Tite sinaliza que prioridade da Seleção é aprimorar a construção e acabamento das jogadas ofensivas
Convocações de Matheus Cunha, Bruno Guimarães e as surpresas Claudinho e Raphinha mostram que treinador que atletas que se movimentem e ajudem Neymar no papel de criação
Tite convocou a Seleção Brasileira para a rodada tripla das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 com seis campeões olímpicos, duas estreias e uma prioridade: aprimorar a construção das jogadas no meio-campo e acabamento delas até o gol adversário.
É o que indica as convocações de Claudinho, do Zenit, a grande surpresa de Raphinha, um dos bons nomes do Leeds de Marcelo Bielsa, além de Matheus Cunha, outro campeão olímpico. Apesar de terem características diferentes, os três se movimentam no mesmo setor em campo. É diferente de Douglas Luiz ou Vinícius Júnior, ausências sentidas na lista.
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Tite anunciou lista de convocados da seleção brasileira para jogos das Eliminatórias — Foto: Lucas Figueiredo / CBF
A escolha dos três visa corrigir o grande problema que o time principal tem atualmente: o acabamento das jogadas até o gol. Para entender, é preciso considerar que fazer gols é um processo. Uma engrenagem que, para Tite, tem três fases bem definidas: iniciação, construção e acabamento.
Tite sinalizou que está satisfeito com a primeira parte, chamada de "iniciação". O técnico prefere que o lateral direito circule mais por dentro e faça uma dupla junto aos dois volantes. São eles que devem levar a bola dos zagueiros até os meias. Bruno Guimarães e Daniel Alves, que fez tão bem essa função em 2019, qualificam essa fase.
É quando a bola chega entre o círculo central e a grande área que Tite identificou o problema. Após a bola chegar aos volantes, o técnico quer que dois ou três jogadores do pelotão ofensivo se movimentem entre as linhas e oferecem uma linha de passe ao jogador com a bola. Mas não só isso. É preciso que esses atacantes também voltem e busquem a posse lá de trás, como Neymar faz no lance. Veja que, na frente dele, Richarlison e Paquetá dão essa opção.
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Tite convocou jogadores que ocupam o mesmo setor que Paquetá, Neymar e Richarlison ocuparam na Copa América — Foto: Reprodução
Essa movimentação é fundamental para abrir espaço na defesa. Quando o jogador que está no espaço livre recebe a bola, ele acaba "confundindo" a marcação. O zagueiro do outro lado não sabe se fica parado ou se avança e tenta dar o bote. É nesse momento que a defesa se desorganiza e o Brasil pode avançar até chegar ao gol.
O problema acontece quando apenas Neymar procura o espaço livre para receber a bola e dar prosseguimento ao jogo. Essa dependência foi vista na final da Copa América, quando a marcação da Argentina apertou e Ney precisou buscar mais a bola. O espaço na frente dele, justamente a entrelinha, não era ocupado por ninguém. Veja o exemplo.
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Setor de construção das jogadas ficou muito vazio na final da Copa América — Foto: Reprodução
Claudinho, Raphinha e Matheus Cunha podem não apenas ocupar esse setor. Eles podem dividir com Neymar a função entre quem busca a bola e quem se posiciona para receber o passe. Em termos táticos, enquanto um dá apoio e se aproxima de Fred e Guimarães, um outro dá profundidade: avança, incomoda os zagueiros e ajuda a criar espaço na frente do gol.
Tite já sabia disso mesmo antes da Copa América. Durante a competição, foram várias as tentativas de melhorar o processo de transformar a posse de bola em gols. Primeiro, com Éverton Ribeiro contra o Peru. Depois, com Paquetá contra o Chile. Os dois foram convocados, ainda que foram inconstantes nesse papel de auxiliar Neymar na criação.
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Éverton Ribeiro mudou o jogo contra o Peru fazendo essa função — Foto: Reprodução
O técnico inclusive citou um texto desse blog ao explicar a convocação de Matheus Cunha no lugar de Douglas Luiz. LEIA AQUI.
Vamos procurar melhorar o processo criativo, para que em alguns momentos ele possa ser de um futebol mais brilhante e mais vistoso. Se dizemos que precisamos de jogadores mais criativos na meia-direita, meia-esquerda, onde as jogadas acontecem de forma decisiva, precisamos fomentar esses jogadores para que possam produzir. É ali na zona 14, o espaço do 8 e do 10.".
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A preferência por jogadores que ocupem a zona 14 explica a entrada de Éverton Ribeiro, a ausência de Gérson e de Pedro, do Flamengo. Tite o considera, com razão, um jogador mais de área. Papel que Richarlison fez bem, com gols, na Copa América e nas Olimpíadas, e por isso, merece o posto de titular:
Eu não comparo o Cunha com Pedro. Cunha é um nove híbrido. Jogou ao lado do Richarlison que era o 9. Mas o Pedro é mais de área, mais fixo, mais pivô. Cunha te dá essa versatilidade. É um jogador em crescimento. Em cinco, seis meses esses jovens podem crescer de maneira extraordinária. - Tite
No final das contas: uma convocação extremamente coerente, com um motivo para a entrada e ausência de qualquer nome que você tenha em mente.
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Por Leonardo Miranda
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
https://ge.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2021/08/13/tite-sinaliza-que-prioridade-da-selecao-e-aprimorar-a-construcao-e-acabamento-das-jogadas-ofensivas.ghtml?fbclid=IwAR2RgyioMHqTvj8X2UpoQ80UOigRfJJkjfsP9adKK9iDTe9LIpnWXN3uX3c
Matheus Cunha no lugar de Douglas Luiz. LEIA AQUI.
Vamos procurar melhorar o processo criativo, para que em alguns momentos ele possa ser de um futebol mais brilhante e mais vistoso. Se dizemos que precisamos de jogadores mais criativos na meia-direita, meia-esquerda, onde as jogadas acontecem de forma decisiva, precisamos fomentar esses jogadores para que possam produzir. É ali na zona 14, o espaço do 8 e do 10.".
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A preferência por jogadores que ocupem a zona 14 explica a entrada de Éverton Ribeiro, a ausência de Gérson e de Pedro, do Flamengo. Tite o considera, com razão, um jogador mais de área. Papel que Richarlison fez bem, com gols, na Copa América e nas Olimpíadas, e por isso, merece o posto de titular:
Eu não comparo o Cunha com Pedro. Cunha é um nove híbrido. Jogou ao lado do Richarlison que era o 9. Mas o Pedro é mais de área, mais fixo, mais pivô. Cunha te dá essa versatilidade. É um jogador em crescimento. Em cinco, seis meses esses jovens podem crescer de maneira extraordinária. - Tite
No final das contas: uma convocação extremamente coerente, com um motivo para a entrada e ausência de qualquer nome que você tenha em mente.
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