As ideias táticas e como jogam os times de Jorge Sampaoli, novo treinador do Flamengo
Argentino é conhecido por seguir um estilo de jogo ofensivo e com valorização da posse de bola.
O Flamengo tem novo técnico: Jorge Sampaoli.
O argentino firmou acordo até o fim de 2024 e deve chegar ao Rio ainda neste fim de semana.
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Jorge Sampaoli, técnico do Sevilla, reclama da Copa ser realizada no meio da temporada europeia — Foto: REUTERS
O nome virou consenso entre os dirigentes após os resultados recentes e a incerteza pelo futuro de Jorge Jesus. Era também desejo antigo do presidente Rodolfo Landim, que é entusiasta do treinar e já tentou contratá-lo em outras oportunidades. O estilo de jogo e o temperamento enérgico foram vistos como ideais para esse momento.
Dentro de campo, suas equipes são conhecidas pela postura avançada, um alto volume de chances criados e muita movimentação, predicados que agradam muito o flamenguista.
O argentino é seguidor da mesma filosofia de treinadores como Pep Guardiola e Johan Cruyff, o chamado "Jogo de Posição"
Nesse estilo, o time se espalha em campo a partir da posição da bola no campo. Não é algo estático, porque todo mundo se movimenta. O que muda é que alguns jogadores esperam um pouco mais no lugar para receberem a bola. A lógica que une tudo isso é a criação de vantagens: situações em que algum jogador se livra do adversário e aparece livre.
Quem explica é o próprio Sampaoli, numa palestra épica para a CBF:
Sampaoli gosta de dividir o campo em três zonas: zona de alerta, zona de conforto e zona de definição, ou zona de finalização. É como se você pintasse o campoem três faixas e colocasse algumas orientações do que cada jogador deve fazer em cada uma dessas faixas.
As movimentações acontecem para gerar superioridade numérica dentro de cada zona. Superioridade numérica é ter mais jogadores do Flamengo do que do adversário em cada pedaço de campo.
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As três zonas de jogo para Sampaoli — Foto: CBF
Na imagem abaixo, você vê dois zagueiros criando superioridade numérica na zona de alerta. Só que a zona de conforto tem cinco jogadores do Avaí contra quatro do Santos.
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Santos com a bola na "zona de alerta" — Foto: Leonardo Miranda
O que acontece é que os jogadores que estão sem a bola precisam se movimentar no setor menos preenchido para que ele tenha mais gente que o adversário. É o que Pituca faz aqui: ele lê o jogo, interpreta a necessidade de ocupar e se movimenta para que o Santos tenha mais jogadores na zona de conforto.
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Santos indo para o campo de ataque — Foto: Leonardo Miranda
As zonas de campo não são estáticas. O nome "Jogo de Posição" causa muita confusão, porque parece que alguns jogadores ficam parados o tempo todo. Só que eles se movimentam sempre, especialmente sem a bola.
Outro ponto que Sampaoli gosta é que o time seja mais direto e passe direto para o ataque. Veja que aqui, não tem ninguém livre na zona de alerta e na zona de conforto. Mas lá na zona de definição, o Soteldo está bem aberto na ponta esquerda, livre para receber a bola. O zagueiro rapidamente lê isso e dá um lançamento para o jogador, o único em algum tipo de superioridade no time inteiro.
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Santos indo para a zona de definição — Foto: Leonardo Miranda
Quem no elenco combina e não combina com o estilo do treinador?
Agora que você conhece o estilo, é hora de entender o elenco do Flamengo e ver quem pode se dar bem ou não com Sampaoli.
O treinador gosta muito de jogar com dois pontas bem abertos. Ele entende que esses pontas, na maioria das vezes, são os jogadores livres que podem receber a bola no ataque e partir para cima. NO elenco do Fla,
- Éverton Cebolinha teve eus melhores momentos no Grêmio e na Seleção foi como um ponta que busca o setor do lateral e espera a bola para driblar ou cruzar.
- Marinho foi bem com Sampaoli e com Cuca no Santos jogando dessa forma
- Bruno Henrique não vai tão bem assim. Não é um "ponta" tradicional, ele joga do lado para dentro. Após sua lesão, deve voltar com menos explosão, o que faz com que ele precise acionar um jogo mais associativo.
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Everton Cebolinha Flamengo x America-MG — Foto: Gilson Junio/AGIF
Outra característica de Sampaoli é gostar de laterais que se movimentam por dentro e virem meias com a bola.
- Filipe Luís tem um potencial imenso de se tornar esse "lateral interior", e inclusive motivou Rogério Ceni a posicioná-lo assim em alguns jogos durante o ciclo de 2020/21.
- Varela, Matheusinho e Ayrton Lucas não tem essa característica. São laterais de resistência e corrida nos corredores, algo que Sampaoli gosta que os extremos façam. Mas podem ser adaptados ao estilo.
Já sobre os meias, o elenco do Fla oferece diferentes possibilidades:
- Éverton Ribeiro é o tipo de meia que Sampaoli gosta de colocar como meia-volante num 4-3-3. Um jogador que vai se movimentando nas zonas para pensar o jogo. O espetacular 2022 com Dorival foi assim, na meia-direita
- Gérson teve seu melhor momento na França com Sampaoli. Mas jogou aberto pelo lado direito, como um ponta que circulava mais para dentro. Sampaoli entende que Gérson precisa melhorar seu jogo sem a bola para ser esse papel.
- Vidal dispensa comentários. Titular no Chile com Sampaoli, deve ser um dos jogadores a ganhar a vaga como titular.
- Arrascaeta é um meia de associação, que por conta dos problemas físicos, vem perdendo um pouco de explosão e tá cada vez mais como ponta-de-lança, entrando na área, buscando segundas bolas. Recua, toca e se lança para o gol. Pode perder espaço.
E Pedro e Gabigol? Aí entra um dilema grande pro Sampaoli, se vir, e pra qualquer um. Dá pros dois jogadores juntos? Sim! O time vai sofrer um pouco na marcação? Vai! Os jogos ruins do Dorival no Brasileirão mostraram um pouco disso. A questão é que, para Sampaoli, é um ou outro.
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Jorge Sampaoli durante Fenerbahçe x Sevilla — Foto: REUTERS
Com trabalhos de muita qualidade em campo, uma didática absurda no treino (elogiado por diversos jogadores), uma comissão técnica completa e afiada, Sampaoli é certeza de bom futebol. A questão não é tática. É mais humana.
O Flamengo está disposto a entregar a chave do cube a um treinador conhecido por exigir demais, pedir reforços toda hora, brigar com muita gente e provocar demissões de profissionais queridos por onde passa? Tudo com o risco de sair no fim da temporada?
Questões para o clube pensar e repensar. Conhecendo o Flamengo e Jorge Sampaoli, será um casamento com muita emoção.
https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2023/04/15/as-ideias-taticas-e-como-jogam-os-times-de-jorge-sampaoli-novo-treinador-do-flamengo.ghtml?fbclid=IwAR2pMlhLJmHfoT_SwDw7_OKSWZ7gU5txriuD-d1JqfhLFU6aCCSGSLP4lnA
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Por Leonardo Miranda
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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