sábado, 15 de agosto de 2026

Novo comando: Jonilson Veloso revela planos para nova fase da base do Vitória

 


Por Hugo Araújo

Novo comando: Jonilson Veloso revela planos para nova fase da base do Vitória
Foto: EC Vitória/Divulgação

Celeiro de craques históricos, a base do Vitória ganhou fama internacional ao longo dos anos e hoje vive um processo de reconstrução, assim como todo o clube desde a virada de chave iniciada durante a Série C de 2022. Após um período sem protagonismo dos jogadores formados no clube e de instabilidade do Rubro-Negro antes da arrancada iniciada naquele ano, o Vitória tem atualmente no goleiro Lucas Arcanjo, cria da base e hoje uma das referências do clube, um dos símbolos desse processo e da busca por dias melhores.

 

Após retornar à Série A do Campeonato Brasileiro Sub-20 ao conquistar o acesso no ano passado, o Vitória terminou a competição na 14ª colocação, com 20 pontos, três a mais que o Criciúma, 18º colocado e rebaixado ao lado de Avaí e Fortaleza. O ano de consolidação na elite, porém, contrastou com a eliminação na semifinal do Campeonato Baiano da categoria, diante do Fluminense de Feira, que acabou derrotado pelo Bahia na decisão. Com o resultado, o Leão viu o rival conquistar o octacampeonato consecutivo da competição e ampliou para nove anos o jejum de títulos estaduais da categoria, já que a última conquista aconteceu em 2017.

 

Para dar sequência ao processo de reconstrução, que já apresenta reflexos no elenco profissional através de jogadores como Lucas Arcanjo, um dos principais nomes da equipe, e Edenilson, que integra o grupo principal rubro-negro desde o ano passado, o Vitória acertou a contratação do experiente técnico Jonilson Veloso para assumir o comando do Sub-20, substituindo Mário Henrique na função. 

 

Eleito o melhor treinador do Campeonato Baiano de 2023, Jonilson, que estava no Vilavelhense, do Espírito Santos, também realizou estágios no Bayern de Munique durante o período em que Pep Guardiola comandava a equipe alemã. Com passagens por Jequié, Ypiranga e Jacuipense, onde conquistou o acesso à Série C e o vice-campeonato do Campeonato Baiano, o treinador chega ao clube com a missão de desenvolver novos talentos e recolocar a base do Vitória em posição de protagonismo.

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Jonilson Veloso falou sobre o desafio de comandar uma das divisões de base mais tradicionais do Brasil, explicou os motivos que o levaram a aceitar o novo desafio e revelou bastidores do projeto, que terá como primeiro grande objetivo a preparação da equipe para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, em janeiro de 2027.

 

Bahia Notícias: O que pesou para você aceitar o convite do Vitória, especialmente deixando o futebol profissional para assumir o Sub-20?

 

Jonilson Veloso: Primeiro, o desafio. A gente tem dez anos de carreira, não só no futebol profissional, e chegou a pensar: "Será que estou dando um passo atrás?". Mas, por outro lado, encaramos isso como um desafio enorme, porque sabemos que a marca Vitória supera qualquer coisa.

Também pensamos muito no investimento futuro. Dar esse passo, aproveitando a marca Vitória, é uma oportunidade de valorização no mercado de trabalho. A divisão de base do Vitória dispensa apresentações. Os craques revelados pelo clube falam por si só. A marca do Esporte Clube Vitória, não só no profissional, mas também na base, é muito forte.

 

BN: Como aconteceu o contato com a direção do Vitória e quem integra a sua comissão técnica? 

 

JV: O primeiro contato foi feito pelo gerente de futebol, Ricardinho (Ricardo Amadeu), que me explicou e apresentou o projeto do Vitória. A gente tem uma comissão muito experiente. Temos o auxiliar técnico John Sugar, que recentemente era auxiliar da equipe profissional da Jacuipense; o preparador físico Léo Coutinho; o Victor Miller, treinador de goleiros da comissão anterior, que está há muitos anos no clube e foi atleta do Vitória; e o analista de desempenho Tomás.

Pela experiência e pela vivência dessa comissão, a equipe do Vitória pode esperar muitas coisas boas pela frente.

 

BN: Você tem cerca de uma semana conhecendo o clube antes do anúncio oficial. O que encontrou nesse período?

