domingo, 1 de fevereiro de 2026

Decadência gringa e perspectivas do fim do sonho americano no comentário de Elson Andrade

 


O sonho americano acabou? O paradoxo da superpotência que cada vez mais parece estar em plena ruína

Fotografia: Steve Knutson/Unsplash

Nesta edição, o arquiteto e urbanista Elson Andrade apresenta uma crítica à degradação da sociedade americana, ressaltando o paradoxo de uma superpotência global em meio a crises internas. 

Andrade evidencia a contradição entre a tradicional imagem de força econômica e política dos Estados Unidos frente a problemas reais, como a desigualdade social, insegurança alimentar, instabilidade política, avanço das drogas sintéticas e a fragilidade de uma economia sustentada pelo dinheiro digital, sem lastro, marcada pela desindustrialização que ameaça a produção.

Reprodução: BBC de Londres

Os Estados Unidos, apesar de ainda terem o maior PIB do mundo, enfrentam uma crise multifacetada marcada pela insegurança alimentar, pela desigualdade social, o avanço fulminante das drogas e por tensões políticas internas. Enquanto bilionários prosperam no Vale do Silício, cerca de 47,4 milhões de americanos vivem em situação de insegurança alimentar, o que significa um em cada sete cidadãos e uma em cada cinco crianças. O agravamento da pobreza é impulsionado pelo custo de vida em disparada, com moradias 90% mais caras e alimentos 50% mais caros nos últimos anos, em contraste com um salário mínimo federal que permanece estagnado desde 2009. A fragilidade da rede de proteção social ficou evidente durante o shutdown do governo, que deixou 42 milhões de beneficiários do programa SNAP sem recursos por 43 dias. Diante do cancelamento de pesquisas oficiais sobre a fome pelo governo Trump, a venda de plasma sanguíneo tornou-se um indicador desesperado da crise, já que pessoas passaram a comercializar fluidos biológicos até duas vezes por semana para conseguir comprar comida (vender o próprio sangue para poder minimamente se alimentar).

Na Califórnia, estado cujo PIB é o dobro do brasileiro, a contradição se revela de forma explícita em locais como Skid Row, em Los Angeles, onde milhares de moradores de rua vivem em barracas que, por vezes, possuem veículos, geradores e acesso a streaming, mas carecem de saneamento básico. O estado oferece benefícios que somam cerca de 800 dólares, entre auxílio-alimentação e dinheiro, o que atrai vulneráveis de outras regiões, mas o alto custo do aluguel de moradia impede que essas pessoas consigam sair das ruas.

No campo político, o governo Trump enfrenta uma resistência inédita de líderes republicanos, que criticam táticas repressivas de agentes federais responsáveis pela morte de cidadãos americanos em protestos. Ao mesmo tempo, o presidente convoca prefeitos democratas a cooperarem com deportações em massa e critica as chamadas “cidades santuário”, alimentando um debate sobre a possibilidade de uma “guerra civil” diante da polarização interna. Essa instabilidade já transborda para o cenário internacional, com parlamentos e confederações de futebol na Europa, como a da Alemanha, discutindo abertamente um boicote à Copa do Mundo de 2026. Críticos argumentam que as violações de direitos humanos e as políticas de isolamento dos EUA tornam o país um anfitrião questionável, comparando a situação atual aos boicotes das Olimpíadas de 1980 e 1984.

Reprodução: /x.com/fernandoulric

Além disso, é importante destacar que os Estados Unidos historicamente recorreram à estratégia de se envolver em grandes questões fora de seu território e fronteiras, como ilusórias ameaças comunistas, narcotráfico fake e até de invasão de marcianos… como forma de distrair a opinião pública interna e reforçar a imagem de grande protetor do povo americano. Essa postura projetada para o exterior contrasta com a realidade doméstica marcada por desigualdade e insegurança. Nesse processo, o país transformou-se em uma espécie de plataforma econômica global, mais do que em uma nação coesa de cidadãos semelhantes. Tudo gira em torno do dinheiro escritural, da moeda fiduciária que sustenta o sistema financeiro internacional, reforçando a ideia de que o poder americano está cada vez mais vinculado ao papel de centro monetário mundial do que à construção de uma sociedade equilibrada e justa.

