A nova estrutura que Dyego Coelho pensa para o Corinthians
Na vitória contra o Fortaleza, mudanças de posicionamento e uma nova forma de jogar foram vistas. Agora a questão é se haverá continuidade.
07/11/2019 14h34
FOTO: Marcos Ribolli
Foram apenas dois treinos, uma preleção e um jogo. Muito pouco para qualquer conclusão precipitada ou uma mudança brusca. Mas nesse jogo, vitória de 3 a 2 sobre o Fortaleza, já deu para ver que a transição entre Carille e Tiago Nunes, comandada pelo agora técnico Dyego Coelho, será pautada em novas ideias. Um time com uma estrutura diferente, com aproximações, mais toque de bola e liberdade para Júnior Urso e Pedrinho criarem jogadas individuais.
- Fatos e impressões sobre Coelho, a alternativa caseira do Corinthians para o fim do Brasileirão
- Urso admite chateação do elenco do Corinthians com Fábio Carille
- Boselli evita críticas a Carille, mas exalta novo estilo do Corinthians: "Prefiro perder jogando assim"
Até pelo pouco tempo de trabalho, o que se sobressaiu nesse jogo foi a estrutura. O posicionamento do Corinthians em campo foi bem diferente dos tempos de Fabio Carille. Vamos dividir o jogo por fases: quando a bola está na defesa, o time está em fase de construção. Quando a bola chega ao ataque, é a fase da finalização das jogadas. Quando não está com a bola, é a defesa. Essa divisão é simples, e em todos esses momentos o desenho do Corinthians foi diferente do habitual.
Começando pela construção das jogadas
Manoel e Gil ficaram onde costumam jogar, atrás. Mas ao invés de sair com Gabriel ou Ralf mais próximos deles, a ideia de Coelho foi transformar Danilo Avelar numa espécie de "zagueiro" nessa fase de jogo. Assim, Michel e Janderson (ou Vital) esperavam a bola já no campo de ataque, formando um grande círculo de cinco jogadores mais presos, mas que ajudavam o time a ficar mais com a posse de bola. Veja o desenho na imagem abaixo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/4/W/mse5lLQZO1kJg8Cu0iJQ/corinthians-1.png)
Construção das jogadas com uma linha de três e Avelar na linha dos zagueiros — Foto: Leonardo Miranda
Toda ideia de posicionamento tem um porquê. Aqui, a intenção era fazer com que Pedrinho, Vital e Urso se movimentassem por dentro e jogassem próximos entre si. Os três são rápidos e bons em fazer tabelas, tocar a bola e já sair pra receber no espaço futuro. A ideia era tornar o meio do Corinthians mais criativo com tabelas rápidas entre esses três jogadores. Se não desse certo, o trio Manoel-Gil-Avelar estava sempre atrás para receber o passe e manter a bola com o time.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/j/Y/Cxd3lSRIi9HI4ZpNBKjg/corinthians-3.png)
Os jogadores mais rápidos do Timão ficaram por dentro — Foto: Leonardo Miranda
O mapa abaixo demonstra as bolas recebidas por Gil, Manoel e Avelar. É o mapa de passes dados a eles durante a partida. Veja com um "U" (bem torto né) se forma entre eles. Esse trio dialogou bastante, e muitas vezes Manoel e Avelar avançavam. Isso fazia o Fortaleza ser empurrado para trás e passar boa parte do jogo se defendendo - no primeiro tempo foi 67% de posse de bola para o Corinthians, e o jogo terminou com 56%. Bastante coisa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/3/f/9aEoaTQBuuAQnmyPT3AQ/mapa-de-passes.png)
Mapa de passes de Gil, Avelar e Manoel no jogo — Foto: Leonardo Miranda
A diferença de posicionamento e execução
Sempre vale lembrar que é pouquíssimo tempo de trabalho. E por isso que o posicionamento foi melhor que a execução. Foram muitos os passes errados e bolas perdidas - o que é natural, afinal esses jogadores estão treinando assim depois de muito tempo fazendo outra coisa. Sem julgamentos - não há certo e errado. É apenas uma mudança brusca.
São jogadores muito inteligentes. Foi uma ideia nossa de pressionar e sair em três, para dar mais liberdade aos extremos e ter um meio mais móvel. O mérito é dos jogadores, eles mudaram a chavinha. Eles conseguiram executar a ideia de uma maneira que o torcedor gostou. Gostou de ver jogando sem a bola e com ela, se entregaram. Se tivermos treinos, podemos evoluir muito mais – disse o técnico Dyego Coelho.
