Caso Lázaro: “fake news prejudicam operação e moradores”, diz especialista em segurança
27/06/2021

Com a repercussão das buscas por Lázaro Barbosa de Sousa, 32 anos — acusado de cometer crimes no Distrito Federal, no Entorno e na Bahia —, informações falsas têm prejudicado o andamento do caso e gerado mais alarde na população. Levantamento feito pelo jornal Correio Braziliense identificou, ao menos, oito fake news que tiveram grande alcance e, por isso, precisaram ser desmentidas pelas autoridades ou por agências de checagem de fatos. Os boatos começaram a circular depois de o foragido matar três pessoas e sequestrar uma empresária, em 9 de junho. A primeira informação que demandou um posicionamento oficial dizia que o foragido estava morto. Com essa mensagem publicada em diferentes perfis nas mídias sociais, a força-tarefa à frente do caso teve de desmentir o factoide, em 16 de junho. Três dias depois, líderes de grupos religiosos de matriz africana se pronunciaram sobre imagens vinculadas ao caso de Lázaro. Os registros faziam associação entre o criminoso e o que denominaram na internet como “rituais satânicos”. No entanto, as fotos não tinham qualquer relação com a fuga do suspeito e haviam sido tiradas em terreiros durante as buscas na região de Cocalzinho (GO) e Águas Lindas (GO).
Para o specialista em direito penal e constitucional, Acacio Miranda da Silva Filho a dimensão do problema das fake news [que ainda não há criminalização prevista em lei] e até de brincadeiras na internet, é maior do que se pode imaginar: “Os trotes trazem custos e oneram o Estado. Para negar essas informações falsas, despendem-se tempo e buscas, pois as autoridades são tiradas (das responsabilidades) do dia a dia. Além disso, a população precisa entender que, com a divulgação dessas informações imprecisas, acaba contribuindo para a criminalidade, ainda que indiretamente”.
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