Kompany condena postura de Mourinho e sai em defesa de Vini Jr. em caso de acusação de racismo
O técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany, trouxe um tom firme ao debate sobre o racismo no futebol europeu. Em coletiva realizada nesta sexta-feira (20), o treinador belga comentou os incidentes do jogo entre Benfica e Real Madrid, defendendo a veracidade da denúncia de Vinicius Jr. e criticando duramente a reação de José Mourinho, comandante da equipe portuguesa.
Kompany, que é um dos raros treinadores negros no topo do futebol mundial, usou sua experiência para validar o sentimento do atacante brasileiro, que acusou o argentino Prestianni de injúria racial durante o duelo da Champions League.
"Reação que não pode ser fingida", disse.
Para Kompany, a forma como Vini Jr. se comportou no Estádio da Luz é a maior prova de que algo grave aconteceu. Ele refutou a ideia de que o brasileiro estaria tentando levar vantagem em uma confusão de jogo.
"Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida. Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a culpa. Naquele momento, ele achou que era a coisa certa a fazer", analisou o técnico do Bayern.
O ponto mais agudo da fala de Kompany foi direcionado a José Mourinho. Após a partida, o técnico do Benfica minimizou o caso ao criticar a comemoração de Vini Jr. e usar a figura de Eusébio, maior ídolo negro do clube português, como uma espécie de "escudo" contra acusações de racismo.
Kompany classificou a atitude como uma falha de liderança e questionou o uso histórico do ídolo do passado para silenciar uma vítima do presente:
"Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança. Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini", disparou o belga.
Em 2021, Kompany viveu o problema na pele. Ele foi alvo de racismo quando treinava o Anderlecht. Sua presença como técnico do Bayern é uma exceção: um levantamento recente apontou que apenas quatro dos 96 clubes das principais ligas da Europa têm treinadores negros.
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A polêmica começou logo após Vini Jr. marcar o gol da vitória do Real Madrid (1 a 0). O brasileiro comemorou próximo a uma torcida organizada do Benfica, o que gerou revolta dos jogadores locais e um cartão amarelo para o atacante.
No entanto, o clima piorou quando o jogo estava parado para o recomeço. Vini Jr. denunciou ter sido chamado de "macaco" pelo jogador Prestianni. O árbitro François Letexier acionou o protocolo da UEFA, paralisando o confronto por 10 minutos sob forte tensão e objetos arremessados no gramado.
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