terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Decifrando o 3-1-4-2 de Paulo Sousa no Flamengo

 

 

Com apenas três jogos no comando do Flamengo, Paulo Sousa já mostra ideias muito claras.

Mesmo sem os resultados e o desempenho esperado, o Fla tem uma cara. Por ser início de temporada e muitos ainda não estarem na melhor forma física, o treinador vem rodando o elenco e já escalou 37 jogadores diferentes. O que não muda é o esquema e os conceitos que quem entra em campo aplica, o que podemos chamar de modelo de jogo.

Na vitória contra o Audax por 2 a 1, Sousa surpreendeu com apenas um zagueiro de origem, Léo Pereira. Sem a posse de bola, ele formava uma dupla com Isla e Filipe Luís e Matheuzinho fechavam os lados. Mas com a posse, o Flamengo formava uma saída de três com Isla e Filipe mais atrás. Quem abria o campo era Lázaro e Matheuzinho. Pedro ficava mais à frente com Gabigol.

O 3-1-4-2 do Flamengo contra o Audax — Foto: Reprodução

O 3-1-4-2 do Flamengo contra o Audax — Foto: Reprodução

Na derrota para o Fluminense, o Flamengo teve Léo Pereira e Gustavo Henrique. Mas o 3-1-4-2 foi o mesmo. Só que Gustavo fazia a saída de três pela direita e Éverton Ribeiro abria o campo, com Arrasaeta e Andreas mais próximos. Sem Pedro, Gabigol ficou mais à frente e Diego se movimentava mais.

O 3-1-4-2 do Flamengo contra o Fluminense — Foto: Reprodução

O 3-1-4-2 do Flamengo contra o Fluminense — Foto: Reprodução

O 3-1-4-2 acontece sempre quando o Flamengo tem a posse de bola. O esquema é só um ponto de partida. Ele se desmancha quando o jogo rola. O mais importante: entender os conceitos e ideias que norteam as ações dos jogadores e complementam seus pontos fortes, suas características de jogo.

Paulo já disse quais são essas ideias. Nas coletivas, ele cita três coisas:

  • Dominar o jogo com a posse de bola
  • Variar e criar chances tanto pelo meio como pelos lados
  • Atrair o adversário para uma zona e dar velocidade para aproveitar o espaço criado.

O Flamengo coloca isso em campo. Veja na imagem: Thiago Maia tem a bola. Gabigol e Arrasca viram o corpo e se aproximam, o chamado apoio. O intuito desse apoio é atrair o meio e a zaga do Audax para longe da área e criar espaço para Pedro receber a bola. Pedro, que não sabe se vai receber o passe ou não, começa a correr e dá velocidade, como Paulo quer.

Gabigol e Arrascaeta se movimentam entre as linhas — Foto: Reprodução

Gabigol e Arrascaeta se movimentam entre as linhas — Foto: Reprodução

https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2022/02/11/decifrando-o-3-1-4-2-de-paulo-sousa-no-flamengo.ghtml


Por Leonardo Miranda

Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol

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