A televisão catapultou o negocio futebol para o proverbial outro patamar
12/ago/2020 . 10:46
Globo Esportes
Todo produtor de sorvete precisa que seu produto chegue ao consumidor. Alguém – seja empregado ou contratado – leva o pote gelado até a sorveteria. Assim também funciona o futebol: os jogos (sorvetes) precisam de transporte (produção) para chegar no sorveteiro (distribuição). Antes da TV, o único jeito de chupar picolé era na fábrica (ou no estádio). Muito menos gente apreciava um chicabon – ou via os jogos.
A televisão catapultou o negócio futebol para o proverbial outro patamar. Levar as imagens de um jogo de futebol até o consumidor exige tecnologia. Você precisa produzir o sinal audiovisual, tirá-lo do estádio (através de um caminhão com antena ou fibra ótica) e entregá-lo para plataformas de distribuição. Em todos os casos há intermediários. Em nenhum existe almoço gratuito.
O intermediário vende conveniência. Ele precifica transporte e localização – para que você possa tomar sorvete na esquina, na praia ou em casa. Nesse cenário alguns clubes ensaiam acreditar que têm TVs próprias abrigadas no YouTube e no Facebook. Essa visão ignora que a relação com anunciantes e consumidores fica com o distribuidor – e a inteligência de dados também. Acreditar em “TV própria” nesse cenário é como acreditar num picolé de boitatá.
Usar as plataformas como canal de marketing faz sentido – até para morder um ou outro capilé. Mas, nesse jogo, ninguém oferece conveniência por amizade. Google, Facebook, Netflix e Amazon são ameaças ao status quo da mídia tradicional porque atacam seus modelos de negócio (publicidade e assinaturas). Cada um deles tem sua particularidade – e deve seu sucesso a oferecer (ou agregar) serviços inéditos. Todos são ou podem ser intermediários. A diferença é que usam roupa nova com bolso fundo.
Ninguém discute que o futuro da transmissão esportiva inclui o streaming – ou uma transmissão muito diferente da atual. Os ensaios atuais de Twitch e YouTube meramente arranham a superfície do porvir. As possibilidades editoriais, comerciais e sociais que o casamento entre 5G e machine-learning trazem são de outra galáxia. Mas ainda estamos longe disso – em especial no Brasil. Aqui o espectador online ainda sofre. :: LEIA MAIS »
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