Não aguento mais o meia de ligação parado entre o meio-campo e os zagueiros, sem espaço, encaixotado, sem receber a bola livre, além de não participar da marcação. Não aguento mais o
centroavante fixo, de costas para o gol, entre os dois zagueiros, à espera de (quem sabe?) sobrar uma bola para marcar.
Não aguento mais tantos chutões da defesa e tantos cruzamentos para a área, para contar com a sorte de a bola sobrar para o atacante finalizar. Não aguento mais ver os times recuando, para fechar os espaços perto da sua área, com oito ou nove jogadores, para contra-atacar, longe do gol adversário.
Não aguento mais tantos clichês e lugares-comuns.
Carille, muito criticado por marcar muito atrás, longe do outro gol, não é o único a sofrer críticas por isso, mas não dá para ver
Vágner Love, pela direita, correndo atrás do lateral. Já que o ataque não funciona, por que não escalar Boselli e Vágner Love juntos? Pelo menos Carille sabe armar uma boa defesa. Pior é a maioria, que não sabe organizar a defesa nem o ataque. Além disso, o
Corinthians, individualmente, é fraco do meio para frente.
Por outro lado, é eficiente e necessário que as equipes nitidamente inferiores individualmente marquem mais atrás, para contra-atacar, quando enfrentam um time superior. É o que tem feito, muito bem, o Bahia. Aliás, parabéns ao técnico
Roger Machado, que, em uma entrevista, deu uma aula de história, cidadania e reflexão sobre o racismo.
O
Flamengo é uma das exceções no Brasil, pela qualidade individual, pela intensidade, pela movimentação e pela pressão em quem está com a bola, para recuperá-la rapidamente e perto do outro gol. Quando a bola rola, não dá para desenhar na prancheta se o Flamengo joga com um ou dois atacantes pelo centro, se tem dois volantes, um ou nenhum, se Éverton Ribeiro atua pela direita ou pelo centro, além de outras indagações.
A mesma intensidade, movimentação e marcação por pressão ocorrem com o Liverpool de Klopp e com o Manchester City de
Guardiola, os dois melhores times coletivos do mundo. Na prancheta, jogam no 4-3-3, mas, em campo, é difícil acompanhar as posições dos jogadores. São diferentes das outras equipes.
No Liverpool, os dois atacantes pelos lados entram pelo meio para ocupar o espaço do centroavante, que recua, como um meia-armador. Os laterais avançam como pontas, e os três do meio, teoricamente volantes, marcam e atacam alternadamente.
No Manchester City, os dois meio-campistas estão sempre avançados, perto do centroavante. Os dois laterais fecham pelo meio quando o time tem a bola e formam um trio com o volante centralizado. Os pontas atuam abertos.
Mais importante que a estratégia é a qualidade dos jogadores, que precisam das boas estratégias para brilhar. É preciso recriar o futebol brasileiro.
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