnica e objetiva da correção dos valores eventualmente reclamados.
O ADJ esclarece que, após essas solicitações, foram direcionadas ao Clube e a seus dirigentes exigências de valores adicionais, bem como comunicações e abordagens incompatíveis com o ambiente esportivo e com a urbanidade esperada em tratativas entre instituições. Paralelamente, foram difundidas manifestações em grupos de comunicação e redes sociais, contendo imputações graves e difamatórias contra o ADJ e seus dirigentes, sem respaldo documental ou confirmação por vias formais.
O ADJ repudia tais imputações. A divulgação de alegações desprovidas de lastro probatório, especialmente quando destinadas a pressionar ou constranger, pode ensejar responsabilização nas esferas cível e criminal, por potencial violação à honra objetiva da instituição e à honra subjetiva de seus representantes. O ADJ reafirma que não aceitará ataques pessoais, intimidações ou narrativas públicas que distorçam fatos e comprometam a credibilidade institucional.
É fundamental esclarecer, com objetividade: caso haja alegação de valores supostamente pendentes, despesas adicionais ou ajustes de quaisquer naturezas, a via adequada é a apresentação transparente e documentada das contas, permitindo conferência técnica, auditoria e composição institucional, sempre dentro dos parâmetros contratuais. Em matéria contratual, o ônus de demonstrar a correção e a destinação dos gastos recai sobre quem administra e executa despesas vinculadas à parceria, sobretudo quando pleiteia reconhecimento de valores.
O ADJ registra, ainda, que existem parcelas de patrocínio a receber. E, tais valores, quando efetivamente recebidos e se comprovadamente devidos, serão destinados e repassados em estrita conformidade com o contrato, pois o ADJ preza pelo adimplemento e pelo cumprimento contratual na íntegra, com responsabilidade e rastreabilidade.
Reafirmamos nosso compromisso com a legalidade e com a ética na gestão do esporte. O Clube não se furtará a cumprir obrigações legítimas que estejam devidamente comprovadas e compatíveis com o contrato e com a documentação pertinente.
Informamos que adotaremos todas as medidas judiciais cabíveis para resguardar nossos direitos e interesses e a integridade de nossos dirigentes, incluindo medidas para cessar imputações indevidas, reparar danos à imagem e proteger a honra institucional e a de seus representantes, sempre pelos meios legais adequados.
Por orientação jurídica, a partir deste momento o ADJ não mais se manifestará publicamente sobre esta questão. Toda e qualquer comunicação, tratativa ou ação relacionada ao assunto será conduzida exclusivamente pelo departamento jurídico da instituição, nos canais e foros competentes.
Aproveitamos a oportunidade para parabenizar nossa equipe pelo desempenho no Campeonato Baiano, conquistando a quinta colocação na competição e garantindo a presença do clube em competições de nível nacional.
A diretoria e o Conselho Deliberativo concentrarão seus esforços no planejamento e na participação da equipe no Campeonato Baiano Sub-20.
Agradecemos à imprensa, aos torcedores e a todos os parceiros pela atenção, compreensão e apoio.
Associação Desportiva de Jequié – ADJ"
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