Bahia: Chega a cinco o número de pessoas que perderam a visão após passarem por cirurgias de catarata

A clínica Clivan afirmou que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos durante as cirurgias. (Confira a nota ao fim da reportagem)
Um desses pacientes é o pedreiro aposentado Damário Antônio da Silva, de 75 anos. Ele sentia dificuldade para enxergar de perto e teve recomendação médica para passar pela cirurgia de catarata. Antes de fazer o procedimento, passou por duas avaliações.
“Eu já saí de lá com o olho doendo, nem conseguia abrir. No outro dia fui para a revisão e mandaram que eu fosse para o HGE (Hospital Geral do Estado). Lá fiquei sabendo que perdi a visão e que teria que retirar o globo ocular”, contou o idoso.
Além de ter perdido a visão, o aposentado precisa arcar com os custos dos medicamentos, que ultrapassam R$ 200. Segundo ele, não houve ajuda financeira por parte da clínica.
Maria Ribeiro saiu da cidade de Acajutiba, a 180 km de Salvador, para a capital baiana apenas para passar pela cirurgia. Ela também faz parte do grupo que perdeu totalmente a visão e vai precisar retirar o globo ocular.
A filha dela, Maria Ribeiro, afirmou que a clínica Clivan não prestou nenhuma ajuda para a paciente. “Eles não foram encaminhados para o hospital pela clínica, nem acompanhados pela clínica”, disse.
A advogada Eveline Santos representa algumas das vítimas. Segundo ela, a clínica pode ser responsabilizada em diferentes esferas.
“Uma vez identificada a responsabilidade da clinica, é possível promover ações tanto na esfera administrativa, como também na esfera criminal, caso seja provado que houve crime, ou até mesmo a reparação civil através de uma ação indenizatória”, explicou.

Clínica estava licenciada
Em nota, a SMS detalhou que a Clínica Clivan estava devidamente licenciada junto à vigilância sanitária municipal, com alvará vigente. Entretanto, a pasta tomou as seguintes providências cautelares no âmbito da vigilância sanitária:
Suspensão cautelar do alvará sanitário;
Interdição temporária dos serviços relacionados aos procedimentos em apuração;
Instauração de processo administrativo sanitário para verificação das condições de funcionamento e conformidade com as normas vigentes;
Notificação ao Ministério Público e Cremeb para acompanhamento nas esferas cabíveis.
Já o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) informou que realizou uma fiscalização na clínica na segunda-feira e as eventuais sanções ao empreendimento só serão divulgadas após o resultado da análise.
Confira a nota da clínica na íntegra:
“A Clínica de Oftalmologia esclarece as informações relacionadas a intercorrências registradas no pós-operatório de cirurgias de catarata realizadas na última semana.
Ressaltamos que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram rigorosamente seguidos, desde a avaliação pré-operatória até o acompanhamento pós-cirúrgico, em conformidade com as normas médicas vigentes.
A clínica realiza mais de 8 mil cirurgias por ano, mantendo um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência, o que reforça o caráter pontual do episódio.
Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais e assegurando que todos continuem sendo acompanhados de forma responsável e humanizada.
A Clínica de Oftalmologia reafirma sua confiança nos seus profissionais, protocolos e na medicina responsável que sempre pautou sua trajetória.”
G1
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