Não é somente o Brasil que tem problemas contra defesas fechadas


 Cenário ocorre em todo o mundo, quando um time superior enfrenta um inferior
A Colômbia, sem sofrer um gol, foi eliminada nos pênaltis pelo Chile,num jogo equilibrado. Poderia ter ocorrido o mesmo com o Brasil, contra o Paraguai. Fernando Pessoa, que era muitos em um só, perguntou: “quem vai escrever a história do que poderia ter sido?”.
A maior dificuldade do Brasil não é a estratégia. A equipe recupera rapidamente a bola, troca muitos passes e chega com muitos jogadores ao ataque. As críticas a Tite são, muitas vezes, exageradas. Não é somente o Brasil que tem problemas contra defesas fechadas. Isso ocorre em todo o mundo, quando um time superior enfrenta um inferior. Houve uma evolução das retrancas.
A geração atual é boa, mas faltam à seleção jogadores especiais, com mais talento ofensivo, como Neymar e Marcelo. Firmino é excelente centroavante, extremamente inteligente, desde que tenha artilheiros a seu lado, como no Liverpool. Gabriel Jesus, pela direita, não é solução. Não é driblador, armador nem um ótimo cruzador de bolas.
Coutinho é bom, mas nem tanto. Não foi surpresa ele destoar, ao lado de Messi e Suárez, no Barcelona. Arthur é excelente no passe, mas não é ainda um dos grandes meio-campistas do mundo. Já Everton tem atuado melhor do que se esperava para um estreante, mas ainda é cedo para tanta badalação.
Contra a Argentina, Casemiro e, provavelmente, Willian, que entrou muito bem contra o Paraguai, serão titulares. Não será surpresa se Tite escalar Casemiro e Fernandinho juntos, por causa de Messi.
Tite lamentou não ter podido colocar os dois contra a Bélgica.
Daniel Alves divide bola com Derliz González na partida entre Brasil e Paraguai na quinta-feira (27)
Daniel Alves divide bola com Derliz González na partida entre Brasil e Paraguai na quinta-feira (27) - Luis Acosta/AFP
A Argentina, na vitória sobre a Venezuela, jogou, mais uma vez, com uma linha de três no meio-campo e outra de três no ataque. Não havia um jogador aberto de cada lado, para proteger os laterais. Se jogar assim contra o Brasil, os laterais brasileiros terão liberdade para apoiar e fazer duplas com os pontas. No segundo tempo, o técnico argentino tirou um atacante (Lautaro Martínez) e colocou Di María, pelo lado, para formar uma linha de quatro no meio-campo. Deve ser essa a formação contra o Brasil.
Se um comentarista ET estivesse no jogo entre Argentina e Venezuela, sem conhecer os jogadores, diria que o número dez da Argentina é fraco, que estava apático e perdido em campo e que não sabia por que não foi substituído.
Contra o Brasil, a Argentina sonha com o outro Messi, o do Barcelona.

NOVOS TEMPOS

Das 8 seleções que se classificaram para as quartas de final do Mundial feminino, 7 são europeias, além dos Estados Unidos, que venceu a França e é a favorita ao título. Diferentemente das seleções sul-americanas, houve uma grande evolução das equipes europeias nos últimos anos.
Isso, obviamente, tem a ver com organização, planejamento, investimento e bons campeonatos nacionais, em todas as categorias, o que não acontece no Brasil.
Mas não é só isso. Enquanto nas seleções europeias e nos Estados Unidos predominam o futebol compacto, a troca de passes e a marcação de perto, no Brasil e nos países sul-americanos existem ainda muitos espaços entre os setores, excesso de chutões, bolas longas e estocadas, na esperança de que uma Marta ou uma Cristiane faça uma grande jogada.
A seleção feminina precisa de um ótimo técnico, seja mulher ou homem, que tenha como objetivo o desejo de trabalhar no futebol feminino.
Como não acompanho de perto, não sei se Vadão é a pessoa indicada. Pelo que vi no Mundial, não é.
Tostão
Cronista esportivo, participou como jogador das Copas de 1966 e 1970. É formado em medicina.
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UFC: Junior Cigano é nocauteado por camaronês em pouco mais de um minuto


UFC: Junior Cigano é nocauteado por camaronês em pouco mais de um minuto
Foto: Getty Images
Não deu para Junior Cigano. Na madrugada deste domingo (30), no UFC Minneapolis, em Minnesota, nos EUA, o brasileiro foi nocauteado por Francis Ngannou com apenas 1m11s de luta. O peso-pesado camaronês aproveitou o triunfo para afirmar que merece ser o próximo desafiante ao cinturão da divisão. 

