sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Cuca no Santos: como foi em 2008 e quais ideias táticas ele tem em 2018

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Técnico Cuca durante treino do Santos em 2018. Foto: Marco Silva/Futura Press

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Por Leonardo Miranda (@leoffmiranda)
Até segunda-feira, havia uma grande dúvida na cúpula de futebol santista: contratar um técnico mais experiente, com mais de 60 anos e com carreira iniciada ainda na década de 1990, ou dar espaço para uma figura mais jovem e antenada com novos métodos de treinamento? O anúncio de Alexi Stival, ou melhor, Cuca como novo treinador santista surpreendeu. Aos 55 anos, ele está no meio termo. É boleiro o suficiente para falar a língua do jogador, mas tático para imprimir sua marca por onde passa. Nos últimos trabalhos, conquistou títulos importantes que dessem o estofo necessário para ser o escudo que o clube da baixada precisava.
O Cuca que chega ao Santos é um treinador no auge de sua maturidade e de dois grandes trabalhos: Palmeiras, onde foi campeão brasileiro, e Galo, onde conquistou a Libertadores. Títulos que acabaram com uma incômoda fama que o acompanhava desde sempre: a de montar times muito bons, mas que falhavam na hora H. Antes do Galo, Cuca tinha apenas 2 títulos estaduais. Seus times jogavam bem e chegavam ao topo da tabela, mas perdiam decisões e jogos importantes.
Passado: time bielsista e passagem relâmpago em 2008
A missão de Cuca no Santos será a mesma quando passou pela primeira vez no clube, em 2008: salvar o time da zona de rebaixamento. Naquele ano, o clube passava por penúria financeira e Leão não conseguiu fazer bom trabalho no primeiro semestre. Após a recusa de Paulo Autuori, Cuca era o nome para salvar o Santos. E seu trabalho foi tão polêmico como relâmpago: durou apenas 14 jogos, com sete derrotas, duas vitórias e quatro empates. Foi o segundo pior desempenho de um treinador no Santos neste século.
Com um elenco jovem e com algumas figuras experientes, como Kleber Pereira e Fabio Costa, Cuca não abriu mão de montar o seu tradicional 3-4-3. De 2003 a 2012, ele implantou esse sistema em praticamente todos os clubes por onde passou. Queria jogadores versáteis e rápidos, que pudessem mudar o esquema de acordo com o momento da partida. No Santos, Rodrigo Souto foi elenco o coringa do técnico: ele era um terceiro zagueiro, mas podia atuar como volante também. Adriano e Michael atuavam no meio-campo, com Tiago Luís – lembra dele? – atuando como um típico camisa 10. Ele se movimentava por todo o campo, não apenas na faixa esquerda. Junto aos laterais Kleber e Apodi, fazia a armação das jogadas para Kleber Pereira, artilheiro no ano, e Maikon Leite concluírem a gol. Veja mais no campinho abaixo:
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Formação de 2008
A inovação no sistema confundiu os jogadores. Fabiano Eller, que estava no Santos na época e ficava no banco, chegou a reclamar da complexidade do sistema. Pesou também o momento complicado que o Santos vivia. Segundo o elenco, um sistema de mais fácil assimilação seria mais aceito por todos. Cuca também teve problemas por conta de Riva Carli, seu preparador físico. O elenco não encarou bem os treinos em três períodos. Após 14 jogos, Cuca pediu demissão.
Presente: encaixes longos, intensidade e mais maturidade
O Cuca de hoje não adota mais esse 3-4-3 à lá Bielsa em seus clubes. No Atlético-MG e no Palmeiras, o sistema mais usado por ele foi o 4-2-3-1. Jô e Gabriel Jesus foram os centroavantes que jogavam de costas para dar suporte a uma jogada preferida do técnico: a bola longa. É de perder de vista o número de gols que o Galo fez num lançamento dos zagueiros que Jô escorou para a chegada de Ronaldinho, Bernard ou Tardelli. O “Galo Doido” era criticado pela loucura com que atacava. No Palmeiras, o time mudou um pouco, mas não deixou a característica de ser uma equipe intensa e muito rápida.
Outra ideia muito clara de Cuca é a marcação por encaixes mais longos. Mas calma aí, vamos explicar o que é. Cuca gosta de uma marcação bem em cima, intensa e sem deixar o adversário livre. Por isso, todo mundo tem uma função clara: pegar o seu e ir até o fim. Nada de marcação por zonas ou uma linha mais formada. No Palmeiras, o zagueiro Mina muitas vezes ia até o meio-campo para encurtar o espaço do atacante rival. O mesmo com Vitor Hugo e Gabriel, ou Thiago Santos, o volante mais pegador.
Essa marcação gerou polêmica por aqui. O Palmeiras muitas vezes jogava mal e sofria para fazer seus resultados. Em alguns momentos, era atacado e esses encaixes davam espaços mortais. A questão era a intensidade. Quando falamos de intensidade, falamos de velocidade, tempo de resposta e concentração. Quando a equipe atuava no limite, os encaixes funcionavam e o adversário não conseguia jogar. Aliás, a intensidade é algo marcante por onde Cuca passa. Lembra do Cruzeiro da primeira fase da Libertadores em 2011? Os times do treinador são competitivos. Lutam, brigam e estão sempre a mil por hora.
Cuca herda um time com meio caminho andado. Jair Ventura costumava escalar “4 atacantes”, mas na verdade, o sistema era um 4-2-3-1. A ideia de ter um quarteto ofensivo com quatro jogadores assim era ter um time que roubava a bola e saía rápido. Cuca deve aproveitar muito bem essa jogada, já que também gosta de equipes reativas e que roubem bem a bola. Também não vai abrir mão de um time intenso e que marca com aqueles encaixes mais longos.
Abaixo, vamos imaginar algumas opções que Cuca tem para montar o time – com reforços e o elenco todo à disposição, é claro. Ele já disse que não irá pedir reforços. Comente o que você acha de todas as opções!
Ruiz, Derlis e Gabigol como a linha de meias no 4-2-3-1
É a opção que reúne o que há de melhor. Falta um 9, posição que Cuca não abre mão, mas Rodrigo vem jogando por lá e coleciona boas atuações. Nesse sistema, Renato precisaria apoiar um pouco mais a linha de meias, que tem em Bryan Ruiz a grande arma para articular as jogadas.
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4-2-3-1
Um losango no meio-campo
Caso Cuca queira mais poder de marcação, a ideia de ter um losango no meio-campo pode ser boa. Renato e Jean Mota podem fazer o papel de volantes meias, com Ruiz mais solto e na ligação do ataque. Rodrigo e Derlis (ou Gabigol, ou Sasha) tem mobilidade e podem voltar junto a um lateral, formando uma espécie de 4-1-4-1 sem a bola.
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Losango no meio
4-1-4-1 mais reativo
Talvez seja a opção que mais agrade Cuca, por reunir três jogadores de imposição física por dentro e três mais móveis perto do gol. Foi assim que o Palmeiras venceu o Brasileirão em 2016. Aqui, Bryan Ruiz atuaria aberto na direita, função que faz na seleção da Costa Rica.
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4-1-4-1
https://esportes.yahoo.com/noticias/analise-tatica-cuca-santos-2018-135621896.html

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