Empresas de fachada e desvio de R$ 12 milhões: entenda esquema que colocou prefeitos da Bahia na mira da PF

O esquema que fez os prefeitos Dr. Pedrinho, de Encruzilhada e Dona Nilda, de Poções, ambos filiados ao PcdoB, contava com empresas de fachada e teria desviado R$ 12 milhões dos cofres públicos.
De acordo com investigação da Polícia Federal (PF), contratos de terceirização de mão de obra financiados com recursos do FUNDEB, SUS e FNAS e fechados pelos gestores apresentavam graves irregularidades.
“As investigações apontam ausência de estudos técnicos, pesquisa de preços inadequada, majoração indevida de valores contratuais e prestação fictícia de serviços. O prejuízo estimado ao erário ultrapassa R$ 12 milhões”, divulgou a PF.
A partir dos contratos, segundo informações de policiais, investigadores descobriram uma estrutura criminosa organizada que atuava em diversos municípios baianos. O grupo utilizava empresas de fachada e familiares como intermediários financeiros.
O uso de parentes foi detectado por conta de movimentações bancárias atípicas e ocultação patrimonial para viabilizar os desvios e a lavagem de dinheiro. Ao todo, 25 mandados são cumpridos em Poções, Encruzilhada, Barreiras e Vitória da Conquista.
A operação, batizada de Intercessor, é deflagrada em ação conjunta da PF com a Controladoria-Geral da União (CGU) e emprego de 68 policiais federais e 13 auditores da CGU. Os crimes são investigados entre os anos de 2021 e 2023.
Os crimes apurados incluem organização criminosa, peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e crimes contra a legislação trabalhista, cujas penas máximas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Prisão de ex-prefeito de Poções
O ex-prefeito de Poções, Otto Wagner Magalhães, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo na manhã desta quinta-feira (23), durante a operação Intercessor, da Polícia Federal (PF) e Controladoria Geral da União (CGU).
Otto Wagner é marido da atual prefeita de Poções, Dona Nilda (PCdoB), que também é alvo da investigação. Segundo a PF, o prejuízo causado aos cofres públicos ultrapassa R$ 12 milhões. As suspeitas apontam que os crimes ocorreram entre 2021 e 2023, período em que Otto Wagner ocupava o cargo de chefe de gabinete da prefeitura. Ele já havia sido prefeito de Poções entre 2013 e 2016.
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