Marcação forte, pivô e 4-2-3-1: como Felipão pode montar o Palmeiras
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Felipão em jogo da Liga dos Campeões da Ásia (Zhong Zhi/Getty Images)
Por Leonardo Miranda (@leoffmiranda)
O anúncio de Luiz Felipe Scolari como técnico do Palmeiras foi considerado surpreendente. A diretoria acertou sua terceira passagem menos de 24 horas após a demissão de Roger Machado. Como justificativa, a necessidade de um comando mais forte e experiente para os três compromissos que o clube paulista encara na temporada: Brasileirão, Copa do Brasil e, em especial, a Libertadores. Afinal, Felipão foi o comandante do único título de Liberta do Alviverde, em 1999. A confiança é que a dobradinha funcione novamente.
O Felipão que chega ao Brasil nesta sexta-feira precisa mostrar que ainda é o técnico capaz de levar Portugal a uma inédita final de Eurocopa e também ser o melhor do país na década de 1990. O 7 a 1 será eterno em sua carreira. Assim como o penta. Felipão é dono da dualidade mais acirrada do futebol hoje, e o casamento com o Palmeiras, clube que sempre o abraçou e deu títulos – foram cinco ao todo – tem tudo para dar certo e reformar a imagem do treinador.
Mas Felipão não é um mero motivador, como sua imagem militar e braveza na cara possa mostrar. Ao longo de sua carreira, ele montou equipes com brio e também riqueza tática. Felipão foi um dos primeiros treinadores brasileiros a usar o 4-2-3-1, esquema considerado moderno na década de 1990, no Grêmio multicampeão. No Palmeiras, aproveitou Zinho e Rogério num meio-campo em losango, um 4-3-1-2, que formou a base do alviverde campeão em 1999. Destreza transplantada para a seleção do penta, que inovou com um esquema com três zagueiros e muita mobilidade no ataque com os 3 “R”s – Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.
Abaixo você confere algumas ideias típicas de Felipão e como ele pode usar o elenco do Palmeiras para montar uma equipe com sua cara.
Pivô: nada é mais Felipão que um centroavante fixo
A presença de Fred em 2014 gerou polêmica – e muitos memes, é verdade. Poucas características são tão marcantes nos times do técnico como um centroavante forte e cabeceador. Técnico ou não, Felipão gosta muito de ter uma referência que saiba jogar de costas, prendendo bolas e esperando a chegada de um volante ou meia. Por isso Fred não saiu do time durante a campanha desastrosa do Brasil em 2014: é uma crença do treinador ter esse jogador mais fixo e forte.
O mais famoso deles é Jardel, artilheiro e peça-chave no Grêmio em 1995. Ele não apenas fazia gols, mas também sustentava alguns lançamentos dos goleiros e preparava a jogada para quem vinha de trás. No popular, essa jogada é chamada de “casquinha”. Oseás, Postiga, Drogba, Barcos e até Ricardo Bueno são alguns dos centroavantes que Felipão mais usou em sua carreira. Algo que pode se reprisar com Borja. O atacante colombiano tem o perfil de força e altura que Felipão gosta, mas também pode dar espaço a Deyverson. Trazido por Cuca, o centroavante não é lá tão bom com a bola, mas tem o perfil lutador e cabeceador que Felipão gosta.
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Intensidade sem a bola, em especial dos atacantes
Felipão sempre foi conhecido por montar times mais defensivos, o que não é lá bem uma verdade. O Cruzeiro de 2001, trabalho que o credenciou a assumir a seleção, era um time ofensivo e veloz. O mesmo com o Brasil, dono do melhor ataque da Copa do Mundo de 2002. Felipão é um técnico que preza pelo equilíbrio de seus times, mas não larga mão da intensidade. E quem costuma marcar muito em suas equipes são os atacantes.
O Brasil de 2014 tinha uma ideia muito clara: a presença de Oscar pelo lado, não apenas pela qualidade no passe, mas também pelo poder na marcação e de roubadas de bola. Lembra do gol de Ronaldo na final de 2002? Quem começa a jogada é ele, mas com uma roubada de bola. Felipão cobra demais que seus atacantes avancem a marcação e roubem a bola na frente. É uma ideia para aproveitar também os momentos de desatenção do adversário.
4-2-3-1, a base de Roger que deve ser aproveitada
O 4-2-3-1 que Roger Machado deixou como base em sua passagem pelo Palmeiras deve ser mantido por Felipão. Afinal, o treinador sempre gostou e montou seus times assim. O já citado Grêmio de 1995, a seleção de Portugal, o Chelsea e o Palmeiras de 2010 a 2012 jogavam assim, com três meias e um centroavante mais fixo. O Guangzhou Evergrande, último clube treinador por Felipão, também jogava assim, com Elkeson na referência e uma linha de meias formada por Xheng Long, Ricardo Goulart e Huang Bowen.
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