O grande sonho americano, tão amplamente difundido pelos filmes de Hollywood, parece estar se desfazendo com uma rapidez maior do que muitos imaginavam, à medida que os sinais de crise se estampam nos jornais e nas agências de notícias internacionais. A realidade é que os Estados Unidos, ao longo das últimas décadas, optaram por uma estratégia de expansão baseada na criação de dinheiro escritural (sem lastro – sustentado a base de ameaça bélica) e na utilização de sua moeda como instrumento global de poder, comprando e subjugando mercados e nações. Essa política, que sustentou a imagem de potência incontestável, agora revela suas fragilidades: a produção local perdeu força, a indústria nacional foi deslocada para outros países e a riqueza digital, sustentada por fluxos financeiros digitais, gerou a maior concentração de riqueza abstrata da história, mas de forma insustentável.

O resultado é um paradoxo evidente: enquanto o país se apresenta como guardião da ordem mundial, internamente enfrenta desigualdade crescente, insegurança alimentar e tensões políticas que corroem sua coesão social. O “Sonho Americano”, outrora símbolo de prosperidade e mobilidade social, dá lugar a uma luta diária pela sobrevivência, em meio a um sistema que gira em torno do dinheiro como valor absoluto, transformando os Estados Unidos mais em uma plataforma financeira global do que em uma nação coesa de cidadãos semelhantes. Essa contradição entre a imagem projetada e a realidade vivida expõe não apenas a fragilidade do modelo, mas também o risco de colapso de uma hegemonia construída sobre bases financeiras artificiais – sem produção local.

Reprodução: BBC de Londres

Além disso, a ideologia radical da intitulada extrema direita, tem criado crise interna dos Estados Unidos é aprofundada pela crescente polarização política e social, que se manifesta em conflitos frequentes entre diferentes grupos ideológicos e sociais. Essa divisão dificulta a implementação de políticas públicas eficazes para combater a pobreza e a desigualdade, agravando ainda mais a situação das populações vulneráveis. A instabilidade política também se reflete na dificuldade do país em manter sua influência global, já que aliados tradicionais questionam a coerência e a estabilidade do governo americano.

No âmbito econômico, a dependência dos Estados Unidos em continuar a qualquer custo sendo o grande provedor monetário do sistema financeiro global baseado no dólar sem lastro (aumento da dívida pública e do déficit na balança comercial), resultou numa vulnerabilidade social significativa. A hegemonia do dólar como moeda de reserva mundial vinha permitindo ao país financiar seus déficits exorbitantes e a manter seu poder econômico global, mas também o expôs a choques externos e a crises financeiras internacionais. A desindustrialização e a terceirização da produção para países com mão de obra mais barata enfraquecem a base produtiva nacional, aumentando o desemprego e a precarização do trabalho.

Por fim, a imagem internacional dos Estados Unidos como superpotência é desafiada por novas potências emergentes, como a China, que disputam a liderança global em diversas áreas, desde a economia até a tecnologia e a influência geopolítica. Essa competição multipolar coloca em xeque a capacidade dos Estados Unidos de manter seu papel dominante no cenário mundial, especialmente diante das fragilidades internas que comprometem sua coesão social e política.

Em suma, o paradoxo da superpotência americana reside na contradição entre sua imagem externa de poder e estabilidade e sua realidade interna de crise e fragmentação. Essa dualidade representa um desafio complexo para o futuro do país e para a ordem mundial que ele ajudou a construir. Ao que parece, o radicalismo extremista, próprio do modelo financista imperial, improdutivo, aliado ao fato de terem eleito o dinheiro como a coisa mais importante do mundo, parece estar chegando ao fim. O mundo segue acompanhando e torcendo pelo povo americano inocente, pelo jeito, sem opção de fuga dos seus exploradores globalistas.

Diante da iminência do dólar americano deixar de ter o poder de compra universal e força de coerção monetária… o maior receio do mundo agora, é ver o gigante EUA cair – atirando para todos os lados!

Nota: O site IPIAÚ ONLINE tem diversos outros artigos de foro regional que poderão lhe trazer informações e debates de grande valia para a sua vida e/ou negócio. Não deixe de ler e compartilhar nossas publicações, acessando o site

Além disso, não esqueça de deixar seu feedback nos comentários abaixo. Sua avaliação, crítica e contra argumentação é muito importante para nosso ajuste em prol duma maior assertividade, aprofundamento e aprimoramento de cada tema abordado.

Para os mais astutos, sugerimos assistirem aos vídeos e áudio abaixo, (disponíveis no YouTube) como reflexão complementar a leitura.

As opiniões e valores expressos nos vídeos a seguir, são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores. Todos os vídeos são públicos e estão disponíveis na plataforma do YouTube.

https://ipiauonline.com.br/

0 comments:

Postar um comentário

WALDEMIR VIDAL SANTOS DRT-BA 4.260 - ABCD-BA 544