OPINIÃO: Venceu! Mas o brasileiro precisa se encontrar - e Ancelotti também
Um dos maiores sambistas — se não o maior — da história deste país, Cartola foi o principal intérprete da música "Preciso me Encontrar", porque, com leveza, pôde dar um sentido singular quando disse que iria "sorrir para não chorar". Não era bem o que eu esperava, mas, com um sentimento semelhante, acompanhei o empate do Brasil contra o Marrocos e a vitória desta sexta-feira (19) sobre o Haiti, pela segunda rodada da Copa do Mundo.
Não me entenda mal: o resultado foi alcançado, a liderança parcial está aí, mas os minutos finais revelaram que as aparências não convencem e muito menos enganam.
Em um primeiro tempo movimentado, a Seleção Brasileira aproveitou uma defesa haitiana frágil e marcou três gols em um ataque grifado pela sintonia entre Vinícius Júnior e Matheus Cunha. A sensação era de que a segunda etapa ofereceria novos espaços e que as redes defendidas por Johny Placide passariam por ainda mais apuros. O cenário até seguiu nessa direção, mas o batalhão de plástico controlado por Carlo Ancelotti continua pouco inspirado e artificial.
O Brasil teve mais controle, buscou associações e criou situações de ataque, mas muito mais pelas brechas proporcionadas pelo Haiti do que pela inventividade de seus comandados. Ao fim, um jogo protocolar — que deveria resultar em um placar mais elástico — terminou com um desfecho já conhecido: a sensação de insuficiência.
Uma pergunta pertinente para este momento é: há pouco mais de um ano, o povo que, de vez em quando, veste verde e amarelo e tem muitas críticas a fazer imaginava que o italiano iniciaria sua expedição mundial dessa forma? Para quem sente que as minhas palavras estão um pouco fortes, é só um caso de reflexão, pois apesar de enxergar que o Brasil pode estar no caminho para encontrar sua fórmula para chegar ao título, Ancelotti segue mostrando que o acaso talvez vá protegendo ele enquanto “anda distraído”.
Principalmente para a parcela que acompanha o futebol no dia a dia, a tão aguardada e dramática chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira parecia marcar o início de uma era de retorno ao posto de melhor equipe nacional do planeta, impulsionada pela busca do sonhado hexacampeonato mundial. O objetivo ainda pode ser alcançado em 2026, mas, para isso, será necessário enfrentar uma onda de expectativas, ansiedade, cobranças e pedidos por representatividade. Neste último aspecto, aliás, a resposta ainda está longe de ser satisfatória. Endrick que o diga.
Agora, o técnico italiano precisa preservar o que deu certo, aprender com o que, neste momento, parece descartável e se preparar para enfrentar a Escócia na próxima quarta-feira (24), às 19h, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela última rodada da fase de grupos. Ah, e claro, com a expectativa de um "golpe de esperança" chamado Neymar.
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