 

JV: Foi um período para me ambientar, conhecer as estruturas, as instalações e os departamentos do clube. Também começamos a analisar os elencos do Sub-20 e das outras categorias, como Sub-17 e Sub-16. Foi uma semana de adaptação ao clube, tanto para mim quanto para a comissão técnica. Agora já colocamos a mão na massa e estamos trabalhando, porque sabemos que nossa missão é difícil e o desafio é muito grande.

 

BN: Você também teve contato com o presidente Fábio Mota. Como foi essa conversa?

 

JV: Fomos apresentados ao presidente e ele me mostrou toda a estrutura do clube. No final, falou: "Olha o tamanho para onde você está vindo".

 

Isso é uma pressão a mais, mas estamos acostumados e preparados. O Vitória é uma equipe gigante do futebol brasileiro. Quem não conhece a estrutura do Vitória não tem dimensão do tamanho que é o clube. Fico muito feliz pelo convite e tenho certeza de que a equipe Sub-20 vai dar muitas alegrias à nossa torcida.

 

BN: Como você avalia o momento atual do Sub-20 do Vitória, que terminou o Brasileiro na 14ª colocação e caiu na semifinal do Campeonato Baiano, amargando nove anos sem título estadual na categoria?

 

JV: A equipe Sub-20 está se reestruturando. Alguns atletas, por força de contrato, terminaram seus vínculos e deixaram o clube. Membros da comissão também saíram. Então, estamos chegando para algo novo. Começamos praticamente do zero.

 

Ainda temos este período do ano para nos prepararmos para duas competições oficiais: a Copa Atlântico e, logo em seguida, em janeiro, a Copa São Paulo. Temos tempo para trabalhar. O departamento de análise de desempenho e o departamento de mercado estão trabalhando para trazer outros atletas e fortalecer a equipe.

 

O projeto do Vitória é ter uma equipe muito forte no Sub-20, porque é a categoria principal da base, aquela que prepara os atletas para o profissional. Esse é um dos motivos pelos quais está acontecendo essa reestruturação, para que no próximo ano possamos estar ainda mais fortes.

 

BN: Como foi a conversa com o técnico Jair Ventura? 

 

JV: É um trabalho em conjunto. Precisamos trabalhar muito próximos para avaliar e analisar quais atletas do Sub-20 estão capacitados para serem inseridos na equipe profissional.

 

Essa integração é muito próxima. O Jair me desejou boa sorte, deu as boas-vindas e falou que eu estava chegando a um grande clube. Também disse que estava à disposição para o que precisássemos e que poderia nos ajudar.

 

BN: A Copa Atlântico será sua primeira competição oficial. O que o torcedor pode esperar da equipe?

 

JV: Na Copa Atlântico já teremos uma equipe com a nossa cara, claro que respeitando a identidade e a cultura do clube. Não vamos esperar a Copa São Paulo. Precisamos mostrar isso logo na primeira competição.

 

Temos tempo para adaptar os novos atletas que vão chegar e também aqueles que permaneceram à nossa ideia e ao nosso modelo de jogo. A expectativa é a melhor possível. Nosso intuito é sempre ser o melhor e fazer uma campanha melhor do que estamos acostumados a fazer.

 

 

BN: Já existe uma definição sobre o perfil do elenco que será levado para a Copa São Paulo de 2027?

 

JV: Ainda não. Estamos planejando porque temos tempo para isso. Geralmente, não se leva uma equipe formada apenas por atletas do último ano. Vai uma garotada mais nova para que eles possam amadurecer e vivenciar uma competição como a Taça São Paulo, que é uma das principais competições de base do país.

 

Vamos sentar ainda com o clube para definir o planejamento em relação à Copa São Paulo e aos atletas mais jovens que serão inseridos nesse processo.

 

BN: O Vitória tem jogadores da base retomando espaço no profissional, como Lucas Arcanjo e Edenilson. Como você enxerga essa geração e os atletas que podem dar esse salto?

 

JV: Vou ser muito sincero: ainda é muito novo para mim. A gente ainda está conhecendo o elenco e formando um novo grupo para as futuras competições. Mas isso é a identidade do clube. O Vitória sempre foi uma equipe que utilizou muitos jogadores da base 

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