segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Preparador de goleiros do Doce Mel comenta sobre sua vasta experiência no futebol

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Eduardo Bahia em entrevista à Romário Henderson.
O experiente preparador de goleiros do Doce Mel Esporte Clube, Eduardo Bahia, conversou com o repórter Romário Henderson, do GIRO, e na oportunidade comentou acerca de sua vasta rodagem no futebol profissional e de sua chegada ao Doce Mel. Confira, abaixo, o bate papo:
Giro: Onde você nasceu e como ingressou no futebol?
– Nasci em Salvador, com 13, 14 anos fui morar no Rio de Janeiro com minha família, lá ingressei nas categorias de base do Flamengo, sou da geração de Djalminha, Junior Baiano, Luiz Antônio, Paulo Nunes… Dizem na gávea que essa foi a segunda melhor geração que o Flamengo teve, tive o privilégio de jogar 8 anos nas divisões de base do Flamengo. Foi aí que começou minha história no futebol. Fui goleiro, e aquela era a melhor escola de goleiros da época, em minha opinião. Foi aí que começou tudo.
Giro: Como foi a convivência com os atletas Djalminha, Paulo Nunes, Leonardo, entre outros, que tiveram carreira consolidada?
– Foi ótimo. O Flamengo me deu um caminho, me orientou não somente dentro, mas fora do futebol também. Tive grandes treinadores, grandes profissionais, pessoas que me ajudaram muito em minha vida pessoal e profissional. Sair de Salvador adolescente pra morar no Rio de Janeiro e jogar num grande clube como o Flamengo, no momento era o time da época, como é hoje, pra mim foi de muita valia, tenho muitas recordações boas. A única coisa que foi triste foi que eu tive duas lesões, no momento de transição das categorias de base para o profissional, rompi os ligamentos do joelho direito, e na minha volta quebrei a perna em dois lugares, tudo isso são sinais da vida, ali eu vi que não era pra ser jogador de futebol.
Giro: Você teve que interromper um sonho. A decisão de parar foi um baque pra você?
– Não tenha dúvida. Foi muito dolorido. Mas ali eu começava a entender um pouco de futebol como negócio. Por exemplo: eu parei em 1991 como atleta e já iniciei em 92 trabalhando como preparador de goleiros do Vitória, treinando Dida, Fábio Costa, Ronaldo Passos, Borjão, enfim. Eu já tinha essa experiência de ver futebol como negócio, gosto muito de trabalhar com futebol, amo o que faço, mas futebol é negócio, você tem que entender de negócio, não só os que mandam no futebol, mas os atletas também precisam entender isso. Para quem está na arquibancada futebol é uma paixão, mas para nós profissionais, temos que estar sempre atentos a tudo que acontece. Hoje estou no Doce Mel, que já é uma realidade do futebol baiano, com uma estrutura ótima, com dirigentes íntegros, capacitados, pessoas de caráter. O clube hoje é gerido por pessoas qualificadas tanto em campo como fora de campo também.
Giro: Como foi a sua transição de atleta para preparador de goleiros e por quais clubes você passou?
– Foi bem natural essa transição. Eu já vinha fazendo essa leitura, e antes de iniciar no Vitória eu fui fazer um estágio no São Paulo, com o professor Waldir Joaquim de Moraes, onde tive a oportunidade de conhecer o Telê Santana e o Moacir Santana, pessoa que trabalhei junto no Atlético PR. Trabalhei 12 anos no Vitória em três passagens, fizemos uma escola de goleiros, revelando Dida, Fábio Costa, Paulo Musse, Juninho, Felipe… Fui para a Ponte Preta, passei no Rio Verde-GO, rodei um pouco, voltei pro Vitória em 2000, ficando até 2007, minha passagem mais longa no Vitória, depois fui pro Atlético PR, Santos, Atlético MG, Sport, voltei pro Vitória, Náutico, Seleção Brasileira sub 17, sub20 e sub 23, fui funcionário da CBF por dois anos e meio, fui pro Bahia, onde revelamos Jean, que hoje está no São Paulo, do Bahia fui pra Arábia Saudita, onde tive uma experiência ótima, em todos os sentidos, espiritual e profissional. Depois voltei pro Náutico e aí depois eu acho que eu errei na minha gestão de carreira, tentando ser treinador. Os erros também fazem parte do aprendizado. Mas em novembro de 2018 um ex-goleiro meu, o Nilson, veio de Portugal e assumiu o Flamengo de Arcoverde e me convidou para ser preparador de goleiros, eu aceitei até por querer voltar a trabalhar como preparador, até porque gosto muito do que faço, e vim para o Doce Mel com muita fome de revelar goleiro. Eu, o Jamilton, junto com a comissão técnica, temos uma equipe muito qualificada para fazer do Doce Mel uma grande escola de goleiros.