Sempre vale lembrar que é pouquíssimo tempo de trabalho. E por isso que o posicionamento foi melhor que a execução. Foram muitos os passes errados e bolas perdidas - o que é natural, afinal esses jogadores estão treinando assim depois de muito tempo fazendo outra coisa. Sem julgamentos - não há certo e errado. É apenas uma mudança. Muitas vezes, o time se aproximava pouco. Os jogadores buscavam ficar avançados e deixavam Pedrinho sem opções, que precisava buscar a bola até a defesa. Em outras, como na imagem abaixo, a aproximação não acontecia de forma natural. Sobravam espaços e o Fortaleza aproveitou, como no primeiro gol.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/K/x/eUVTA0SnWgStPtuiZMwQ/corinthians-4.png)
Falha de execução, normal, fazia com que muitos espaços aparecessem — Foto: Leonardo Miranda
Um pouco de Carille na defesa
O forte do Corinthians com Fabio Carille foi a defesa. Tanto em 2017 como neste ano - vale lembrar que o técnico mudou um pouco a maneira de jogar no primeiro semestre de 2018 e o Corinthians fez bons jogos. Um momento ruim não significa que tudo esteja errado, e o Corinthians se defendeu com uma típica linha de quatro, com Avelar e Michel junto aos zagueiros, e uma outra linha no meio-campo, com Pedrinho e Boselli mais à frente.
A mudança foi na agressividade dessa marcação. O time subia e ia pressionar a saída do goleiro. Pressionava sempre quem estava com a bola, tentando cobrir ela quando a linha de defesa ficava mais à frente. É o mesmo conceito de bola coberta e bola descoberta que Carille trabalha no Corinthians desde que foi auxiliar e como técnico principal em mais de dois anos treinando o time. É um conceito, que assim como todos, se bem aplicado pode dar certo - e deu.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/y/m/2iKkB2S6yQvjJu9IfznA/corinthians-2.png)
Pressão do Corinthians, com a defesa organizada — Foto: Leonardo Miranda
O elenco, como já falei aqui, é muito inteligente, consegue fazer o que a gente pede. O jogo do jogador do Corinthians precisa ser organizado, mas agressivo. Falta o Júnior entra mais, o Vital, o Pedrinho, temos que preencher a área. Quando faz uma saída em três, você tem essa situação de profundidade. É tudo muito em função do que eles fizeram. Eles fizeram acontecer. Foi uma ideia, eles acreditaram naquilo e fizeram. O mérito total da vitória hoje é dos jogadores - disse o técnico Dyego Coelho.
Tiago Nunes pode aproveitar essa semente
Se você olhar o Ahtletico jogar, vai ver que há muitas diferenças desse time que o Coelho pensou ao Corinthians. Em termos estruturais, de execução...tudo! Por isso podemos dizer que o ex-lateral está colocando uma sementinha no mês que tem de trabalho. Fazendo os jogadores se acostumarem com uma outra ideia, ficarem mais com a bola. É uma transição, e nessa transição é importante entender que erros acontecem, derrotas poderão vir...é tudo muito novo, e o Corinthians pensa hoje no futuro. Um futuro que será jogado mais com a bola do que o passado.
O elenco, como já falei aqui, é muito inteligente, consegue fazer o que a gente pede. O jogo do jogador do Corinthians precisa ser organizado, mas agressivo. Falta o Júnior entra mais, o Vital, o Pedrinho, temos que preencher a área. Quando faz uma saída em três, você tem essa situação de profundidade. É tudo muito em função do que eles fizeram. Eles fizeram acontecer. Foi uma ideia, eles acreditaram naquilo e fizeram. O mérito total da vitória hoje é dos jogadores - disse o técnico Dyego Coelho.
Tiago Nunes pode aproveitar essa semente
Se você olhar o Ahtletico jogar, vai ver que há muitas diferenças desse time que o Coelho pensou ao Corinthians. Em termos estruturais, de execução...tudo! Por isso podemos dizer que o ex-lateral está colocando uma sementinha no mês que tem de trabalho. Fazendo os jogadores se acostumarem com uma outra ideia, ficarem mais com a bola. É uma transição, e nessa transição é importante entender que erros acontecem, derrotas poderão vir...é tudo muito novo, e o Corinthians pensa hoje no futuro. Um futuro que será jogado mais com a bola do que o passado.
Acompanhe o autor nas redes sociaisSiga no Twitter
Curta a fanpage no Facebook
Assine nossa newsletter
Curta a fanpage no Facebook
Assine nossa newsletter
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2019/11/07/a-nova-estrutura-que-dyego-coelho-pensa-para-o-corinthians.ghtml?fbclid=IwAR2QaBlBE51Iit75yKnnOw2hu5VsYQXQ8RAKYMd30Gi1_Bd_ldsnp0-5pxo
https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2019/11/07/a-nova-estrutura-que-dyego-coelho-pensa-para-o-corinthians.ghtml?fbclid=IwAR2QaBlBE51Iit75yKnnOw2hu5VsYQXQ8RAKYMd30Gi1_Bd_ldsnp0-5pxo
/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2019/11/06/rib1951_MnpETau.jpg)
/s2.glbimg.com/O47cldX_qJw8pyqKF_SOsngT3-U%3D/0x0%3A300x300/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/l/V/EsEpQjTN2DrBxsMwl4PQ/miranda.jpg)
0 comments:
Postar um comentário