Cortejo Afro abre o Carnaval 2026 exaltando o Benin e reforçando Salvador como destino de ancestralidade viva

Para quem acompanha o Carnaval de Salvador à distância, seja de outros estados ou até de fora do país, a abertura do Cortejo Afro no Circuito Osmar (Campo Grande) deixa claro por que a festa baiana é muito mais do que entretenimento: é narrativa histórica, identidade e estratégia cultural.
Em 2026, o bloco escolheu como tema “Bahia Benin – Reino de Daomé”, marcando a primeira vez, em 27 anos de trajetória, que homenageia diretamente um país africano. A escolha do Benin — antiga potência da África Ocidental, conhecida historicamente como Reino do Daomé — reafirma os laços ancestrais entre a Bahia e o continente africano, reforçando o papel de Salvador como capital simbólica da diáspora negra nas Américas.
A proposta dialoga com a identidade sonora do grupo, como explica Mestre Éden, ao incorporar referências africanas à base afro-brasileira que caracteriza o Cortejo. Já Mestre Alin destaca o significado simbólico do tema: resistência, força e memória histórica atravessam o desfile. A ala de percussão, com 110 músicos sob o comando de Éden Paulo e Alin Gonçalves, imprime potência ao cortejo, enquanto a trilha oficial do Carnaval 2026, “Agolô Naê” — composição de Valmir Brito e Alberto Pitta — ecoa como um canto de respeito e espiritualidade.
O projeto estético, desenvolvido por Alberto Pitta em parceria com o artista visual Luis Guimarães, aposta em múltiplas camadas visuais e traz como destaque uma ala inspirada nas guerreiras do exército do Daomé, reforçando o protagonismo feminino na história africana — um elemento ainda pouco difundido no imaginário popular brasileiro.
Criado em 1998, o Cortejo Afro reúne cerca de 2.500 integrantes nesta edição e integra a programação do Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo da Bahia que fortalece entidades de matriz africana nos principais circuitos da festa. Para o turismo, o impacto é evidente: o Carnaval de Salvador se consolida como experiência cultural profunda, atraindo visitantes interessados não apenas na folia, mas na conexão com a ancestralidade e a história afro-atlântica.
As informações desta publicação têm como fonte a Ascom Secult BA.
https://jequiereporter.com/
0 comments:
Postar um comentário