Com Diniz, Daniel Alves reprisa função tática da Seleção, mas falta dinâmica ao São Paulo
Camisa 10 vem jogando de lateral, com liberdade para construir jogadas no ataque. Só que o São Paulo não ajuda ele a ser o protagonista que foi na Copa América.
31/10/2019 10h54
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foto: Marcos Ribolli
Sai Cuca, entra Diniz. Vários fatores explicam a troca de comando técnico no São Paulo, sendo que o principal deles foi a vontade do elenco. Eles queriam trabalhar com um treinador com conceitos europeus de jogo, como marcação por zona, e uma relação mais próxima e fraterna com os comandados. O grupo, cheio de gente com anos de Europa como Juanfran, Hernanes, Pato e Tchê Tchê, se adaptaria com mais facilidade a uma outra ideia de jogo.
Para Daniel Alves, grande líder desse São Paulo, a mudança foi além: significou também o retorno da função que o consagrou na Copa América e antes da Copa do Mundo: a de lateral construtor. Mas fazer a mesma função não significa jogar o mesmo futebol. Não se joga futebol sozinho, e Daniel Alves precisa da mesma dinâmica que seus companheiros de Brasil dão para que ele consiga mostrar todo o potencial quando está no meio-campo - algo que o São Paulo, para o bem e para o mal, só vai ter com tempo de trabalho.
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Daniel Alves Zé Rafael Deyverson Palmeiras São Paulo — Foto: Marcos Ribolli
Um lateral que joga como típico armador no ataque
A função de lateral construtor requer separar o jogo em dois momentos: com a bola e sem a bola. Parece simples, mas muitas vezes o simples é o mais complicado de entender. Quando o time estava com a bola, Daniel Alves tinha liberdade para sair do lado e buscar os companheiros que lhe pediam a bola. Até Luan ficava mais atrás para que ele pensasse o primeiro passe, junto a Tchê Tchê, com aproximações e toques curtos no meio. Veja a imagem abaixo.
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Com a bola, Daniel Alves joga no meio-campo — Foto: Leonardo Miranda
Um jogador da qualidade do Dani ir até o meio-campo fez o São Paulo naturalmente concentrar as jogadas pela direita. Todo mundo buscava aproximar e receber a bola de Dani, o que sabidamente o lateral chama de "função amigo de todos". Dani toca a bola para todo mundo, avança ao ataque e tinha momentos, em especial nos quinze minutos finais do primeiro tempo, que chegava na frente e dava o último passe - aquele toque para a finalização do companheiro.
Esse leque de movimentos tornava Daniel Alves o "dono" do jogo. Se o São Paulo criava a algo, saía dos pés dele.
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O time circula em torno de Daniel Alves — Foto: Leonardo Miranda
No outro momento, o sem a bola, Daniel Alves tinha um comportamento bem diferente. Nada de meio-campo ou amizade: ele fechava espaços na defesa, sempre em linha. Era um defensor, cuja prioridade era combater os avanços de quem frequentava aquele espaço. Na imagem, o Palmeiras ataca quase que dentro da área e podemos ver o São Paulo formando um 4-4-2 na defesa, com Daniel Alves como típico lateral.
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Na defesa, Daniel precisa ser lateral e fechar a linha de defensores — Foto: Leonardo Miranda
Posições e funções nem sempre explicam a atuação de um jogador. Quem vê o São Paulo atacando, diz que Dani é armador. Quem vê defendendo, diz que é lateral. Na verdade, tanto faz - o que está em jogo aqui é a dinâmica, inventada por Pep Guardiola na temporada 14/15 no Bayern de Munique. Alaba e Lahm faziam o mesmo que Dani e se tornaram chaves do jogo, assim com Walker e Mendy no City. De lá para cá, diversos laterais passaram a jogar mais no meio, com diversos objetivos.
Um deles é que esse jogo permite que os laterais prolonguem suas carreiras. Porque ele não precisa mais ir e voltar o tempo todo, ou pensar rápido e correr nos espaços vazios que aparecem no ataque. É uma função na qual o espaço percorrido é menor, e os piques com a bola são menos frequentes. Aqui, vale mais o cérebro, a visão de jogo para descolar um passe. Dani saiu do Barcelona, e vendo sua capacidade física diminuir com a idade, passou a experimentar novas funções na Juventus. No PSG foi sempre meio-campista, e muito por isso votou a favor de Diniz no São Paulo.
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