sábado, 27 de junho de 2020

PAREDE TEM OUVIDOS...

Parede tem ouvido... Janjão Clemente, compadre da consideração de sêu Derva, vendera uma fazenda de cacau na Patióba. Naqueles idos era comum o povo esconder dinheiro embaixo do colchão ou guardar em algum cofre pesado dentro da camarinha. Pensando ele, ser mais seguro, resolveu variar e enterrar o dinheiro. Matutou durante dias e, acabou escolhendo um local próximo e, defronte a sua casa. Na calada da noite saiu na ponta dos pés, cavucou a terra úmida fazendo um enorme buraco à sombra da galha maior de uma velha Ingazeira, próximo ao antigo e frequentado campo de futebol. Toda tarde ficava por alí, fingindo assistir o jogo de bola, ( esporte pelo qual, aliás, não tinha a menor simpatia) sendo que o pensamento estava mesmo era enterrado junto com as milhares de patacas de Contos de Réis, sob a terra. Num vermelho crepúscular de um fim de tarde qualquer, ouviu atônito da boca de um tagarela, lá dentre a multidão dos que assistiam o futebol: "A gente tem cada sonho besta, pessoal; sonhei alguém vindo a dizer que embaixo dessa Ingazeira há um panelão recheado com dinheiro dentro kkkk". Kelé perdeu a côr, trêmulo e atordoado, não via a hora do sol se pôr... ufa! Lá pras tantas, na calada da noite, quando tudo se aquietou e, depois de muitas cavucadas, revolveu diligente e apavorado a terra, levando pra casa seus pertences. Passado alguns dias comentando o ocorrido: -- "Adurvá, esse menino, deve de ter algum vagante invisível, que tudo escuita e tudo espia; pra 'adispois' sair fofocando as coisas pelos quatro cantos do mundo". João Carlos

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