COLUNA DO TOSTÃO
Viagem pelo futebol
DE SÃO PAULO
Repito, estou sempre me repetindo, pois, para falar de algo novo, recorro,
com frequência, às origens. No período entre 1974 e 1994, houve uma grande queda
de qualidade no futebol, no Brasil e em todo o mundo.
Uma razão foi, paradoxalmente, o avanço técnico, tático e científico da
seleção de 1970. A partir daí, todos os grandes clubes brasileiros formaram
comissões técnicas, com vários especialistas e com ótimas estruturas
profissionais. Isso foi importante para a evolução do futebol. Esporte é também
ciência.
Mas, durante esse período, entre 1974 e 1994, houve, progressivamente, uma
supervalorização dos técnicos e do jogo físico, tático, defensivo e uma
desvalorização do jogo criativo e da improvisação. Os treinadores e os brucutus
tomaram conta do futebol. O jogo ficou feio, chato e com poucos gols.
Aí, a partir da Copa de 1994, a vitória passou a valer três pontos. Por esse
e por outros motivos, o futebol melhorou, especialmente nos últimos dez, 15
anos.
O Brasil, apenas nos últimos anos, começou a acompanhar essa evolução. O
Corinthians se tornou referência na maneira de jogar. A seleção da Copa das
Confederações poderá ser outro exemplo. Essas equipes seguiram o modelo mundial,
de pressionar quem está com a bola, de diminuir os espaços entre os setores, de
trocar mais passes, de marcar e atacar com vários jogadores. Felipão mostrou que
não é apenas um motivador. Está também atualizado.
O que era raro, anos atrás, agora, escuto, com frequência, treinadores e
jornalistas esportivos falarem de marcação por pressão, de poucos espaços entre
os setores, de volantes que têm bom passe, de posse de bola, de mais troca de
passes, de meias que atacam e voltam para marcar o lateral, como fizeram Hulk e
Oscar. Ouço falarem menos de três zagueiros, marcação individual, alas, jogadas
aéreas, volantes de contenção.
Volto ao período entre 1974 e 1994. Trabalhava e estudava muito. Por falta de
tempo e pelo desejo de ser um cidadão comum, afastei--me do futebol. Por isso,
tive depois, como comentarista, dificuldade de compreender algumas coisas que
aconteceram nesta época.
Procurei me informar, ver filmes, ler livros e aprender com jornalistas que
entendiam do assunto. Mesmo assim, conheço hoje melhor os times, seleções e
jogadores de antes de 1974 e de depois de 1994 do que os entre esses anos.
Após essa viagem pelo futebol, volto ao presente e a Neymar.
A cada dia, tenho mais convicção (não é certeza) de que ele estará,
brevemente, entre os maiores jogadores da história do futebol mundial. Não estou
surpreso. Quando o vi jogar, pela primeira vez, no Santos, escrevi que estava
tão maravilhado quanto na época em que assisti aos primeiros jogos de alguns dos
maiores jogadores da história.
Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do
Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de
descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV
Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos na versão
impressa de "Esporte
Tostão, médico e ex-jogador, é um dos heróis da conquista da Copa do
Mundo de 1970. Afastou-se dos campos devido ao agravamento de um problema de
descolamento da retina. Como comentarista esportivo, colaborou com a TV
Bandeirantes e com a ESPN Brasil. Escreve às quartas e domingos na versão
impressa de "Esporte
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