Receita de quase R$ 400 milhões com sócio-torcedor fica ameaçada com quarentena
Super Esportes

Fonte de receita em crescimento e cada vez mais importante para as contas dos clubes, os programas de sócio-torcedor são mais uma atividade em risco diante da paralisação do futebol nacional em função do surto do coronavírus. A crise econômica e a falta de jogos podem acarretar na perda de apoiadores, especialmente porque o acesso aos ingressos é visto como principal motivador para o pagamento das mensalidades.
Esses programas tiveram faturamento total de R$ 390 milhões nos clubes da Série A em 2018. O valor representa um incremento de 42% na comparação a 2014. E quase 8% dos pouco mais dos R$ 5 bilhões dos recursos obtidos por essas equipes há dois anos, segundo levantamento de André Monnerat, diretor de negócios da Feng Brasil, empresa especializada em programas de sócio-torcedor.
Por suas características, a receita dessa iniciativa ganha em importância com o cenário de crise. Afinal, ela é recorrente, entrando no caixa dos times mensalmente. E como na maior parte dos casos o pagamento é anualizado, ainda que com parcelas mensais, permite o uso pelos clubes em momento de baixa no caixa
O desafio para os times é manter essa receita ativa no momento em que outras já caíram, com a saída de alguns patrocinadores, a paralisação no pagamento do contrato pelos direitos de transmissão e também a bilheteria dos jogos. Especialistas comparam esse momento com o período de férias no futebol, mas com dois fatores preocupantes: o baixo engajamento do torcedor em um momento de crise sanitária e a falta de perspectiva sobre quando as competições serão retomadas.
A estratégia a ser adotada neste momento pode ser reforçar o relacionamento com o torcedor, demonstrando sua importância para o sustento do clube, como destaca Gustavo Herbetta, fundador e CEO da agência de marketing Lmid e que já chefiou esse departamento no Corinthians.
“O sócio-torcedor que normalmente já se esforça para manter a sua anuidade em dia, precisa sentir mais do que nunca que o clube o conhece e que ele possui vantagens por se relacionar com o time. Esse é o momento de se unir ainda mais aos patrocinadores e sugerir em conjunto benefícios para a base, porque o sócio é o público alvo da marca também, é esse torcedor que a marca quer converter em prol do seu produto”, afirmou.
Desassociar o programa do ingresso, apostando na paixão, é a alternativa viável para manter os torcedores vinculados financeiramente aos clubes. “A relação do sócio com o clube não pode ser só financeira. É a relação com mais amor que existe. Na Inglaterra,uma pesquisa mostrou que o primeiro motivo para o torcedor ser sócio é para ajudar o time. Depois, para estar ao lado dos amigos, mas aqui é diferente: se é sócio pelo ingresso”, destaca Amir Somoggi, sócio da Sports Value Marketing Esportivo.
E se não há jogos, o confinamento das pessoas em suas residências pode ser usado favor dos clubes para aumentar o engajamento, através de atividades que possam ser exclusivas ao sócio, de relacionamento, como bate-papos com ídolos. “As pessoas estão enclausuradas, dando uma audiência inédita para internet e tevês. Você pode usar a imagem do clube, com um ídolo, em um hangout (modo de conversação pela internet que pode incluir vídeos)”, sugere Somoggi.
Repensar modelos podem ser importante, pois o programa de sócio-torcedor é peça fundamental nas receitas de diversos clubes. O caso mais claro envolve os dois principais times do futebol gaúcho. O Grêmio possui 90 mil sócios ativos, com uma arrecadação de R$ 75 milhões no ano passado. “Temos uma preocupação por ser uma receita importante para o nosso fluxo”, diz o diretor executivo de marketing Beto Carvalho.
Não é diferente com o Internacional, com 125 mil sócios ativos e receita de R$ 90 milhões em 2019. O clube tem sido ativo nas redes sociais, com a divulgação de atividades lúdicas para o torcedor realizar em casa, tentando ampliar a ligação com o público, apostando em seu engajamento para conseguir manter o time fortalecido.
“O quadro social do Inter é muito sólido e engajado. Mas a gente sabe que não é não querer pagar em muitos casos. É não ter para pagar”, diz Nelson Berny Pires, vice-presidente demarketing e mídia do clube, lembrando que há mais de dez anos o time possui mais de 100 mil sócios. “Eles sabem que nós temos nomes como Cuesta e Guerrero no elenco por causa deles”, comenta.
