segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Armação e elemento surpresa: a estreia de Daniel Alves como meia no São Paulo

Camisa 10 atuou como um típico meia, partindo da direita e flutuando o campo todo. Entenda a movimentação.

18/08/2019 19h41 
Armação e elemento surpresa: a estreia de Daniel Alves como meia no São Paulo
foto: Marcos Ribolli 
A camisa 10 que Daniel Alves vestiu foi uma representante digna do que se viu em campo. O craque da seleção fez o único gol da vitória contra o Ceará num jogo que o São Paulo teve bastante dificuldade, o que já é notável, e jogou como um autêntico meia. Era dele os passes que faziam o São Paulo se organizar no ataque, uma necessidade pela postura do Ceará - só no primeiro tempo foi 67% de posse de bola do Tricolor.
Mapa de calor mostra concentração pela direita papel de ligação entre ataque e defesa — Foto: Sofascore
Mapa de calor mostra concentração pela direita papel de ligação entre ataque e defesa — Foto: Sofascore 
O esquema tático do Tricolor foi o 4-3-3. O meio-campo teve Tchê Tchê como primeiro volante e Liziero e Daniel Alves alinhados, indo de área a área. A imagem abaixo mostra o time se defendendo com esse desenho, confirmado por Cuca na coletiva pós-jogo: “O Daniel Alves jogou de lado hoje, pouco veio buscar. Hoje foi ele na meia direita e o Liziero foi meia esquerda. A ideia era que eles buscassem a bola, girassem o tempo todo”, relata.
Na defesa, o 4-3-3 do São Paulo ficou bem evidente — Foto: Leonardo Miranda
Na defesa, o 4-3-3 do São Paulo ficou bem evidente — Foto: Leonardo Miranda 
O esquema tático é o ponto de partida das movimentações dos jogadores em campo. Ele desaparece quando a bola rola. No jogo, o que importa são os conceitos e as ideias que o treinador coloca - e claro, o que o adversário faz. Daniel Alves percorreu todo o campo com a bola. A intenção era pensar o ataque: escolher quem deveria receber o passe, organizar a movimentação de quem estava de frente e decidir qual seria a velocidade da jogada: rápida ou lenta? Passe para frente ou para trás? Todo esse leque de decisões fez Dani frequentar mais o centro do campo, se colocando centralizado para ter uma visão mais ampla de onde os companheiros estavam.
Daniel Alves mais centralizado, ou indo da direita para o centro, com a bola — Foto: Leonardo Miranda
Daniel Alves mais centralizado, ou indo da direita para o centro, com a bola — Foto: Leonardo Miranda 
Ele fazia isso tanto nos momentos que o São Paulo iniciava suas jogadas, na qual a ordem era que Tchê Tchê buscasse a bola entre os dois zagueiros para que os laterais avançassem e ficassem mais fixos ao ataque, como nos momentos que seu time chegava ao ataque. Nesse momento, a ideia era preencher a área com muitos jogadores para que o cruzamento fosse feito. Dani se apresentava ao jogo com o corpo de frente para o gol, como nesse lance abaixo.
Chegada do São Paulo no ataque com Daniel Alves na intermediária — Foto: Leonardo Miranda
Chegada do São Paulo no ataque com Daniel Alves na intermediária — Foto: Leonardo Miranda 
Mas lá pelos 35 minutos, o Ceará estava melhor. O São Paulo tinha muita posse, trocava muitos passes, mas a bola “ia e voltava”. Como resolver isso? Com Daniel, é claro. “Tivemos a infiltração do Daniel no lance do gol, chegando como elemento surpresa. Ele é esse jogador versátil e pensamos em colocá-lo sempre perto do gol”, explicou Cuca após o jogo.
O lance do gol foi uma infiltração no momento certo do Daniel. E meio lance foi de Juanfran. Observe na imagem como a defesa do Ceará está organizada. Tem um buraco entre o zagueiro e o lateral, naquele espaço circulado, certo? Não há mais nenhum espaço que possa ser aproveitado. Ao invés de cruzar ou tocar pata Antony, que estava passando, o espanhol dá um passe bem na brecha que apareceu. Um passe tão rasteiro e rápido que os defensores erram o tempo de corte, Raniel consegue pegar e ajeitar para Daniel.
Passe no espaço certinho de Juanfran para gol de Daniel Alves — Foto: Leonardo Miranda
Passe no espaço certinho de Juanfran para gol de Daniel Alves — Foto: Leonardo Miranda 
O sistema não alterou com a entrada de Luan no lugar de Liziero. Aí quem foi para a meia esquerda foi Tchê Tchê. Cuca parece ter definido o 4-3-3 desde as fases finais do Paulista, algo salientado pelo posicionamento de Pato sempre aberto pela esquerda, e Daniel Alves não apenas acrescenta muita qualidade, mas também possibilita mudanças na mesma partida. “Hoje, se não fosse o gol, eu ia fazer uma alteração tática, colocando ele na ponta direita e trazendo o Antony como segundo atacante. Achei desnecessário depois do gol e conseguimos segurar no decorrer do jogo”, finaliza Cuca.
O São Paulo não perdeu depois da Copa América e a estreia com estrela e gol de Daniel Alves só reforça o bom trabalho de Cuca nesse ano. Como um bom meia pensador do jogo.

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