"Estou muito feliz agora. Espero que o UFC perceba que eu mereço disputar o cinturão enfrentando o vencedor de Daniel Cormier e Stipe Miocic. Ele se movimenta muito bem, e eu sabia que teria que acertá-lo assim que tivesse chance. Junior é um ótimo boxeador, mas eu sou um bom boxeador também, e acredito que eu seja o melhor boxeador dessa divisão. Agora só o que me resta é disputar o cinturão, que eu acredito que será contra Cormier", disse o camaronês, segundo o GloboEsporte.com. 

Após Cigano tentar aplicar um overhand, Ngannou conectou dois bons golpes no brasileiro, que já abalado, ainda recebeu um cruzado de direita na cabeça e desabou. No chão, ainda sofreu mais três golpes, antes do encerramento da luta. 

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Vice-presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues faz balanço positivo da Copa América


por Glauber Guerra / Gabriel Rios
Vice-presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues faz balanço positivo da Copa América
Foto: Leandro Aragão / Bahia Notícias
Vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, marca presença na Arena Fonte Nova, neste sábado (29), para acompanhar a partida entre Uruguai e Peru, válida pelas quartas de final da Copa América. Questionado pelo Bahia Notícias sobre a realização da competição em solo brasileiro, o dirigente aprovou o evento no país.

“A avaliação é positiva. É um período que não é de muito calor em todo o Brasil, e aqui em Salvador não é diferente, mas a gente faz um balanço positivo dos jogos que aconteceram na capital baiana. Acompanhei jogos em todas às sedes, e foi muito importante a Copa América no país. Uma aceitação muito grande por parte dos torcedores”, disse Ednaldo.

Ex-presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ednaldo não descarta a realização de novos eventos no país e na capital baiana no futuro.  

“Existe uma relação muito estreita da CBF com Conmebol e Fifa. Tenho certeza que outros eventos de porte acontecerão no Brasil e, tenho certeza, que a Bahia não ficará de fora também. Tem um equipamento dos mais modernos do mundo, que é a Arena Fonte, tem o Pituaçu e o Barradão que serviram para treinamentos e nenhuma seleção reclamou. Portanto, tudo que tem aqui dá para entender as demandas de grandes eventos, principalmente pela recepção do povo baiano, que torce com muita alegria e disciplina”, afirmou.

O confronto entre Peru e Uruguai será o último da Arena Fonte Nova na Copa América 2019. A praça esportiva recebeu cinco partidas da competição.

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Chile e Colômbia fizeram jogo que sintetiza o que é o mais alto nível no futebol mundial

Velocidade, organização, fluidez e muitas chances criadas foram os componentes do melhor jogo da Copa América até aqui. 

29/06/2019 13h51  
Chile e Colômbia fizeram jogo que sintetiza o que é o mais alto nível no futebol mundial
foto: Marcos Ribolli 
O que difere um jogo de Liga dos Campeões, ou do pelotão de frente da Premier League, do restante das partidas? Olhando apenas para o campo, não para as sensações e emoções que você sente. A resposta está no jogo entre Chile e Colômbia, melhor da Copa América.
Muito se diz que o futebol europeu, em especial aquele escalão formado por no máximo quinze clubes, é superior ao futebol latino ou a outras ligas nacionais. Pouco se explica o porquê. A emoção gerada pelo evento pode ser diferente, a torcida pode ter um comportamento aqui ou lá. Mas o jogo, apenas ele, tem componentes que o diferem. É mais rápido, menos faltoso e mais criativo, exatamente como foi esse jogo.
Qualquer time poderia ter passado, dado o nível de organização e chances criadas pelos dois. Para a Colômbia, fica a ideia de crescer cada vez mais. Para o Chile, a defesa de um inédito tri.

