Mobilidade e transição rápida: como Romero virou artilheiro no novo Corinthians
Com sete gols desde o fim da parada para a Copa do Mundo, Romero consolida um time de velocidade e muitas opções
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Marcos Ribolli
Por Leonardo Miranda
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O Corinthians vive um momento de poucas certezas. Afinal, a saída de Carille, conhecedor do elenco e mentor do time campeão brasileiro, foi um choque nunca previsto. A diretoria agiu de acordo com suas crenças e deu a Osmar Loss a chance de continuar o processo. Dono de ideias e personalidade diferentes, Loss tem um início irregular, pautado pela busca de uma equipe mais coesa. Pelos últimos três jogos, essa equipe deu as caras com um insólito artilheiro: Romero. Já são sete gols desde o retorno da Copa do Mundo.
Foram praticamente dois times diferentes nas últimas semanas. Na dura derrota de 3 a 1 para o São Paulo e no 2 a 0 sobre o Botafogo, Loss formatou o Timão com um jogador mais fixo e de porte físico na referência do 4-2-3-1. Romero atuou pelo lado, com Jadson centralizado. O desempenho não foi bom nesses jogos, mas a ideia continuou no duelo contra o Cruzeiro, quando a lesão de Jonathas obrigou o técnico a repensar o time.
A presença de um centroavante de ofício, chamado de pivô, não muda só o Corinthians, mas como os adversários o interpretam. Quando há uma referência no ataque, os zagueiros ficam mais fixos e a marcação é geralmente definida - um zagueiro vigia de perto, o outro fecha a linha de passe. Esse movimento faz com que o time se sinta mais confortável em baixar suas linhas e chamar o Corinthians para o seu campo. Sabemos, há anos, que trocar passes lá no ataque não é o forte de uma equipe que tem como principal argumento a velocidade.
Por isso a artilharia de Romero e as três vitórias seguidas podem ser explicadas pela mobilidade que o sistema sem um centroavante dá. Em números, o Corinthians forma uma espécie de 4-4-2. Jadson e Romero atuam na frente, mas não reprisam os movimentos de um centroavante. Eles recuam para buscar a bola, abrem por um lado e trocam de posição com os volantes. Se a zaga do outro lado fica mais confortável com um centroavante, como lidar com essa constante troca de posição?
É aí que mora o segredo: o novo Corinthians é um time de mobilidade. As trocas de posição fazem a linha do adversário se desorganizar, e geram espaços que Romero, Jadson, Pedrinho e até Douglas atacam com bastante velocidade.
Vamos ver, em imagens, como funciona o time:
Sem a bola: duas linhas de quatro
As linhas de quatro jogadores não mudam no Corinthians. Com ou sem centroavante, o Timão sempre se defende assim. Um acréscimo de ter Romero nesta função é que ele, até por característica pessoal, é muito mais voluntarioso sem a bola. Logo, quando o volante adversário inicia a jogada, Romero já consegue fechar a linha de passe ou induzi-lo ao erro. A recuperação de bola do Corinthians fica muito mais intensa assim.
Duas linhas de quatro (Foto: Leonardo Miranda)
Rodízio nas aproximações e articulação de jogadas
Outra possibilidade que um ataque com Romero e Jadson dá é ter um constante rodízio na preparação das jogadas. Assim que a jogada invade o terço final (mas você também pode chamar de ataque que a ideia é a mesma), o jogador do quarteto que está mais recuado recua, recebe o passe e quem está próximo já faz o movimento de corrida - a chamada infiltração. Assim, quem tem a bola encontra muito mais facilidade para fazer o passe. Lembre-se: o passe é uma interação. Ele é responsabilidade de quem faz e de quem o recebe.
Romero recuando para articular as jogadas (Foto: Leonardo Miranda)
Infiltrações a toda hora
Dos quatro de frente, quem mais se posiciona na região do centroavante é Romero. Como não é forte fisicamente, ele busca ocupar espaços para receber a bola em diagonal, superar o marcador na corrida e finalizar. Veja aqui como Jadson vai recuar para receber a bola e atrair a perseguição do zagueiro em vermelho. É tudo o que Romero quer: espaço para usar sua velocidade e chute cruzado.
Romero funcionando como um centroavante (Foto: Leonardo Miranda)
Mais transições da defesa para o ataque
Com adversários mais soltos, o “novo” Corinthians também virou um time de rápidas transições, como era com Carille, Tite e Mano Menezes. É uma cultura do clube, e até o torcedor reconhece: o time rende melhor jogando com velocidade e não enfiado no campo do adversário. A opção por Romero e Jadson facilita esse tipo de jogo.
O clubefoi buscar no mercado o centroavante que faltava. Curioso o encaixe do time acontecer nele. Com a artilharia improvável do criticado, mas sempre importante Romero - que já é o maior artilheiro da Arena Corinthians, a equipe consegue um pouco mais de calma e constância para cristalizar seus objetivos na temporada.
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