Giro: Você diz que foi um erro ter migrado para a função de treinador, mas nessa função você conquistou a Copa Governador do Estado pelo Vitória da Conquista.
– Sim, conquistamos o título invicto, os atletas bastante comprometidos, mas não pretendo mais voltar a essa função, aonde eu não deveria ter ido eu fui, mas graças a Deus eu voltei a minha função de preparador de goleiros, e entendo que o preparador ele é um dos auxiliares do treinador, trabalho muito nesse sentido de agregar, sou muito comprometido na empresa em que eu trabalho, e o Doce Mel é uma empresa, estou muito feliz e orgulhoso em estar aqui, tenho certeza que acertei na escolha de estar aqui.
Giro: Como surgiu o convite para ser funcionário da CBF na condição de preparador de goleiros?
– Quando eu sair do Vitória no final de 2012, o Náutico me fez uma proposta muito boa financeiramente, sem hipocrisia. Depois de dois meses, para minha surpresa, fui trabalhar na Seleção Brasileira Sub 17, disputamos o Sulamericano e conseguimos uma vaga pro Mundial Sub 17 nos Emirados Árabes, em Dubai, e o nosso goleiro era o Marcos Felipe, que hoje está no Fluminense, Deus abençoe a carreira dele. Há 20 anos, quando eu iniciei a minha carreira, eu dizia ao Dida e ao Fábio Costa: nós vamos ter que ir no limite, temos que sonhar muito alto, o sonho tem que ser alto sempre, todos nós vamos chegar à Seleção Brasileira, vocês primeiro e eu depois. Levou 20 anos pra eu chegar. Todo dia que eu saía de casa eu pedia a Deus que me desse saúde e abençoasse o meu trabalho para eu conseguir realizar esse sonho. É o ISO 9001, né, em que você chancela, e eu fico muito orgulhoso disso, sou um cara muito simples, muito humilde, porém eu vejo no futebol as oportunidades das conquistas pessoais e profissionais. Vim pra cá com muita vontade de trabalhar, formar bons goleiros, e ao chegar no Doce Mel, me deparei com uma grata surpresa que é o goleiro Raí, que tem um potencial muito grande, e você vai pra categoria de base e vê o goleiro Geovan, o Felipe e vê muito potencial, então você tem que parabenizar o projeto Doce Mel. O futebol baiano precisa ter uma outra vertente, precisa profissionalizar a sua gestão. Me refiro aos times do interior. Eu já vejo o profissionalismo na gestão do Doce Mel, nas reuniões, nas discussões das escolhas, o professor Luiz Carlos Cruz, um professor muito competente, muito inteligente, com um currículo extenso assim como eu e o Alan Bahia, nós viemos aqui pra agregar, deixar um grande legado, mas se a gente puder ficar aqui por muito tempo, eu queria muito ficar aqui por muito tempo, mas você sabe que futebol é resultado, mas estamos trabalhando pra isso, pra tornar o clube vitorioso e formador também, porque quem forma faz um grande negócio, e eu tenho certeza que as pessoas que fazem gestão no Doce Mel tem esse entendimento e essa linha de raciocínio.
Giro: Sua passagem por vários clubes lhe permitiu trabalhar com diversos treinadores. Cite alguns dos treinadores que você trabalhou?
– Vou citar os que me levaram para os clubes. Comecei com o professor Vanderlei Luxemburgo, no Santos, em 2009, ele foi para o Atlético MG e me levou. Um grande treinador, um dos três melhores do futebol brasileiro. Trabalhei com o Edinho Nazareth, Oswaldo de Oliveira, René Simões, Mazola Junior, mas pra mim, Vanderlei Luxemburgo é o melhor.
Giro: Você foi à Alemanha, conheceu Pep Guardiola, quando este treinava o Bayern de Munique. O que Eduardo Bahia foi fazer na Alemanha?
– Logo depois que o Brasil perdeu a Copa do Mundo de 2014, fui intimado pela CBF a ir para a Alemanha fazer um período de estágio no Bayern de Munique para acompanhar como era feito o trabalho nas categorias de base. Eu chegava 7h e só saía às 19h do clube. Foi muita informação, muita coisa positiva. Mas eu vejo o futebol brasileiro muito rico ainda no trabalho da base e da formação. No projeto Doce Mel tem três grandes profissionais: Mateus Rocha e Mateus Costa, da preparação física, e o Jamilton, preparador de goleiros. O alicerce está muito bem feito. Se você sair desse alicerce e transportar para as categorias de base, o Doce Mel a médio e longo prazo será um revelador de grandes jogadores e grandes talentos, fará grandes negócios. A solução do futebol brasileiro está na base, os grandes jogadores saem da base, os grandes clubes precisam ter uma base sólida e equilibrada para passar para os profissionais.