Melhores momentos: Colômbia 0 (4) x (5) 0 Chile pelas quartas de final da Copa América
Surpreende o fato da a Colômbia apresentar tantos padrões, em especial os defensivos, com Carlos Queiroz no comando por apenas alguns meses. Fisicamente o time também se impõe, e apostou na marcação alta, assim como fez com a Argentina: o pelotão de frente do 4-1-4-1 buscava fechar as linhas de passe do Chile. Se não conseguiram roubar a bola perto da área, toda vez que roubavam a bola na intermediária tentavam acelerar o jogo, buscando o pivô de Falcao e os movimentos de James, partindo da direita para o centro.
Pressão alta da Colômbia no primeiro tempo — Foto: Leonardo Miranda
Pressão alta da Colômbia no primeiro tempo — Foto: Leonardo Miranda
O Chile respondeu a essa pressão com um meio-campo talhado para sair jogando. Ideia que Bielsa implantou, Sampaoli solidificou e Rueda mantém. Poucos passes, toques de primeira, sempre procurando o homem livre, ou seja, o jogador que fica uns metros mais à frente, de costas para o marcador. Essa função foi de Aranguiz, que sempre buscava essa lacuna. Vidal, dono de gol anulado e melhor da partida, jogou numa função mais recuada. Era ele que vinha buscar a bola da zaga, com Pulgar ao seu lado.
Chile no ataque, pronto para sair limpo com a bola — Foto: Leonardo Miranda
Chile no ataque, pronto para sair limpo com a bola — Foto: Leonardo Miranda 
Rueda explicou em coletiva que essa dinâmica visava liberar Aranguiz porque Vidal, craque como é, seria naturalmente o mais marcado. E deu certo. O Chile teve 58% da posse de bola e criou 6 chances no primeiro tempo, sempre com essa saída limpa. Muitas vezes, Aranguiz fazia o elo entre meio e o ataque, com Sánchez e Fuenzalida sempre pertos.
Arturo Vidal comemora classificação do Chile — Foto: Marcos Ribolli
Arturo Vidal comemora classificação do Chile — Foto: Marcos Ribolli 

O jogo é mais rápido quando há mais padrão - e espaço para sair dele

Todos esses comportamentos, essas ideias descritas acima, estavam bem martelados na cabeça dos jogadores. Assim, a execução da ideia fica rápida. O jogador joga sem pensar. Pense na saída do Chile: não é mais fácil dar um passe de primeira sabendo que vai ter um jogador na sua frente e livre para receber a bola do que esperar o time avançar um pouco? Essa agilidade de raciocínio se traduziu num jogo ao melhor estilo do Campeonato Inglês: co várias “estocadas”, ou seja: times chegando ao ataque e se defendendo, com a bola passando pouco pelo meio-campo.
Isso torna a partida mais dinâmica, porque os dois times chegam muito, e também faz com que a criação de jogadas fique menos com os meias e mais com o primeiro volante e os zagueiros. Sabe o que o Brasil fez contra o Paraguai com um homem a mais? É mais ou menos o que o City ou o Bayern fazem semanalmente em suas ligas. Você pode gostar ou não, e isso se dá muito ao gritante e injusto desnível financeiro que existe entre esses quinze clubes europeus mais ricos e o resto do mundo. Mas reclamar não muda a realidade: ela é como é, e mudá-la para melhor exige entendê-la a fundo.
A realidade é que o Chile irá defender o tri-campeonato da Copa América no que foi o melhor jogo do torneio até aqui. O tipo de jogo dos centros mais estruturados. O tipo de futebol que nós merecemos ver sempre.

Por Leonardo Miranda
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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Argentina repete fórmula de contra-ataques contra a Venezuela. É o suficiente?

Golaço de Lautaro deu calma para o time adotar o jogo que ais faz sucesso nos últimos anos: defesa fechada e rapidez nos contra-ataques. Mas ainda há falta de ideias para tanto talento.

28/06/2019 20h14 
Argentina repete fórmula de contra-ataques contra a Venezuela. É o suficiente?
foto: Reuters 

Messi disse que a bola parecia um coelho, de tanto que quicava. Os gramados ruins da Copa América colaboram, mas o time da Argentina não ajuda. Em outra atuação lenta e apática, os 2 a 0 na Venezuela se construíram por força do contexto, em especial o gol no início na bola parada. O time não mostrou imposição, domínio ou controle.
Na terça (02), o teste contra o Brasil é decisivo para mostrar o que todo argentino espera: maior unidade nos movimentos ofensivos. Há anos a Argentina parece se dar bem com uma fórmula batida entre os times do país: um jogo mais defensivo, de trancar a defesa com duas linhas de quatro ou três volantes e jogar a bola em Messi e forçar conta-ataques. Foi assim na vitória contra Suíça e Bélgica na Copa de 2014 e foi assim nas últimas Copa America.

