Protagonismo e objetividade: as ideias táticas de Sampaoli no Santos
Em 4 jogos, técnico santista já deixa claro seus conceitos para o Santos em 2019
Por Leonardo Miranda
27/01/2019 19h26
/s.glbimg.com/es/ge/f/original/2019/01/09/32802756258_bc3402fbda_o.jpg)
foto: Ivan Storti/Santos FC
Acompanhe o autor no Twitter @leoffmiranda e na página do Facebook
A palavra que mais aparece nas coletivas de Jorge Sampaoli é “protagonismo”. O técnico chegou ao Santos com a ideia de tornar o time dono de todos os jogos, independente do adversário ou competição. O clássico contra o São Paulo, marcado pelo domínio completo do Alvinegro Praiano, é um exemplo de como esse protagonismo funciona.
A imagem abaixo mostra um Santos estruturado para ocupar o campo do rival, ter a posse de bola e usá-la do modo mais objetivo possível. É possível ver vários dos conceitos das equipes do técnico aplicadas no Santos, como a saída com o volante encostando nos zagueiros, o goleiro jogando com os pés e um time que gira mais o jogo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/3/P/dAfXKAT7WjVhV3AVuJnw/primeira-imagem.jpg)
Estrutura tática do Santos — Foto: Leonardo Miranda
Mas você já parou para pensar qual é o objetivo de cada uma dessas ideias? No grande leque de possibilidades que o futebol dá, por que o Alisson precisa infiltrar entre os zagueiros? É apenas para tocar ou existe um objetivo por trás disso? Se imaginarmos o futebol como um jogo de ação e reação, cada movimento dentro da estrutura que Sampaoli propõe tem um objetivo maior: criar situações que sejam favoráveis ao Santos e desfavoráveis ao adversário. Como um jogo de gato e rato.
Abaixo, você lê uma explicação didática dos movimentos do Santos e seus objetivos dentro do jogo:
Saída de três: opções para sair com a bola no chão
Um movimento comum nesse ano é Alisson (e às vezes Pituca ou Sanchéz) recuarem para a linha dos zagueiros. É a chamada “saída de três”, um movimento que ficou famoso com o Barcelona entre 2008 e 2011. O objetivo desse tipo de saída é garantir que o time tenha sempre uma opção de passe contra a marcação do adversário.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/y/c/PP9YcsRTugGAhGqPsABA/saida-de-tres.jpg)
Saída de três do Santos contra o São Paulo — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Superioridade numérica. Basta contar: na imagem, você vê os dois atacantes do São Paulo correndo pra marcar. Se o Santos tem um volante entre os dois zagueiros, mais o goleiro, são quatro opções. Assim, se um adversário vem e pressiona, sempre há alguém livre para escapar da marcação. Outra consequência é que essa saída chama o adversário para seu campo e deixa menos jogadores na defesa.
Amplitude com laterais: prontos para cruzar para a área
Orinho e Victor Ferraz começaram o ano como laterais e quase sempre ficam abertos, no campo de ataque, esperando a bola. O motivo deles atuarem assim é para garantir a chamada amplitude, ou seja, o quanto uma equipe alarga o campo para os lados. É um movimento comum no mundo todo, ainda mais em equipes que prezam pelo protagonismo com a bola como o Santos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/S/h/iPexMaRLGUm9HFZabzQA/amplitude.jpg)
Amplitude do Santos no campo de ataque — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Garantir opções de cruzamento e virada de jogo. Os laterais abertos liberam os meias e atacantes para se aproximar do gol, e assim que recebem a bola, cruzam para a área. Além disso, se eles ficam sempre pelo lado, dão opções para que recebam uma virada de jogo quando a jogada do outro lado não dá certo. Além disso, se a jogada está pela esquerda, o lateral do lado oposto pisa na área e pode finalizar a gol se a bola chega até ele.
Atacantes por dentro: poder de fogo perto do gol rival
Quando a escalação sai, é normal pensar que os jogadores de lado vão fazer a clássica jogada de driblar o lateral e finalizar. Não com Sampaoli. Derliz, Jean Mota e Copete quase nunca vão para o lado. Eles ficam como na imagem abaixo: concentrados por dentro, colados na linha defensiva do rival. O item anterior reforça isso: quem fica pelo lados são os laterais.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/J/a/0CAuBRQ0CD8OxL2YtLpA/atacantes-por-dentro.jpg)
Atacantes do Santos procuram ficar perto da área — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Aumentar o poder de fogo na área. Atacantes têm maior poder e familiaridade de finalização que meias e volantes. Logo, Sampaoli quer que eles fiquem perto do gol para receber a bola, girar e finalizar. Na imagem acima, você vê que os atacantes se deslocam no sentido de ir para um espaço vazio, justamente para receber essa bola. Veja como é um jogo objetivo, de receber e finalizar, que não envolve um drible ou uma corrida.
Compactação na defesa: afastar sempre o perigo
Não é só com a bola que o Santos domina o jogo. Nos momentos em que se defende, a equipe é extremamente compacta e intensa. Ninguém fica na frente, todos voltam e garantem que o campo de defesa seja preenchido com 10 jogadores, prontos para recuperar a bola.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/X/H/9JYPfZSuqp6Z7gdXV8cg/defeasa.jpg)
Compactação do Santos na defesa — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Diminuir a área de ação do rival. Causar dificuldades, fechar os espaços que o oponente tem para tocar a bola e afastar o máximo possível a bola do gol de Vanderlei. O movimento de afastar a bola do campo merece atenção. Geralmente, o Santos faz isso até o São Paulo dar um chutão. Ou seja: induz o adversário ao erro.
Pressão pós-perda: agredir para retomar a bola
A intensidade que o Santos mostrou contra o São Paulo não é só vontade. Muitas vezes, os atacantes perdiam a bola e tentavam recuperar a bola o mais rápido possível. O conceito aqui é o “pressão pós-perda”. A ideia é que não importa quem: é preciso parar o adversário logo depois dele recuperar a bola, seja na falta, seja na bola.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2019/h/S/bPh0B3RBqWMCMqacOaWA/pressao-pos-perda.jpg)
Pressão após a perda da bola do Santos — Foto: Leonardo Miranda
O objetivo? Recuperar a bola o mais rápido possível após perdê-la. O Santos defende bem, mas não gosta de ficar sem a bola. Por isso, entende que ter a bola é o melhor, até para se defender. Afinal, se o rival não tem a bola e não tem tempo para tocá-la, menores as chances dele conseguir chegar ao gol.
Mas não pense que o Santos será uma equipe que quer apenas ficar com a bola. Quando a execução dessas ideias não chega ao resultado desejado, o time entende que precisa lançar de outras armas. Abriu o placar contra o São Paulo numa jogada de bola aérea e fechou o placar num contra-ataque que nasceu de uma bola vinda da defesa. Sampaoli sabe que o futebol é mais diverso e complexo. Por isso, o protagonismo do Santos em 2019 se dará por todos os meios possíveis que o jogo apresenta.
Acompanhe o autor no Twitter @leoffmiranda e na página do Facebook
https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2019/01/27/protagonismo-e-organizacao-as-ideias-taticas-de-sampaoli-no-santos.ghtml?fbclid=IwAR0_WUdMzCfECvx7a8vmopFw25f_rTxrhG1SOoJ0ztiMOlLMqrrMxvSxE_0
0 comments:
Postar um comentário