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No último Dia do Trabalhador, o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, ameaçou demitir jogadores que se recusem a retornar às atividades em meio à pandemia de coronavírus. Após repercussão negativa, o cartola amenizou o tom, afirmando ter se tratado de um “mal-entendido”, e assegurou que o clube gaúcho seguirá “respeitando todas as orientações que preservem a saúde” dos funcionários. Nesta semana, porém, o Inter manteve a programação de retomar treinamentos quase dois meses depois da paralisação. Uma postura que minimiza a exposição a riscos de contaminação dos profissionais envolvidos nos jogos e entoa o lobby inconsequente do Governo Federal pela volta à rotina pré-quarentena, apesar dos casos da doença ainda estarem fora de controle no país.
De acordo com o Inter, jogadores e funcionários serão testados para covid-19 e o acesso ao clube contará com medidores de temperatura. O modelo é semelhante ao adotado pelo Flamengo, que investiu cerca de 100.000 reais para adquirir kits de testagem, que também contemplam as famílias dos atletas. Os dois clubes fazem parte da exceção dos grandes que ostentam condições financeiras para comprar equipamentos de proteção e garantir o cumprimento de protocolos mínimos de segurança. A maioria das equipes no Brasil, sobretudo as que disputam os campeonatos estaduais, interrompidos antes de seu desfecho, amarga uma realidade de dívidas, salários atrasados e estruturas precárias. Essas nuances precisam ser levadas em conta antes de adaptar modelos aplicados em outros países para a retomada do futebol.
Por ora, a referência são os clubes alemães, que retornaram aos treinos há duas semanas. Ainda assim, é necessário muito cuidado ao importar práticas de atividades por grupos em território nacional. O Brasil tem índice de testes para coronavírus 30 vezes inferior ao da Alemanha, menos leitos de UTI e um ritmo acelerado de novos casos, com estatísticas subnotificadas. Enquanto a Alemanha conseguiu frear o número de infectados, a curva brasileira continua em ritmo ascendente, indicando que o pico da pandemia com mais de 7.900 mortes registradas ainda não foi alcançado no país. :: LEIA MAIS »
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