Argentina vence Venezuela no Maracanã e enfrenta Brasil na semifinal da Copa América 
Não foi diferente contra a Venezuela. O time veio a campo com um losango bem claro no meio-campo: Paredes de primeiro, Acuña e De Paul pelos lados, Messi mais solto como um meia-atacante e Aguero e Lautaro na frente. Aguero retornava mais sem a bola, muitas vezes cobrindo o setor esquerdo ou ficando na frente dessa trinca de volantes, como na imagem. O intuito desse movimento era deixar Messi descansado e confortável, jogando “só na boa”.
Se a ideia é boa, a execução ainda deixa a desejar. Nos momentos que tentava sair com a bola, faltava opções de passe para os zagueiros e o meio-campo ficava vazio, obrigando Messi a fazer o que sempre tenta fazer: buscar a bola lá embaixo e ficar distante do gol, tornando essa circulação de bola mais lenta. O adversário fica com mais tempo para se organizar.
Saída de bola da Argentina — Foto: Leonardo Miranda
Saída de bola da Argentina — Foto: Leonardo Miranda 
No ataque, poucos jogadores e…bola no Messi. Ou em Aguero, que recuava bastante para articular e muitas vezes deixava Lautaro mais à frente. São três caras tão talentosos que eles mesmos são um “sistema em si mesmos”, pois conseguem desorganizar a defesa do rival com poucos movimentos. Na imagem abaixo, Messi está num espaço vazio para fazer aquela jogada de ET: receber, conduzir e finalizar.
Argentina atacando com espaços para Messi desequilibrar — Foto: Leonardo Miranda
Argentina atacando com espaços para Messi desequilibrar — Foto: Leonardo Miranda 
Na defesa, o losango sempre se fechava com os quatro de defesa alinhados e três volantes mais fechados no meio-campo. Veja o frame, tirado no início do segundo tempo, quando a Argentina já tinha feito 1 a 0.
Argentina na defesa — Foto: Leonardo Miranda
Argentina na defesa — Foto: Leonardo Miranda 
O gol nos dez primeiros minutos fez uma diferença imensa ao time porque deu a chance de ficarem mais fechados, explorando contra-ataques e defendendo a área. E a Argentina não defendeu bem. A própria imagem mostra. Há erros primários que elevam o risco de levar um gol ou se desorganizar, como:
  • O venezuelano portador da bola está livre, sem marcação alguma
  • A trinca de defesa está longe da jogada
  • O lateral esquerdo olha pra bola e o ponta venezuelano começa a correr em suas costas
É pouco? Sim, e hoje foi eficiente. Como ela é em muitas vezes. A questão é que esse jogo trava contra times mais fortes e com mais tempo de trabalho. Pode ser o Brasil como foi a Croácia na Copa do Mundo. Foi a Colômbia como já foi a Alemanha em 2014. Quebrar retrancas e defesas exige muito mais do que fechar a casinha lá atrás e deixar os craques resolverem. No fim, é o mesmo dilema que o Brasil passa. Duas culturas latinas apressadas, pouco racionais, cheias de seus mitos. E que se enfrentarão num duelo com ares de histórico na próxima terça-feira (02).

Por Leonardo Miranda
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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Suarez e Cavani, a dupla móvel e inteligente que simboliza o estilo uruguaio de jogar

Os dois jogam numa espécie de arco e flecha: nunca ocupam o mesmo espaço em campo e buscam se completar para armarem, quase que sozinho, todas as jogadas do Uruguai.

