Athletico evolui com objetividade e laterais como "finalizadores de jogadas"
Na vitória de 1 a 0 para o River, equipe controlou o adversário com um jogo muito direto e laterais mais táticos e ofensivos.
Por Leonardo Miranda
23/05/2019 00h57
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Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Assim como os 3 a 0 no Boca Juniors, a vitória do Athletico sobre o River Plate mostrou um domínio do início ao fim. Controle de jogo, poucas chances concedidas e muitas criadas - poderia até ser 3 a 0. Foram poucos, mas muito bons os jogos com o time principal, fruto de um trabalho desenvolvido desde a chegada de Tiago Nunes e um entendimento claro do modelo de jogo proposto.
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Ao contrário do que parece, o Athletico não é um time de posse de bola. Afinal, mais importante que ter a bola é saber quando ter, quando tocá-la e quando colocá-la o mais perto do gol. Para Tiago Nunes, o mais importante é ser vertical: chegar mais vezes ao gol, com menos passes, mas ainda assim mantendo a bola no chão e a ideia de protagonismo sem depender exclusivamente da imposição física ou de contra-ataques.
Esse modelo vertical tem um raro equilíbrio entre jogadas mais construídas e bolas longas, muitas vezes de Santos para Marco Rúben. As saídas de Pablo e Rapahel Veiga não alteraram esse raro equilíbrio, no qual a bola é tocada pelo chão, mas circula pouco no meio-campo. O que o time quer mesmo é passes rápidos e longos para o pelotão de frente - e a estrutura cria as condições para tal, incluindo um curioso papel para os laterais, cada vez mais táticos e ofensivos.
Construção das jogadas começa pelo meio e termina nos lados
A imagem abaixo é um exemplo de uma construção de jogada do time. Bruno Guimarães faz a saída de três, movimento já conhecido quando um volante recua na linha de zagueiros. Agora perceba que Lucho se coloca num espaço vazio, mas não tão perto de Bruno. Roni, o meia do lado em que a bola está, fica alinhado a Lucho.
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Bruno Guimarães busca a bola e Lucho avança — Foto: Leonardo Miranda
Nem dá para ver os laterais, de tão profundos que eles estão. A ideia dessa organização é criar uma simetria para que a bola chegue, em dois ou três toques, na área. Do zagueiro para Roni, que gira e já começa a correr para o gol. Na sequência do lance, você vê que a bola mal circulou e Bruno Guimarães se junta ao pelotão que vai acelera essa jogada para o gol.
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Ataque do Athletico: laterais como pontas, volantes chegando de surpresa — Foto: Leonardo Miranda
Laterais são destaque
Eles pouco participação da criação de jogadas. Também não vão muito para o meio. Na defesa, alinham com os zagueiros. Onde mora o diferencial de Renan Lodi, talvez o lateral esquerdo de melhor desempenho atualmente no Brasil, e o experiente Jonathan? É a forma de atuação.
No jogo do Athletico, os laterais têm um papel fundamental: eles são "assistentes" de jogadas de linha de fundo. Quando o jogo se desenha daquele jeito simétrico e vertical pelo meio, eles ocupam espaços e não tocam muito na bola. A participação acontece quando o time corre em direção à área. Na imagem acima, circulados em amarelo, eles têm MUITO espaço para correr e receber livre. Geralmente o fazem com um passe direto para a entrada da área, ou muitas vezes até finalizam.
Renan Lodi já tem dois gols e uma assistência em 2019
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Renan Lodi — Foto: Getty Imagens
Veja o vídeo do gol, abaixo, com um exemplo perfeito desse papel dos laterais: começa no meio, acelera com os laterais e termina na pequena área:
Esse padrão de organização das jogadas do Athletico é muito contemporâneo. Parece Bundesliga. E faz sentido pensar a construção assim, porque com o futebol cada vez mais desequilibrado financeiramente e com equipes defensivamente sofisticadas, fazer a bola chegar mais vezes e mais rapidamente na área adversária aumenta as chances de fazer um gol.
Sem a bola, segurança e time fechadinho
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Athletico sem a bola — Foto: Leonardo Miranda
A entrada de Wellington deu um “upgrade” defensivo. Não apenas permitiu que Bruno Guimarães chegasse mais à frente, com Lucho no papel que era de Veiga, mas também criou condições para que a linha de quatro defensores do time se mantivesse sempre organizada. Pensando pela lógica, se os laterais avançam tanto e entram muito na área, é preciso uma retaguarda mais confiável caso eles não consigam retornar à tempo. É o que acontece no lance, quando Lodi não retorna e Wellington imediatamente identifica esse espaço e cobre, evitando que Paulo André e Léo Pereira saiam do lugar.
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Wellington fazendo a cobertura de Lodi — Foto: Leonardo Miranda
Estável no Brasileirão, ainda para decidir a Copa do Brasil e com vantagem na Recopa, o Athletico é um dos times do momento no Brasil. Fruto de um trabalho a longo prazo, tão raro por aqui. Esperar pelo melhor desempenho sempre vale a pena.
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