Quando a escalação sai, é normal pensar que os jogadores de lado vão fazer a clássica jogada de driblar o lateral e finalizar. Não com Sampaoli. Derliz, Jean Mota e Copete quase nunca vão para o lado. Eles ficam como na imagem abaixo: concentrados por dentro, colados na linha defensiva do rival. O item anterior reforça isso: quem fica pelo lados são os laterais.
O objetivo? Aumentar o poder de fogo na área. Atacantes têm maior poder e familiaridade de finalização que meias e volantes. Logo, Sampaoli quer que eles fiquem perto do gol para receber a bola, girar e finalizar. Na imagem acima, você vê que os atacantes se deslocam no sentido de ir para um espaço vazio, justamente para receber essa bola. Veja como é um jogo objetivo, de receber e finalizar, que não envolve um drible ou uma corrida.
Não é só com a bola que o Santos domina o jogo. Nos momentos em que se defende, a equipe é extremamente compacta e intensa. Ninguém fica na frente, todos voltam e garantem que o campo de defesa seja preenchido com 10 jogadores, prontos para recuperar a bola.
Compactação do Santos na defesa — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Diminuir a área de ação do rival. Causar dificuldades, fechar os espaços que o oponente tem para tocar a bola e afastar o máximo possível a bola do gol de Vanderlei. O movimento de afastar a bola do campo merece atenção. Geralmente, o Santos faz isso até o São Paulo dar um chutão. Ou seja: induz o adversário ao erro.
Pressão pós-perda: agredir para retomar a bola
A intensidade que o Santos mostrou contra o São Paulo não é só vontade. Muitas vezes, os atacantes perdiam a bola e tentavam recuperar a bola o mais rápido possível. O conceito aqui é o “pressão pós-perda”. A ideia é que não importa quem: é preciso parar o adversário logo depois dele recuperar a bola, seja na falta, seja na bola.
Pressão após a perda da bola do Santos — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Recuperar a bola o mais rápido possível após perdê-la. O Santos defende bem, mas não gosta de ficar sem a bola. Por isso, entende que ter a bola é o melhor, até para se defender. Afinal, se o rival não tem a bola e não tem tempo para tocá-la, menores as chances dele conseguir chegar ao gol.
Mas não pense que o Santos será uma equipe que quer apenas ficar com a bola. Quando a execução dessas ideias não chega ao resultado desejado, o time entende que precisa lançar de outras armas. Abriu o placar contra o São Paulo numa jogada de bola aérea e fechou o placar num contra-ataque que nasceu de uma bola vinda da defesa. Sampaoli sabe que o futebol é mais diverso e complexo. Por isso, o protagonismo do Santos em 2019 se dará por todos os meios possíveis que o jogo apresenta.
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