quinta-feira, 13 de abril de 2023

Aproximações e Marcelo como articulador: como o Dinizismo se impôs em Lima

 

Fluminense faz grande exibição e vira jogo após primeiro tempo com Marcelo participativo e muitas jogadas de aproximação

 

Por Leonardo Miranda

Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol


Uma noite para deixar o torcedor do Fluminense cheio de orgulho. Foi assim a vitória do Tricolor sobre o Sporting Cristal, por 3 a 1, na estreia da Libertadores de 2023.

O jogo teve tudo o que o torcedor se acostumou a ver desde a chegada de Fernando Diniz: um time que joga de forma extremamente ofensiva, muita movimentação, gols de Germán Cano. E ainda viu Marcelo, em seu primeiro jogo após a volta ao clube, dar um passe decisivo.

Lateral Marcelo e Arias em ação pelo Fluminense — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

Lateral Marcelo e Arias em ação pelo Fluminense — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

Com a grande contratação do ano em campo, Diniz mudou a escalação. Puxou Alexsander para o meio, para compor uma dupla de volantes com André pno 4-2-3-1 de sempre. A linha de meias foi formada por Keno, Ganso e Arias, o trio titular do ano.

Sporting Cristal x Fluminense - Melhores Momentos

As movimentações no ataque (quando o Flu tinha a posse de bola) seguiram o padrão de sempre: Cano ficava mais fixo na frente, pronto para receber a bola e definir, e a dupla de zaga se mantinha atrás. O resto do time tinha liberdade para se movimentar, aproximar e tocar curto.

Essa liberdade de movimentação não é tão livre assim. Os jogadores não fazem o que dá na telha e pronto. Eles se movimentam com o intuito de criar aproximações para o companheiro que está com a bola nos pés. Desse jeito, o toque fica mais curto (mais fácil de acertar) e o time vai mantendo a bola sob controle.

Veja um exemplo aqui: Marcelo aparece pela esquerda. Quem está perto faz o que? Aproxima, de costas para o gol e o pé dominante virado para o jogador. Tudo isso é chamado de "apoio" no tatiquês. Perceba que Arias saiu lá do outro lado para ajudar nesse jogo ultra-apoiado.

Marcelo entrou no carrossel e fez parte das aproximações de Diniz — Foto: Reprodução

Marcelo entrou no carrossel e fez parte das aproximações de Diniz — Foto: Reprodução

André na cobertura para Marcelo pensar o jogo

Cano tem característica de definição. Dá poucos toques na bola e não contribui tanto para a construção da jogada. Por isso fica um pouco mais restrito na frente. Já André, um dos destaques do Fluminense, mudou um pouquinho a forma de jogar para a entrada de Marcelo.

Ele muitas vezes dava cobertura na saída de bola. Em alguns momentos, fazia uma linha de três com os zagueiros e Felipe Melo subia bastante pelo lado esquerdo. O intuito era deixar Marcelo numa zona mais central para a aproximação com Ganso e Arias ficar mais simples, com menos território a correr.

André dava cobertura para Marcelo apoiar por dentro — Foto: Reprodução

André dava cobertura para Marcelo apoiar por dentro — Foto: Reprodução

Lima é uma cidade incrível e com praia. Mas jogar lá não é fácil. A viagem cansativa fez o Fluminense amplificar a ideia de controlar o jogo com a posse de bola. Até por isso, o domínio após o gol do Sporting Cristal foi imenso e deu para ver uma série de trocas de posições: tanto a saída de três com André, como Marcelo pelo meio, nada disso era fixo.

O que era fixo e é uma constante no trabalho de Diniz é um time sempre próximo da bola. Veja, na imagem, que Samuel Xavier e Marcelo ficam como laterais, mas se aproximam do centro (já que André está com a bola), assim como Alexsander. Se Ganso estivesse mais recuado, alguém trocaria de posição com ele.


Marcelo: estreia como lateral mais apoiador — Foto: Reprodução

Marcelo: estreia como lateral mais apoiador — Foto: Reprodução

Veja um exemplo dessas trocas: a mesma saída de três acontece aqui. Com Samuel Xavier avançado, é Aleksander que aproxima e teoricamente ocupa seu lugar em campo.

Mais trocas de posição no Fluminense: domínio no Sporting Cristal — Foto: Reprodução

Mais trocas de posição no Fluminense: domínio no Sporting Cristal — Foto: Reprodução

O Dinizismo é um grande carrossel com apoios e trocas de posição seguindo um padrão até que bem rígido: gerar passes curtos e fáceis de serem feitos para o companheiro.

O treinador já disse que ele enxerga essa tática como uma forma de gerar companheirismo no elenco. Se você já jogou pelada com os amigos e ninguém passava a bola (talvez por conta do seu nível técnico), sabe como é legal ser protagonista e poder fazer alguma jogada, nem que seja por poucos segundos. É o que Diniz quer com seu grupo de jogadores. Pelo menos na estreia da Libertadores, fora de casa, deu certo.


Por Leonardo Miranda

Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol


https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2023/04/06/aproximacoes-e-marcelo-como-articulador-como-o-dinizismo-se-impos-em-lima.ghtml?fbclid=IwAR31UhnKw1EZ1InCVOE5yAO4wO3CwAwd1n8mt_8sMXnfuvaW64OSf6PWJ5s

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