Os muitos problemas do Manchester United para propor o jogo
Contra equipes mais fechadas, a equipe mostra poucas ideias com a bola, como lentidão nos passes no ataque e Pogba longe do gol.
31/08/2019 13h58
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foto: Getty Images
A goleada na estreia da Premier League, contra o Chelsea daria a impressão que o United faria uma temporada mais tranquila. Impressão. O time repete os problemas de abril e maio e entra em pane contra times mais fechados, o que já custou os últimos dois jogos do nacional e uma considerável distância para os protagonistas Liverpool e City.
Solskjaer, seguindo a filosofia de Ferguson, promove não apenas um rodízio, mas protagonismo da base no time. Contra o Southampton, Daniel James novamente teve boa atuação, dessa vez com Lingard no banco e um 4-2-3-1 no time inicial, com Mata centralizado e Rashford na referência, como na imagem. O estilo de jogo? Sempre reativo. Roubar a bola e explorar os espaços. Da defesa, passes mais verticais e muito contra-ataque. O elenco pede isso, já que Rahsford, Lingard e Pogba são jogadores que gostam de espaços para conduzir e aparecer de surpresa.
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United jogou no 4-2-3-1 contra o Southampton — Foto: Leonardo Miranda
Só que espaço à vontade não é o cenário que o time costuma enfrentar. Todo mundo joga contra o maior vencedor da Premier League fechadinho, “dando a vida”. Por isso o United precisa furar retrancas, desafio que Van Gaal sabia muito bem, que Mourinho solucionou de outras formas e Solskjaer tenta achar o modo.
O principal problema é a dinâmica da construção
A ideia para que o time construa suas jogadas ofensivas é ter Pogba mais perto da defesa, fazendo a saída de três junto aos zagueiros. McTominay aparece como elo de ligação para que os atacantes busquem a flutuação por dentro, e junto aos laterais, recebam a bola já no campo de ataque. Até aí tudo muito lógico, mas falta movimento. O time faz o desenho e não o cumpre. A movimentação desses meias é sempre distante da bola, como na imagem, e McTominay frequentemente não busca sair da marcação e preencher um espaço vazio para dar prosseguimento na jogada.
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Meias distantes da bola quando o time ataca — Foto: Leonardo Miranda
Contra o Crystal, escalação e adversários diferentes, mas o mesmo problema. O United constrói com Pogba mais recuado, os zagueiros avançam para empurrar o time e os meias vem e buscam a bola. Aqui é Rashford que aparece livre, exatamente como manda o manual.
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Veja que Rashford aparece livre. Ele é a melhor opção para passar a bola — Foto: Leonardo Miranda
E Maguire escolhe de forma pobre seu companheiro de jogo. McTominay estava entre dois adversários, que sabidamente agem para encurtar o espaço do volante. Lhe tiram o tempo de jogar curto, e Rashford passa a ficar marcado e não mais livre. Esse lance é um claro exemplo do que o United tem uma ideia, mas ainda não sabe executá-la. Tudo vem da cabeça: o time ainda precisa “pensar para jogar”. Por isso é lento, porque não faz tudo de cabeça, quase que automático. E isso só vem com o tempo - que foi negado a Moyes e dado a Van Gaal e Mourinho.
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Tocando pra McTominay, time não consegue furar as linhas rivais — Foto: Leonardo Miranda
Sem rapidez, United força o jogo pelos lados
A linha de defesa dos times sempre estão protegendo a área, e forçar o jogo por ali aumenta as probabilidades de encontra uma bola que passe imune à essa marcação. Por isso é tão difícil jogar por dentro. Com essa frente da defesa fechada e sem conjunto nos passes, o United força o jogo por fora, com os laterais. Veja o mapa de passes do time no ataque, no jogo contra o Southampton. Azuis são os passes certos, vermelhos os errados e amarelo é a assistência. Veja como há um clarão na frente da defesa, justamente a área de finalização.
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Mapa de passes contra o Southampton — Foto: Leonado Miranda/Stats Zone
A mesma coisa se repete contra o Crystal Palace, um jogo em casa. Bate a pressão, o time se sente obrigado a vencer e essa ansiedade custa mais erros - veja quantos passes errados para a área! E ainda há um bolo azul pelos lados, que é esse jogo curto de lateral pra ponta, sem sentido. É justamente o passe falso que Guadiola pedia para que Daniel Alves não desse a Messi….
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Mapa de passes contra o Crystal Palace — Foto: Leonado Miranda/Stats Zone
Pogba, longe da área, é o construtor do jogo?
Campeão da Copa do Mundo sendo decisivo, decisivo no último título do United, a Liga Europa, não há dúvida que Paul Pogba é o melhor jogador do United. Ou ao menos o com mais nome. Mas Solskjaer vem tirando ele de onde costumava brilhar na Juventus e com Mourinho, que é a zona de chegada. Esse clarão dos mapas acima poderia ser resolvido com a perigosa infiltração do francês, que Solskjaer sinaliza que será menos frequente porque ele é o primeiro volante: aproxima dos zagueiros, pensa o jogo de frente e tem como missão construir.
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Pressão feita em Pogba — Foto: Leonardo Miranda
No primeiro tempo contra o Southampton ele foi o pior em campo: 16 toques na bola, 9 bolas perdidas. Se o United já é um time distante, imagina quando o jogador não tem o controle ou virada para manter a bola…ele foi presa fácil para a marcação e não conseguiu encaixar nenhum passe mais direcionado aos homens de frente, que são chamados de passes verticais.
O United já teve tantos problemas. Era Moyes, Van Gaal, Rooney, Falcao, as lesões de Ibra, a defesa, Smalling, a defesa ou Smalling de novo. Parece até time brasileiro. Dessa vez, os reforços de Wan-Bissaka e Maguire reforçaram o setor mais carente, que era a defesa. Mas aí a diretoria permite as saídas de Lukaku e Sanchéz para a Inter, e hoje o United tem um elenco carente e subaproveitado. Um ano que requer soluções táticas e uma certa calma: a reconstrução pós-Ferguson não tem nada para acabar.
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Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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