quarta-feira, 23 de setembro de 2026

A economia digital do esporte e novos mercados de atuação

 


Por INFORME PUBLICITÁRIO

A economia digital do esporte e novos mercados de atuação
Foto: Magnific

O relatório Convocados 2026 contabilizou R$ 14,3 bilhões movimentados pelo futebol brasileiro. Um terço desse dinheiro saiu de um único setor: as empresas de apostas.

 

O patrocínio de apostas é a face visível desse dinheiro: está na camisa dos clubes, nas placas do gramado e até no nome oficial da competição. 

 

Já a face invisível é a cadeia que sustenta essa receita, movida por funções que não existiam há dez anos e muito mais dependente de audiência digital do que de estádio cheio. É aí que estão os novos mercados de atuação do esporte.

 

Um terço do dinheiro do futebol brasileiro vem das apostas

A concentração preocupa dirigentes por um motivo prático: um clube que depende de uma fonte só fica exposto quando essa fonte oscila. Foi para enfrentar isso que o Sistema de Sustentabilidade Financeira, o fair play financeiro brasileiro, começou a valer em 2026 e passou a cobrar equilíbrio entre receitas e gastos.

 

O setor de apostas ainda irriga o esporte por uma segunda via, menos comentada. Entre janeiro e abril de 2026, as operadoras licenciadas recolheram R$ 4,5 bilhões em tributos, praticamente o dobro do mesmo período do ano anterior. Como a carga corresponde a cerca de 37% da receita das empresas, o faturamento do quadrimestre ficou perto de R$ 12,2 bilhões.

 

A Lei nº 14.790/2023 determina para onde vai essa arrecadação, e o esporte fica com a maior fatia. Ou seja, o dinheiro chega aos clubes pelo patrocínio e chega ao esporte brasileiro pelo imposto.

 

Por que a audiência esportiva se espalhou por centenas de canais?

O torcedor parou de esperar o programa das oito da noite. Em 2025, os serviços de vídeo sob demanda já alcançavam 33,4 milhões de domicílios brasileiros, enquanto a TV por assinatura caía ao menor patamar da série histórica do IBGE.

 

Quem acompanha futebol hoje monta a própria cobertura: abre o placar ao vivo no celular, lê a escalação em um portal especializado, assiste ao corte do lance no vídeo curto e discute o resultado num grupo de mensagens. Nenhuma dessas etapas passa necessariamente pela mesma empresa.

 

Para o anunciante, essa dispersão criou um problema novo. Antes bastava comprar três intervalos comerciais para falar com o país inteiro. Agora a mesma audiência está distribuída por centenas de canais pequenos, e alguém precisa alcançá-la um a um.

 

Como os veículos de nicho monetizam a audiência esportiva?

Quem alcança essa audiência dispersa são os veículos de nicho, e eles não vendem assinatura nem cobram pelo conteúdo. Vivem de tráfego recorrente, convertido depois em publicidade e em acordos de performance, o que obriga a publicar antes dos concorrentes e a ranquear bem nas buscas.

 

O recorte pode ser qualquer um: uma competição, o mercado da bola, estatística, futebol feminino ou um único clube. O portal Corinthians Online, por exemplo, cobre um único time todos os dias, com escalação, classificação por competição, bastidores e calendário organizados para quem já sabe exatamente o que veio buscar.

 

Manter uma operação dessas de pé ocupa um time inteiro. Alguém define pauta, alguém escreve pensando em busca, alguém edita vídeo, alguém acompanha o que rendeu clique na semana passada. Há dez anos, esse mesmo trabalho seria descrito como um blog de torcedor.

 

O que faz um afiliado de iGaming?

O afiliado de igaming produz conteúdo, atrai leitores interessados no assunto e recebe conforme o resultado que gera, não pelo espaço publicitário que ocupa.

 

A diferença em relação a um anúncio comum é grande. O veículo tradicional vende a exibição e recebe pela exibição, tenha ela funcionado ou não. O afiliado só é remunerado quando a ponta final se concretiza, o que o aproxima mais de um corretor do que de um vendedor de mídia.

 

Essa forma de remuneração muda o perfil de quem trabalha no setor. Em vez de tabela de preços, o profissional lida com posicionamento orgânico no Google, leitura de funil, atribuição de conversão e checagem regulatória. São competências de marketing digital aplicadas a um mercado que, no Brasil, ainda está aprendendo as próprias regras.

 

Negociar direto com o operador ou trabalhar por uma rede?

O afiliado pode fazer as duas coisas, e boa parte do mercado faz. Acordos diretos são comuns e costumam compensar quando o portfólio é enxuto, com dois ou três parceiros e volume que justifique negociar caso a caso.

 

A conta muda com a escala. Cada operador tem contrato próprio, painel próprio, critério de comissionamento próprio e data de pagamento própria, e o tempo gasto administrando essas relações disputa espaço com o tempo de produzir conteúdo.

 

Do lado do operador, o problema é espelhado: ampliar alcance significa acompanhar centenas de parceiros e conciliar repasses. Redes de performance ocupam esse espaço. 

 

A Matching Visions, por exemplo, concentra em um único ponto o acesso às campanhas, a mensuração dos resultados e o repasse dos valores, do mesmo modo que um distribuidor poupa o pequeno varejista de negociar com cada indústria separadamente. 

 

Não é substituto do acordo direto, e sim outra forma de organizar a mesma relação, escolhida conforme o tamanho da operação.

 

O que mudou na economia digital do esporte desde julho de 2026

A Portaria Interministerial MF/SECOM/MJSP nº 73, publicada em 10 de julho de 2026, estendeu as obrigações de proteção ao consumidor para toda a cadeia publicitária do setor de apostas. Agências, veículos, plataformas digitais, afiliados e influenciadores entraram na regra.

 

Na prática, publicar deixou de ser um ato neutro. Quem veicula precisa confirmar que o operador está autorizado, aplicar as advertências obrigatórias do Ministério da Fazenda e manter o conteúdo longe de qualquer linguagem de incentivo.

 

Esse filtro reorganizou o mercado. A economia digital do esporte cresceu, mas os novos mercados de atuação que ela abriu pagam cada vez menos pelo volume de publicações e cada vez mais por quem sabe operar com dados, previsibilidade e conformidade.

 

O Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência. Atividade proibida para menores de 18 anos.

https://www.bahianoticias.com.br/esportes

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