quarta-feira, 3 de março de 2021

Perto de acertar retorno ao Atlético-MG, Cuca fala da acusação de estupro em 1987

 

Perto de acertar retorno ao Atlético-MG, Cuca fala da acusação de estupro em 1987
Foto: Ivan Storti / Santos FC

O técnico Cuca está próximo de acertar seu retorno ao Atlético-MG. No entanto, a chegada dele, que dirigiu o time na conquista da Libertadores de 2013, não é bem vista por uma parte da torcida atleticana. Eles lembram o episódio de 1987, quando o comandante, que na época era jogador, foi condenado na Suíça, junto com outros companheiros, por violência sexual contra uma pessoa vulnerável, uma adolescente de 13 anos. O treinador rebateu a acusação em entrevista ao Blog da Marília Ruiz, no site Uol Esporte.

 

"Não houve estupro como falam, como dizem as coisas. Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto. Simplesmente isso. Não houve abuso sexual, tentativa de abuso ou coisa assim. (...) Esse episódio de 1987 precisa ser explicado. Eu estava no Grêmio havia duas ou três semanas apenas, não conhecia ninguém. Eu jamais toquei numa mulher indevidamente ou inadequadamente. Sou um cara de cabeça e consciência tranquila", afirmou no depoimento gravado ao lado da mulher e das duas filhas.

 

Conhecido como o "escândalo de Berna", o caso aconteceu em julho de 1987 durante uma excursão do Grêmio, onde Cuca era jogador na época. O atual treinador estava com o ex-goleiro Eduardo, o ex-zagueiro Henrique e o ex-atacante Fernando, quando foram detidos num quarto do hotel suíço, onde estavam concentrados, junto com a garota. O quarteto chegou a ficar preso no país europeu durante cerca de um mês e foram liberados a voltar ao Brasil após intervenção diplomática.

 

A acusação afirma que a adolescente teria sido puxada para dentro do recinto. Vale destacar que os registros da polícia e nos autos do processo constam que a vítima jamais apontou Cuca como um dos agressores. O treinador foi condenado a 15 meses de prisão, mas o caso prescreveu antes de ser cumprida. Além de negar a acusação, ele também lamentou a repercussão tardia do fato e demonstrou incômodo com o tema.

 

A esposa Rejane também defendeu Cuca.

 

"O Cuca é uma pessoa muito íntegra, um excelente pai. Se ele tivesse alguma atitude errada, eu jamais teria ficado casada com ele há tanto tempo. E esse tempo nos deu duas filhas lindas, que ele educou com muito amor, integridade e carinho", disse.

 

Cuca está sem clube desde que deixou o Santos, antes da última rodada do Campeonato Brasileiro 2020. Sob o seu comando, o Peixe foi vice-campeão da Libertadores e terminou o Brasileirão na oitava posição com 54 pontos e ficou com uma das vagas da preliminar do torneio continental. Enquanto o Atlético-MG foi o terceiro colocado com 68 pontos e vai entrar na já na fase de grupos da maior competição de clubes da América do Sul.

 

Confira o depoimento na íntegra:

 

"Venho neste momento falar de uma coisa que me incomoda muito, porque há 34 anos atrás houve um episódio comigo, e essas coisas aconteceram há 34 anos atrás, e hoje elas vêm como se tivesse ocorrido hoje, e eu fosse condenado e culpado. Pra resumir, não tenho culpa nenhuma de nada, nunca levantei um dedo indevidamente ou inadequadamente pra alguma mulher. Vivo numa casa em que 90% são mulheres, são todas mulheres e tem eu aqui como homem, nem por isso sou machista ou coisa diferente. Pelo contrário, sempre me adapto e tento fazer o melhor possível. Isso é uma coisa que me incomoda bastante. A gente vê em alguns lugares “Cuca não” por causa disso ou daquilo. Eu não devo nada a ninguém, não sou um cara do mal, não fiz nada de errado, não fui julgado e culpado por alguma coisa. Fui jogado a revelia, porque já não estava mais no Grêmio quando houve esse julgamento junto com os outros rapazes. É uma coisa que eu tenho uma lembrança muito vaga, até porque não houve nada. Não houve estupro, como falam, como dizem as coisas. Houve uma condenação por ter uma menor adentrado o quarto, e simplesmente isso. Não houve abuso sexual, não houve tentativa de abuso ou coisa assim. Então, tanto é que está... Só que hoje, 34 anos depois, com a força que os movimentos vem pegando, a gente fica vendo isso e fica sentido, sabe? Resolvi dar um basta nisso, dar uma entrevista pra vocês na frente da minha família, na frente da Rejane, na frente da Maiara, na frente da Natasha. A Rejane, com a qual eu era casado já na época. Hoje tenho 35 pra 36 anos de casado. A Maiara que nasceu dois anos depois, e a Natasha que nasceu quatro anos depois. Pro pessoal ver, gente, é muito constrangedor pra mim dar uma entrevista assim. Lógico que a gente tem que encarar as coisas da vida, mas pra dar um basta nisso. Quero treinar ainda grandes equipes, mas não quero nunca ser um cara mal falado. Prefiro ficar na minha casa do que sair aí, achar polêmica e achar problema. Minha vida é baseada nesses conceitos aqui, família, fé em Deus e ser uma pessoa honesta e íntegra, e isso tenho feito em todos os clubes que passei. Tenho conquistado grandes amigos e tudo, e muito se dá na convivência que temos aqui nessa família."


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