Internacional redefine o que é maturidade de jogo em grande atuação no Mineirão
Com um modelo bem executado, o Colorado controlou o Cruzeiro no jogo e mostrou que tem variações com as substituições feitas por Odair Hellmann.
08/08/2019 10h05
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foto: MAX PEIXOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Se você já abriu o Facebook ou visitou o perfil daquela tia que está aprendendo a usar o Instagram, certamente viu diversas frases motivacionais, geralmente com um fundo de mar ou por-do-sol. Esses ensinamentos falam sobre focar no presente, se altruísta, entender limitações, ser objetivo e menos preocupado. Foi exatamente o que o Internacional fez contra o Cruzeiro, na Copa do Brasil.
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Antes da bola começar o Inter já mostrou maturidade ao definir sem dramas o substituto de D’Alessandro: Rafael Sóbis. Odair Hellmann está há 21 meses na equipe e tem um profundo conhecimento sobre o que cada jogador pode ou não entregar dentro do modelo de jogo proposto no Colorado. Com Sóbis aberto pela esquerda do 4-1-4-1 que é base do time, a equipe ganharia poder de reação e presença de área nos momentos com a bola.
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Internacional no 4-1-4-1, com Sóbis e Nico nos lados — Foto: Leonardo Miranda
Uma característica que casa com o jogo, com o adversário e com a situação. Não dizem que maturidade é se conhecer a ponto de saber dizer não? O Inter disse “não” para a principal qualidade do Cruzeiro, que eram as jogadas em velocidade procurando as infiltrações de Pedro Rocha ou Sassá. Como fez isso? Entendendo que o Cruzeiro gosta de atacar de forma rápida e leva perigo quando Robinho flutua e recebe de Ariel Cabral. Era preciso evitar essa conexão.
A segunda linha do meio-campo foi perfeita sem a bola. O Inter marca por zona, mas para deixar a marcação mais agressiva, o time usa encaixes bem definidos no setor. Nico, Edenílson, Patrick e Sóbis cuidam de um setor quando o time está lá atrás. Se um adversário, qualquer um, entra nesse setor, quem cuida daquela zona deve avançar e tirar não apenas o espaço, mas o tempo para a jogada ser feita. A primeira ordem é não deixar a bola avançar, como Edenílson faz com Cabral aqui. Perceba que ele está mais avançado que Guerrero, mas é porque entrou numa zona na qual o time identificou que ele pode levar perigo.
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Edenílson fazendo o encaixe em Ariel Cabral — Foto: Leonardo Miranda
Aqui, o Robinho vem buscar a bola quase na mesma linha e o mesmo acontece, só que com outro jogador, Patrick. Dois jogadores se movimentando com o mesmo conceito na cabeça. Isso se chama entendimento de jogo. E só é possível graças ao tempo que Odair teve para colocar essa ideia, com os prós e contras que toda ideia tem no futebol, nos treinos e nos jogos. Lembra quando se falava que o Inter jogava mal fora de casa? Essa postura mais agressiva nos encaixes é fruto do diagnóstico de um problema. Diagnosticado, o treinador pensa em treinos e conteúdos para que os jogadores mudem seus comportamentos. Não dizem que maturidade é quando você sofre para sorrir depois?
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Patrick faz a mesma coisa, na mesma faixa de campo — Foto: Leonardo Miranda
Com a bola, o Internacional foi muito rápido. Acelerava muito o jogo a partir da intermediária, com Edenílson e Patrick 'pisando a área", ou seja, se apresentando para finalizar na mesma linha dos atacantes. É impressionante como eles são o motor de jogo desse Inter: fundamentais sem a bola, eles também são os grandes armadores, uma qualidade que Edenílson vem aprimorando, e também são fundamentais para levar o time para frente e conseguir tabelas rápidas que arrastem os zagueiros e abram espaços para Guerrero concluir.
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Internacional chegando no ataque — Foto: Leonardo Miranda
"O uso da estratégia hoje foi excelente. O Cruzeiro teve um pouco de imposição nos primeiros 15, 20 minutos, mas sem criar situações perigosas. Depois dos 18 minutos, a gente estabilizou nesse sentido. No segundo tempo, a equipe conseguiu ter a bola, fazer o contra-ataque. Foi criando situações. A gente criou três situações perigosas de gol. Uma entrou. Dentro desse contexto, merecíamos o gol. Merecemos a vitória." - Odair Hellmann, na coletiva após o jogo
O Cruzeiro foi melhor do que o Inter nos quinze minutos iniciais de cada tempo. Quando a pressão psicológica e a ansiedade passaram, o jogo de desenhou a favor do Inter, que controlou boa parte das ações e permitiu poucas finalizações. Lomba fez apenas uma defesa no jogo, e o Cruzeiro teve apenas 12 finalizações, sendo 5 erradas e 6 travadas.
Em momentos da primeira etapa e na segunda o Inter também teve a bola e trabalhou seu ataque para chegar na área do Cruzeiro. Não falam que maturidade é saber o que fazer na hora certa? Na ausência de D’Ale, quem atuou como o ponta que flutua e busca a bola da zaga e de Lindoso foi Nico López. Na imagem você vê esse desenho bem claro, com Patrick e Edenílson entre as linhas do Cruzeiro para receber e acelerar. É o padrão do Inter com a posse, mais visto no Beira Rio, e que também vem sendo uma postura mais agressiva do time fora de casa.
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Internacional fazendo a saída de três com Nico mais recuado — Foto: Leonardo Miranda
Um exemplo é aquela tabela em velocidade entre Edenílson e Wellington Silva, além do gol que foi produzido a partir de uma bola parada. Afinal, se a bola parada é um momento no qual a organização do time muda e há uma referência técnica como Guerrero, ter maturidade é saber aproveitar esses momentos.
Ontem, Odair completou 100 jogos pelo Inter. Um feito raro e emblemático por si só. Mas ainda mais pra quem nunca havia comandado uma equipe antes, nem mesmo na base.
Ele não está há 20 meses no cargo. Ele tem 20 meses de carreira como técnico.
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Favorito para passar não apenas para a final, mas para vencer o primeiro título nacional desde 1992 - quando ganhou a Copa do Brasil com o delegado Antônio Lopes no comando - o Internacional foi sobretudo maduro no Mineirão. Assim como nossa vida, uma realidade apenas quando o tempo passa e os erros vão ficando para trás.
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