Giro: O Doce Mel contratou os goleiros Gefferson e Douglas, além de ter renovado com Raí. Você está satisfeito com os goleiros contratados?
– Muito satisfeito. Fui um dos consultados também, o Marcelo, o Adriano e o professor Luiz Carlos me consultaram na vinda do Douglas. Eu tirei informações no Flamengo, onde o Douglas ficou 10 anos nas categorias de base do Flamengo, vem da mesma escola que eu, é um baita profissional, de personalidade forte, um líder positivo. O Gefferson também, fui buscar informações na Paraíba, passou dois anos na base do Bahia, tem um lastro, estou muito satisfeito e orgulhoso com os três goleiros que tenho. Vamos buscar a excelência, o nível de exigência é alto, eu cobro muito, ninguém chega aonde a gente chegou se for bonzinho, infelizmente eu não vim aqui pra fazer amigos, se eu fizer amigos aqui ótimo, mas será de uma forma muito profissional. Todos eles tem entendido isso, que a cobrança é para a melhora, eu quero que no final do Campeonato Baiano o nosso goleiro seja escolhido como o melhor. Eu trabalho nessa linha. Nós que somos nordestinos, temos que trabalhar dobrado, a exigência é muito alta pra nós, então estou muito feliz mesmo de estar aqui no Doce Mel.
Giro: Quem escala o goleiro é o preparador de goleiros? Você sempre teve essa autonomia por onde passou?
– Eu até tinha, até porque tenho muita personalidade, mas sempre quem escala é o treinador. Eu vou dá a minha opinião, 90% foram com a minha opinião, mas o treinador é o que manda. Eu sou um dos auxiliares, logicamente eu vou passar as minhas informações. Eu sempre digo para os meus goleiros: o que eu falo com vocês aqui, eu vou passar para o meu comandante, não tem duas conversas, é papo reto. Tem um ditado que diz: “quem avisa amigo é”. Eu quero ser sempre amigo, alertar a todos das situações, melhoras, evolução, estou muito satisfeito com os três, mas o Raí tem um grande potencial de crescimento mesmo, não é conversa não, estou falando como um profissional que trabalhou com muita gente qualificada como Dida, como Alisson, então quando é bom é bom, quando é ruim é ruim, não tem meio termo. Trabalho sempre assim dessa forma, e graças a Deus sempre tive sucesso, e quero obter esse sucesso aqui também nessa função em que eu gosto muito.
Giro: Qual goleiro do futebol mundial você considera como o melhor do mundo?
– O mundo inteiro elegeu o Alisson como o melhor goleiro do mundo, e eu não vou contra, eles estão certos.
Giro: Por toda a experiência que você tem, por tudo que você tem visto aqui, o que você poderia projetar para o Doce Mel Esporte Clube a médio longo prazo?
– Se o presidente Catalão e o Marcelo quiserem me dar um contrato pra eu assinar aqui por três anos, eu assino com o maior prazer e tranquilidade, porque eu vejo muita coisa positiva e produtiva aqui em Ipiaú através do esporte, do futebol e do Doce Mel Esporte Clube. Tanto o presidente Catalão, o Gerente de futebol Marcelo e o Supervisor Adriano, são pessoas extremamente qualificadas, conhecem futebol, negócio de futebol, e eu vejo o Doce Mel num horizonte muito bom nesse sentido. No futebol você tem que fazer bem o alicerce, então esse título caiu nas mãos certas, estou falando da diretoria, pessoas equilibradas, estruturadas, pessoas que tem conhecimento de futebol. Não são pessoas que caíram de paraquedas, são pessoas que conhecem o produto futebol. Tenho certeza que o Doce Mel vai fazer uma divisão de base muito forte, pra fornecer muitos jogadores não só para o Brasil, mas pra fora do Brasil também, pois a gente percebe a qualidade dos atletas da base do Doce Mel, atletas com grande potencial de crescimento, um trabalho muito bem feito com os Mateus e o Jamilton. Eu vejo que aqui tem muita coisa qualificada e produtiva no mercado do futebol brasileiro e mundial.
O Doce Mel Esporte Clube segue se preparando para a estreia dia 15 de janeiro, contra o Bahia de Feira, pela 1ª rodada do Baianão 2020. (Giro/Romário Henderson)

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