Atarde

Com pouca bola rolando por gramados brasileiros, temas extracampo ganharam mais força durante a pandemia do novo coronavírus. Entre esses assuntos está a Medida Provisória (MP) 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em junho. A MP do Futebol, como tem sido chamada, transfere ao mandante da partida o direito de transmissão daquele evento.
A MP 984, como todas as outras, não é uma decisão definitiva até que seja aprovada no Congresso Nacional. Ela é válida inicialmente por 60 dias, com possibilidade de ser prorrogada por mais 60.
Até então, a legislação previa que a transmissão só era possível quando havia acordo entre os dois clubes envolvidos no jogo em questão. Ou seja, uma emissora ou canal de streaming teria que comprar os direitos televisivos de mandante e visitante.
Na nova dinâmica, cada clube fica livre para negociar seus jogos em casa ou até transmiti-los por conta própria. Para Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value e especialista em marketing esportivo, a mudança é boa, mas acontece de forma perigosa para o clubes.
“É algo positivo, o problema é a forma que foi encontrada para alcançar isso. Então, a vantagem é poder falar sobre isso, e a desvantagem é a forma, no meio de uma guerra entre governo e Globo, não é o ideal. Isso pode até afetar todas as outras questões, e os clubes podem acabar perdendo dinheiro”, disse Somoggi, que alertou também para a chance de se criar um abismo ainda maior entre clubes no futebol brasileiro.
“Sim, os clubes com maior potencial podem se distanciar cada vez mais dos clubes menores, que vão ficando para trás até por ter menos estrutura”.
Somoggi tocou em outro ponto importante, ao afirmar que as equipes brasileiras ainda não estão prontas para lucrar com seus produtos em plataformas online, caminho apontado por muitos como o futuro das transmissões esportivas.
“Nenhum clube está preparado para explorar comercialmente seus jogos. Hoje os clubes brasileiros mal sabem monetizar suas redes sociais. Eles estão dando receita para YouTube, Facebook, Instagram, ao invés de ganharem receita com seus conteúdos. Por isso entendo que seja um passo muito arriscado, e que alguns clubes ainda vão sofrer muito por perda de receita de televisão daqui para a frente”, pontuou.
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