quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Pochettino, Messi e o dilema tático do PSG

 

Paris Saint-Germain venceu o City em jogo que sofreu e contou com golaço de Messi. Para o bem e para o mal, foi uma difícil escolha jogar assim

 

É muito sedutor achar que um time com Messi, Mbappé e Neymar vai vencer e atropelar quem passe pelo seu caminho. A vitória do PSG sobre o Manchester City por 2 a 0, pela 2ª rodada de grupo da Liga dos Campeões, mostra que não é bem assim.

O jogo esteve longe de ter superioridade do PSG, que finalizou 6 vezes e acertou 3 chutes. Números que qualquer pessoa acharia pouco para um elenco tão estrelado. O domínio, da bola e do jogo, foi do City: 56% de posse, 18 finalizações e sete defesas difíceis de Donnarumma, o melhor do primeiro tempo. Com direito a duas bolas inacreditáveis na trave.

Messi, Neymar e Mbappé, de mãos dadas, cumprimentam torcida do PSG após vitória sobre o Manchester City — Foto: Matthias Hangst/Getty Images

Messi, Neymar e Mbappé, de mãos dadas, cumprimentam torcida do PSG após vitória sobre o Manchester City — Foto: Matthias Hangst/Getty Images

Falando assim, pode parecer um problema. Mas o Manchester City foi muito mal no segundo tempo e permitiu diversas chances de contra-ataque. Mais precisamente, foram 13 vezes em que PSG recuperou a bola em seu campo de defesa (a maioria delas com Verratti) e acionou o trio da foto acima numa situação favorável, com espaço e poucos adversários.

Em uma delas, a bola entrou. Do jeito que só Messi sabe fazer.

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O contraste de sensações no que você leu acima mostra que Mauricio Pochettino vive um dilema tático no Paris Saint-Germain. Na medida que tem seu trabalho questionado pela falta de domínio que um elenco tão poderoso sugere, ele sinaliza que a melhor forma de encaixar o trio (não a única), mas a forma que melhor deixa os talentos tão à vontade é com um time muito mais vertical do que se imaginava.

Com a bola: tabelas rápidas e movimentação do trio

Uma equipe vertical não é, necessariamente, um time de contra-ataque. Um time vertical é aquele que prioriza uma posse de bola que sempre vai para frente, em direção ao gol. Mas há momentos de pausa, onde todos avançam e vão tocar bola lá no campo de ataque. Esse momento, que tem o nome de "ataque posicional", é bem organizado no PSG: laterais abertos, Verratti fazendo a saída de três e total liberdade de ocupação de espaço para o trio.

Para fazer com que mais jogadores fiquem nos espaços vazios, Pochettino sinaliza que Gueye é o volante que "troca" de posição. Se Messi recua para buscar a bola, ele avança no espaço deixado. Acontece o mesmo com Neymar e menos com Mbappé, que é o centroavante de fato do time.

PSG com a bola: Verratti começa o jogo lá de trás e o trio se movimenta — Foto: Reprodução

PSG com a bola: Verratti começa o jogo lá de trás e o trio se movimenta — Foto: Reprodução 



Mauricio Pochettino Pep Guardiola PSG x Manchester City — Foto: Benoit Tessier

Mauricio Pochettino Pep Guardiola PSG x Manchester City — Foto: Benoit Tessier

Mauricio Pochettino é um bom técnico e não merece a chuva de críticas que recebe quando o PSG não joga bem. É fácil achar que um time com Messi, Mbappé e Neymar vai decolar. Mas o jogo é mais que isso: é dinâmica, é ocupação de espaço, é a forma como um time gere os problemas.

No caso do PSG, uma forma que coloca Pochettino num dilema sem solução simples.



Por Leonardo Miranda

Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol 


https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2021/09/28/pochettino-messi-e-o-dilema-tatico-do-psg.ghtml?fbclid=IwAR2Htfrxx2TDaVP6mAdiNfWtfDkkmmaqkQvMxboKOoH7IJsJ0jvjJmtlJ_U

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