Prefeito de município baiano é cassado após filha ser apontada como peça-chave em esquema de Pix para compra de votos

A Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato do prefeito do município baiano de Contendas do Sincorá, Didi (PSD), após identificar indícios consistentes de compra de votos durante a campanha de 2024.
A decisão, que também atinge a vice-prefeita, professora Erica, também declarou a inelegibilidade do gestor e de sua filha, Júlia Souza, por oito anos. A defesa informou que vai recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tenta suspender os efeitos imediatos da sentença. A informação é do Uol.
Disputa apertada e possível nova eleição
O resultado das urnas já indicava um cenário de forte polarização: o prefeito venceu por apenas 58 votos de diferença. Com a cassação, o município, que tem cerca de 4,5 mil habitantes, poderá ter uma nova eleição, caso a decisão seja mantida em instâncias superiores.
Pix e movimentações suspeitas no centro do caso
Segundo a reportagem, a investigação ganhou força após denúncias da candidatura derrotada, que apontou a utilização de transferências via Pix para aliciar eleitores. Os repasses teriam sido feitos a partir da conta da filha do prefeito, especialmente na reta final da campanha.
Dados bancários analisados no processo mostram que, em um único dia, foram movimentados cerca de R$ 11 mil em transações consideradas fora do padrão. Os valores, muitas vezes arredondados, e a concentração das operações próximo à eleição levantaram suspeitas de uso eleitoral dos recursos.
O Ministério Público Eleitoral acompanhou esse entendimento e defendeu a cassação, destacando que o volume e a forma das transferências indicavam uma estratégia organizada para influenciar o resultado.
Depoimentos, comprovantes e áudio reforçam denúncia
De acordo com o site, quebras de sigilo bancário e relatos de eleitores ajudaram a detalhar o suposto esquema. Um dos depoentes afirmou ter recebido promessa direta de pagamento em troca de apoio político, e apresentou comprovante de uma transferência de R$ 1 mil feita no mesmo horário citado.
Além disso, um áudio anexado ao processo, cuja autenticidade foi confirmada por perícia, registra uma conversa em que o então candidato oferece dinheiro a um eleitor, com parte do valor condicionada ao período pós-eleição.
Outras vantagens teriam sido oferecidas
A decisão judicial também menciona relatos de distribuição de benefícios como botijões de gás, cestas básicas, materiais de construção e até pagamento de contas domésticas. Há ainda acusações de que eleitores teriam sido incentivados a registrar o momento do voto como forma de comprovar o acordo, em troca de valores que chegariam a R$ 1 mil.
Justiça aponta desequilíbrio na disputa
Na sentença, o magistrado responsável pelo caso destacou que a prática de oferecer dinheiro ou vantagens compromete a lisura do processo eleitoral. Para a Justiça, o conjunto de provas indica uma atuação deliberada para interferir na vontade do eleitorado e desequilibrar a disputa.
Defesa nega irregularidades e fala em perseguição
Os investigados negam qualquer ilegalidade. A defesa sustenta que as transferências financeiras correspondiam a pagamentos por serviços e argumenta que o uso da conta da filha ocorreu porque as contas pessoais do candidato estavam bloqueadas judicialmente.
Também questiona a validade das provas, especialmente a quebra de sigilo bancário e a gravação apresentada. Segundo os advogados, houve extrapolação do período autorizado para análise financeira e o áudio teria sido obtido em ambiente privado, o que, na visão da defesa, comprometeria sua legalidade.
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