Pochettino, Messi e o dilema tático do PSG
Paris Saint-Germain venceu o City em jogo que sofreu e contou com golaço de Messi. Para o bem e para o mal, foi uma difícil escolha jogar assim
É muito sedutor achar que um time com Messi, Mbappé e Neymar vai vencer e atropelar quem passe pelo seu caminho. A vitória do PSG sobre o Manchester City por 2 a 0, pela 2ª rodada de grupo da Liga dos Campeões, mostra que não é bem assim.
O jogo esteve longe de ter superioridade do PSG, que finalizou 6 vezes e acertou 3 chutes. Números que qualquer pessoa acharia pouco para um elenco tão estrelado. O domínio, da bola e do jogo, foi do City: 56% de posse, 18 finalizações e sete defesas difíceis de Donnarumma, o melhor do primeiro tempo. Com direito a duas bolas inacreditáveis na trave.
Messi, Neymar e Mbappé, de mãos dadas, cumprimentam torcida do PSG após vitória sobre o Manchester City — Foto: Matthias Hangst/Getty Images
Falando assim, pode parecer um problema. Mas o Manchester City foi muito mal no segundo tempo e permitiu diversas chances de contra-ataque. Mais precisamente, foram 13 vezes em que PSG recuperou a bola em seu campo de defesa (a maioria delas com Verratti) e acionou o trio da foto acima numa situação favorável, com espaço e poucos adversários.
Em uma delas, a bola entrou. Do jeito que só Messi sabe fazer.
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O contraste de sensações no que você leu acima mostra que Mauricio Pochettino vive um dilema tático no Paris Saint-Germain. Na medida que tem seu trabalho questionado pela falta de domínio que um elenco tão poderoso sugere, ele sinaliza que a melhor forma de encaixar o trio (não a única), mas a forma que melhor deixa os talentos tão à vontade é com um time muito mais vertical do que se imaginava.
Com a bola: tabelas rápidas e movimentação do trio
Uma equipe vertical não é, necessariamente, um time de contra-ataque. Um time vertical é aquele que prioriza uma posse de bola que sempre vai para frente, em direção ao gol. Mas há momentos de pausa, onde todos avançam e vão tocar bola lá no campo de ataque. Esse momento, que tem o nome de "ataque posicional", é bem organizado no PSG: laterais abertos, Verratti fazendo a saída de três e total liberdade de ocupação de espaço para o trio.
Para fazer com que mais jogadores fiquem nos espaços vazios, Pochettino sinaliza que Gueye é o volante que "troca" de posição. Se Messi recua para buscar a bola, ele avança no espaço deixado. Acontece o mesmo com Neymar e menos com Mbappé, que é o centroavante de fato do time.
PSG com a bola: Verratti começa o jogo lá de trás e o trio se movimenta — Foto: Reprodução
Mauricio Pochettino Pep Guardiola PSG x Manchester City — Foto: Benoit Tessier
Mauricio Pochettino é um bom técnico e não merece a chuva de críticas que recebe quando o PSG não joga bem. É fácil achar que um time com Messi, Mbappé e Neymar vai decolar. Mas o jogo é mais que isso: é dinâmica, é ocupação de espaço, é a forma como um time gere os problemas.
No caso do PSG, uma forma que coloca Pochettino num dilema sem solução simples.
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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