Equipe com maior torcida do Brasil, o Flamengo faturou R$ 61,6 milhões com seu programa no ano passado e já sente o efeito da pausa nas competições. De acordo com levantamento da reportagem do Estado, o clube contava com 120.486 sócios em 24 de março. Já nesta quarta-feira, esse número havia caído para 115.329, como aponta o site do programa “Nação Rubro-Negra”.
http://www.cidadeesportes.com.br/v1/
Fonte de receita em crescimento e cada vez mais importante para as contas dos clubes, os programas de sócio-torcedor são mais uma atividade em risco diante da paralisação do futebol nacional em função do surto do coronavírus. A crise econômica e a falta de jogos podem acarretar na perda de apoiadores, especialmente porque o acesso aos ingressos é visto como principal motivador para o pagamento das mensalidades.
Esses programas tiveram faturamento total de R$ 390 milhões nos clubes da Série A em 2018. O valor representa um incremento de 42% na comparação a 2014. E quase 8% dos pouco mais dos R$ 5 bilhões dos recursos obtidos por essas equipes há dois anos, segundo levantamento de André Monnerat, diretor de negócios da Feng Brasil, empresa especializada em programas de sócio-torcedor.
Por suas características, a receita dessa iniciativa ganha em importância com o cenário de crise. Afinal, ela é recorrente, entrando no caixa dos times mensalmente. E como na maior parte dos casos o pagamento é anualizado, ainda que com parcelas mensais, permite o uso pelos clubes em momento de baixa no caixa
O desafio para os times é manter essa receita ativa no momento em que outras já caíram, com a saída de alguns patrocinadores, a paralisação no pagamento do contrato pelos direitos de transmissão e também a bilheteria dos jogos. Especialistas comparam esse momento com o período de férias no futebol, mas com dois fatores preocupantes: o baixo engajamento do torcedor em um momento de crise sanitária e a falta de perspectiva sobre quando as competições serão retomadas.
A estratégia a ser adotada neste momento pode ser reforçar o relacionamento com o torcedor, demonstrando sua importância para o sustento do clube, como destaca Gustavo Herbetta, fundador e CEO da agência de marketing Lmid e que já chefiou esse departamento no Corinthians.
“O sócio-torcedor que normalmente já se esforça para manter a sua anuidade em dia, precisa sentir mais do que nunca que o clube o conhece e que ele possui vantagens por se relacionar com o time. Esse é o momento de se unir ainda mais aos patrocinadores e sugerir em conjunto benefícios para a base, porque o sócio é o público alvo da marca também, é esse torcedor que a marca quer converter em prol do seu produto”, afirmou.
Desassociar o programa do ingresso, apostando na paixão, é a alternativa viável para manter os torcedores vinculados financeiramente aos clubes. “A relação do sócio com o clube não pode ser só financeira. É a relação com mais amor que existe. Na Inglaterra,uma pesquisa mostrou que o primeiro motivo para o torcedor ser sócio é para ajudar o time. Depois, para estar ao lado dos amigos, mas aqui é diferente: se é sócio pelo ingresso”, destaca Amir Somoggi, sócio da Sports Value Marketing Esportivo.
E se não há jogos, o confinamento das pessoas em suas residências pode ser usado favor dos clubes para aumentar o engajamento, através de atividades que possam ser exclusivas ao sócio, de relacionamento, como bate-papos com ídolos. “As pessoas estão enclausuradas, dando uma audiência inédita para internet e tevês. Você pode usar a imagem do clube, com um ídolo, em um hangout (modo de conversação pela internet que pode incluir vídeos)”, sugere Somoggi.
Repensar modelos podem ser importante, pois o programa de sócio-torcedor é peça fundamental nas receitas de diversos clubes. O caso mais claro envolve os dois principais times do futebol gaúcho. O Grêmio possui 90 mil sócios ativos, com uma arrecadação de R$ 75 milhões no ano passado. “Temos uma preocupação por ser uma receita importante para o nosso fluxo”, diz o diretor executivo de marketing Beto Carvalho.
Não é diferente com o Internacional, com 125 mil sócios ativos e receita de R$ 90 milhões em 2019. O clube tem sido ativo nas redes sociais, com a divulgação de atividades lúdicas para o torcedor realizar em casa, tentando ampliar a ligação com o público, apostando em seu engajamento para conseguir manter o time fortalecido.
“O quadro social do Inter é muito sólido e engajado. Mas a gente sabe que não é não querer pagar em muitos casos. É não ter para pagar”, diz Nelson Berny Pires, vice-presidente demarketing e mídia do clube, lembrando que há mais de dez anos o time possui mais de 100 mil sócios. “Eles sabem que nós temos nomes como Cuesta e Guerrero no elenco por causa deles”, comenta.
Equipe com maior torcida do Brasil, o Flamengo faturou R$ 61,6 milhões com seu programa no ano passado e já sente o efeito da pausa nas competições. De acordo com levantamento da reportagem do Estado, o clube contava com 120.486 sócios em 24 de março. Já nesta quarta-feira, esse número havia caído para 115.329, como aponta o site do programa “Nação Rubro-Negra”.
http://www.cidadeesportes.com.br/v1/
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