25/06/2019 13h03  
Suarez e Cavani, a dupla móvel e inteligente que simboliza o estilo uruguaio de jogar
foto: Getty Images 
No início do gol do Uruguai contra o Chile, o time celeste tem apenas três jogadores no ataque. Suárez, o camisa 9 goleador no Barcelona, precisa sair da área para receber a bola, enquanto Cavani fica na cola dos zagueiros, fixando os defensores por ali. Não há nenhum jogador mais criativo do Uruguai perto deles, e apenas um ponta fica aberto. É ele quem vai receber a bola. 
Início do gol do Uruguai — Foto: Leonardo Miranda
Início do gol do Uruguai — Foto: Leonardo Miranda 
Em poucos segundos, a jogada se desenha de forma vertical. Suarez tocou e já correu para perto do gol. Apesar de estar olhando para o companheiro, ele posiciona seu corpo de frente. Assim pode alcançar qualquer bola que chega lá. Veja na imagem que ele está livre, afinal, os três zagueiros estão tentando cobrir o espaço de Cavani, que vai girar e cabecear pro fundo do gol.
Cavani irá converter o cruzamento em finalização — Foto: Leonardo Miranda
Cavani irá converter o cruzamento em finalização — Foto: Leonardo Miranda 
Em teoria é uma jogada fácil de defender. O Chile tem grande superioridade numérica - você pode ver os dez jogadores de linha concentrados no setor. A defesa está organizada e alinhada com cinco jogadores. Mesmo assim, Suárez e Cavani conseguem produzir um baita estrago com uma simples movimentação.
Suárez e Cavani antes de Uruguai x Arábia Saudita — Foto: Reuters
Suárez e Cavani antes de Uruguai x Arábia Saudita — Foto: Reuters 
Não é novidade observar o que a dupla, quase que sozinha, provoca de dano nas defesas rivais. Eles são a dupla de ataque do Uruguai desde 2011. Ao todo, fizeram 106 gols - 48 para cada - e incorporam o estilo uruguaio de jogar que Oscar Tabárez trouxe de volta em 2006: são dinâmicos, móveis, resolvem problemas além de suas funções e participam de todas as fases do jogo.
Muito que fazemos ultimamente é deixá-los conviver mais na equipe, para que tragam mais problemas ao adversário. Não se pode propor nada a eles que não tenham experimentado. São dois jogadores de elite no futebol mundial. Não dá para se discutir quem é o maior - Oscar Tabarez
A chave para entender a movimentação que tritura defesas em poucos segundos começa no posicionamento sem a bola. O Uruguai quase sempre joga no 4-4-2 com duas linhas de quatro. Cavanio e Suárez ficam na frente, mas participam dos momentos defensivos. Seja ficando mais à frente, como referências nas bolas longas dos zagueiros ou do goleiro Muslera, seja voltando um pouco mais para impedir a saída do volante, papel geralmente de Cavani, como na imagem.
Uruguai se dfeende num 4-4-2 bem simples, com duas linhas de quatro — Foto: Leonardo Miranda
Uruguai se dfeende num 4-4-2 bem simples, com duas linhas de quatro — Foto: Leonardo Miranda 
É com a posse de bola que o estrago começa. Cavani e Suarez fazem um intenso revezamento de espaços no ataque. Quando um busca a bola, o outro procura o limite da linha defensiva do rival para receber e já fazer o gol. Aqui, Suarez afunda para dar opção de passe ao meia do lado direito, que está com a bola. Cavani fica parado. Mesmo impedido, sabe que será mais útil ocupando uma faixa mais à frente. Assim, pode chamar a defesa do Chile para perto do gol e dar mais tempo para Suarez pensar a jogada.
Cavani em falso impedimento enquanto Suarez busca a bola — Foto: Leonardo Miranda
Cavani em falso impedimento enquanto Suarez busca a bola — Foto: Leonardo Miranda 
Uma mobilidade tão grande assim tornam os dois os grandes articuladores da equipe. Se movem o tempo todo, procuram a bola, dão profundidade. É um leque imenso de alternativas de jogo que naturalmente a equipe entende como sendo o caminho mais fácil para levar a bola ao gol.
Dentro da área a movimentação continua. Talvez essa seja o forte do Uruguai há anos: uma presença constante e rápida na área, com ao menos quatro jogadores bem espalhados, de ponta a ponta, para tornar qualquer rebatida ou cruzamento um perigo. Suarez e Cavani colaboram não se prendendo ao centro do campo ou na cola dos zagueiros, mas abrindo e buscando cruzamentos, como Suarez faz nesse lance.
Movimentação dentro da área — Foto: Leonardo Miranda
Movimentação dentro da área — Foto: Leonardo Miranda 
Esses movimentos ajudam a criar um time de jogo diretor e vertical. Quando há jogadores que passam o tempo todo da linha da bola e sempre buscam dar profundidade ao time, na cola da linha da defesa, a equipe se espalha por um espaço maior em campo. Há argumentos para usar a bola longa como principal mecanismo, porque existe sempre jogadores prontos para receber o passe. É diferente do chutão, onde não há a intenção ou direcionamento.
O jogo vertical do Uruguai é responsável pelo sucesso do time nos últimos dez anos. O Uruguai foi campeão da Copa América de 2011, quarto colocado na Copa do Mundo de 2010 e presença constante em fases eliminatórias. Sempre com o jogo combativo, elétrico e plural de seus centroavantes, o que Oscar Tabarez chama de “plenitude futebolística”. Se depender dessa edição de Copa América, o topo não tem data para acabar.

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Capim, do Águia Clube | Eneas Brito, da Liga Desportiva de Jequié - Falando de Esportes - 29/04/26