É verdade que a ideia do técnico Fernando Santos não é exatamente atacar o tempo todo. Portugal é uma equipe consciente de suas limitações. E também do poder de decisão de seus melhores jogadores. Mas fica a impressão que era possível fazer mais. Dos pés de Cristiano, saíram quatro gols dos cinco anotados nesta primeira fase. Ricardo Quaresma, conhecido pelos elásticos chutes de trivela, fez uma pintura contra o Irã. Tirando eles, o time pouco frequentou o campo de ataque. O índice de posse de bola dentro da pequena área é irrisório – uma média de parcos 7%.
Se você olhar para o outro lado, irá ver uma equipe parecida, mas mais esforçada. Há tempos o Uruguai busca se reinventar. O meio-campo formado por Vecino, Betancur, Nández e Arrascaeta é leve e muito móvel. Há aí muita qualidade técnica para jogar com linhas avançadas. No tatiquês, é chamado de “propor o jogo” o time que escolhe jogar no campo do adversário. Os dados comprovam – o Uruguai teve uma média de 54% de posse em três jogos.
Suárez, Cavani e a bola parada. A história do Uruguai na Copa do Mundo de 2018 está toda ligada a esse trio (Foto: Getty Images)
URUGUAI
Virtudes:
– Movimentação no meio
– Bola parada
Fraquezas:
– Falta de efetividade
– Fraco lado esquerdo
O ditado diz que velhos hábitos são difíceis de morrer, máxima que define muito bem o Uruguai. Enquanto procura jogar pelo chão, só pelo alto seus arremates encontraram as redes. Foram cinco, todos de bola parada. Nos acréscimos, o escanteio salvador contra o Egito. Mesma jogada que abriu e fechou o placar contra a Arábia Saudita. Contra a Russia, uma cobrança de falta que lembrou Ronaldinho Gaúcho inaugurou a goleada. Fica a impressão que o Uruguai é bem organizado ao atacar, mas só constrói o resultado quando sua conhecida força nos escanteios e faltas dá as caras.
Por isso a pergunta que define o confronto, inédito em Copas do Mundo, é: quem ficará com a bola e irá propor o ataque? A resposta mais provável é o Uruguai. Já classificado contra a Rússia, o time jogou de maneira diferente. O técnico Óscar Tabárez mandou a campo uma formação com um losango no meio-campo. Em números, um 4-3-1-2. A chave estava na qualidade e mobilidade desses volantes. Nández, Vecino e Torreira se apresentavam ao jogo, e Betancur fazia o papel de ligação para a potente dupla de ataque.
Esta pode ser a chave para furar as duas linhas de quatro de Portugal. Na frente, apenas Cristiano Ronaldo e Gonçalo Guedes. Este último se sacrifica na marcação para deixar o craque confortável, só na espera. Cristiano não desapontou quando teve a bola, mas a questão é: quando a terá? E com que qualidade? Os sufocos impostos por Marrocos e Irã ligaram o alerta. A missão de Portugal se dificulta com a fechada defesa uruguaia, que não foi vazada até agora. Não há como um exército de um homem ganhar todas as batalhas.
https://epoca.globo.com/esporte/meia-cancha/noticia/2018/06/uruguai-x-portugal-entre-duas-selecoes-sofredoras-vencera-que-ficar-com-bola.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post
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