Ipiaú: José Américo enaltece o trabalho de Valmir Roque; guardião do Rio das Contas

Luquinha: O caboclo d’água guardião do Rio das Contas
Na luta pela preservação do Rio das Contas destaca-se o cidadão Valmir Roque dos Santos, popularmente conhecido pelo apelido de Luquinha.
Ele reside na Vila de Japomirim, município de Itagibá e há mais de 30 anos vem defendendo o manancial, buscando minimizar a sujeira que outros homens provocam, com a inconsciência de atos resultantes de uma civilização mal educada.
Movendo-se rapidamente pelo rio, enquanto retira o lixo ali acumulado, colocando a própria vida em risco, defendendo os peixes e outros animais, nadando, mergulhando em poços profundos, Luquinha tem algo da mítica figura do Caboclo D’água.

Na região de Ipiaú ele é o guardião do rio. Vem dando continuidade ao trabalho iniciado pelo Grupo Papamel e bons exemplos a outras entidades e voluntários.
Fundou o grupo “Defensores do Rio” que, há várias décadas, promove mutirões de limpeza nas imediações do areão do Arara e, tem militantes com apelidos exóticos: Zé Galinha, Do Jegue, Patachoca, Dió, Zé da Onça e Nen. João Kleber e Andreia também fazem parte da turma voluntariosa.
Luquinha esteve no Movimento SOS Rio das Contas, que reúniu entidades ambientalistas de todo o vale, desde a nascente em Piatã, na Chapada Diamantina até a foz, em Itacaré, no litoral sul, Costa do Cacau. Também participou de reuniões do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Contas.
Ao longo dos seus tantos anos de militância ecológica, já retirou centenas de toneladas de lixo das margens e leito do rio. Garrafas pets, pneus, vasos sanitários, carcaças de geladeiras e televisores, inúmeros resíduos maléficos ao meio ambiente.
Luquinha, que tanto luta pela sobrevivência do rio, sobrevive com ínfimos recursos (talvez um salário-mínimo, ou pouco mais), que obtém como encarregado da medição do nível da água, fazendo leitura diária da máxima e mínima, assim como do índice pluviométrico.
Prestou serviços para a CHESF por um longo tempo, e agora exerce a mesma função trabalhando para uma empresa terceirizada.
Já viu o rio bem seco, com 0,87 cm de profundidade, e muito cheio, transbordando, com mais de oito metros acima do seu nível normal. Viu espécies nativas da ictiofauna desaparecerem e espécies exóticas povoarem as águas. Sabe da resistência de algumas e da multiplicação de outras.

Presenciou a chegada das garças, o crescimento da população de capivaras, lontras, jacarés, tartarugas e sucuiúbas. Se alegra com a permanência das saracuras, lavandeiras, viuvinhas, martins pescadores e outros pássaros nativos.
Diz que tem muitos répteis e animais peçonhentos nas margens e ilhas. Assegura que nesse tempo de convivência com a água, nunca sofreu acidente grave e muito menos contraiu doenças, inclusive a terrível esquistossomose. Seu amor pelo rio garante esse livramento.
Valmir Roque dos Santos, nascido na região da Nova Alegria, zona rural de Itagibá, filho do pescador Agenor José dos Santos e da lavadeira, Aurelina Roque dos Santos “Fá”, é patrimônio vivo do Vale do Rio das Contas, com forte possibilidade de torna-se lendário.
Cada ação que promove é um novo alento para a bacia hidrográfica. Sua luta estende-se pelos afluentes, nascentes e demais mananciais. Prestando relevantes serviços à humanidade, em especial, aos ribeirinhos da região, será sempre lembrado como Luquinha, o Caboclo d’água, Guardião do Rio das Contas.
José Américo é escritor e historiador ipiauense
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