Entenda o plano de Sampaoli para anular o "Dinizismo" na primeira decisão
Flamengo foi superior nas duas etapas e teve 15 finalizações, mas não conseguiu furar a defesa do Flu com um a mais
Os números do jogo não mentem: o Flamengo foi muito melhor do que o Fluminense no primeiro duelo da Copa do Brasil, que terminou em 0 a 0.
Fluminense 0 x 0 Flamengo - Melhores Momentos - jogo de ida das oitavas da Copa do Brasil
O Fla teve a bola por 55% do jogo e finalizou 18 vezes, sendo 5 delas no gol. O time também teve mais desarmes (17x11) e duelos aéreos ganhos (10).
Números que mostram a bola leitura de Jorge Sampaoli para enfrentar o time que é verdadeira sensação no ano e teve uma noite irreconhecível antes da expulsão de Felipe Melo, na segunda etapa.
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Jorge Sampaoli, técnico do Flamengo — Foto: André Durão
Como sempre faz, Sampaoli surpreendeu na escalação recheada de meias. O Flamengo jogou num 4-4-2 com Gabigol e Arrascaeta no ataque e uma linha de quatro meias formada por Éverton na direita, Pulgar e Maia por dentro e Gérson pelo lado esquerdo. Confira a imagem abaixo:
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Flamengo jogou num 4-4-2 contra o Fluminense — Foto: Reprodução
Ter jogadores com mais combate no meio fez a diferença.
O Flamengo ganhou o meio-campo no jogo. Foi mais fisicamente intenso, mais rápido e conseguia anular os passes curtos do "Dinizismo" com um plano bem claro: deixar Erik Pulgar mais livre para encostar em quem tivesse a bola do outro lado. Ora era André, ora era Lima e até Ganso. Se um desses três tocassem na bola, Pulgar saía correndo para frente e pressionava para não deixar jogar. Veja na imagem:
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Pulgar: a chamada subida de pressão do volante fez a diferença — Foto: Reprodução
Todos os jogadores entraram com a intenção de não deixar o adversário sair e podiam usar faltas para tal. Não é antijogo, falta é recurso do jogo. Toda vez que o Flu saía da pressão e achava um passe livre, a solução do Fla era parar a jogada. Além de aliviar fisicamente o ritmo da correria, tirava o raciocínio do adversário. Foram 23 faltas contra 5 do Flu.
Outro ponto no qual o Flamengo se deu bem foi na pressão na saída curta do Fluminense. Marcelo não conseguia sair com qualidade e acabou substituído. O mesmo com Samuel Xavier. A estratégia usada foi sempre dobrar a marcação em quem estivesse com a bola no Flu. Isso diminuía o tempo de ação do rival para não deixá-lo passar para frente.
Aqui um exemplo em Marcelo: você vê Lima e Pirani se aproximando, mas Ganso está marcado e Marcelo tem dois marcadores. Uma verdadeira teia.
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Flamengo dobra a marcação no homem da bola — Foto: Reprodução
O Flamengo não conseguiu converter todo esse domínio em gol na primeira etapa. E apesar de anulado, o Fluminense soube se defender muito bem na segunda etapa com um a menos. Chega a ser até surpreendente um time de Diniz ficar se defendendo, mas a circunstância do jogo obrigou o Flu a mostrar mais suas ideias de defesa.
Com uma linha de quatro bem alinhada na área e Ganso e Arias pelos lados, o Flu ocupou bem a área e criou o que Sampaoli chamou de "densidade" por dentro. Mesmo com a entrada de Éverton Cebolinha, o Fla não conseguiu chegar de fato no gol e teve muito domínio da bola, mas poucas chances realmente criadas.
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Defesa do Flu conseguiu impedir um domínio ainda maior — Foto: Reprodução
Uma defesa forte para não levar gols é o que o Fluminense tira da decisão, além da igualdade no placar que coloca tudo ou nada no jogo de volta.
Mas mudar será preciso para enfrentar um Flamengo mais calejado e que mostrou uma estratégia surpreendente para colocar seu rival em condições pouco vistas no ano de 2023.
https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2023/05/17/entenda-o-plano-de-sampaoli-para-anular-o-dinizismo-na-primeira-decisao.ghtml?fbclid=IwAR0d9teNPjNoidmt6rEvGSEQIYPvRvX8LlGh3lko5eA-lQEFbjnBBYrCo0g
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Por Leonardo Miranda
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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