Se Jesus der certo no Fla, incomodará críticos de Sampaoli
Técnico do Santos é o que melhor une desempenho e resultado
No futebol brasileiro, aumentaram as bem-vindas discussões sobre desempenho e resultado e sobre as estratégias usadas pelos treinadores, algumas, modernas e eficientes, e outras, obsoletas, viciadas.
Não podemos perder o senso crítico nem o bom senso. Uma situação é a desconexão, esporádica ou em poucas seguidas partidas, entre o desempenho e o resultado. Outra é a falada desvinculação, mesmo a médio e longo prazo, às vezes, em todo o campeonato, entre jogar bem e ganhar. Isso não existe. Times que conseguem grandes resultados, por um tempo maior, possuem também ótimo desempenho.
O Palmeiras, por ter ficado 33 jogos sem perder no Brasileiro, teve, obrigatoriamente, na média, um ótimo desempenho, de acordo com suas características, que podemos gostar ou não. Prefiro outro estilo. Nas vitórias, tão ou mais importante que o conceito e as características de jogo é a capacidade de os jogadores executarem bem o que foi planejado.
Já o Fluminense, dirigido por Fernando Diniz, independentemente do jogo de terça, contra o Peñarol, pela Copa Sul-Americana, assim como era o Athletico, comandado pelo mesmo treinador, tem resultados ruins, por um bom tempo, porque, ao contrário do que ouço todos os dias, o desempenho é também fraco. Jogar bem não é apenas trocar passes e ter muita posse de bola. Falta equilíbrio, melhor marcação, pois os defensores, raramente, são protegidos por três ou quatro do meio-campo, e ataques eficientes, pelo pouco número de infiltrações na área.
Evidentemente, desempenho e resultado têm a ver com qualidade individual. O Fluminense tem um elenco mediano, porém, superior a várias equipes que estão à sua frente no Brasileiro. Poucos times têm uma dupla, como Ganso e Pedro.
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No Brasileiro, Sampaoli é, até o momento, o técnico que melhor une desempenho e resultado e que joga futebol de uma maneira prazerosa, com muitas variações táticas, mesmo com um elenco pequeno e inferior ao de vários outros grandes do Brasil. Sampaoli não é um bom técnico porque é estrangeiro. Ele é bom, porque é criativo, ousado e inquieto, embora sua agitação, às vezes, prejudique o desempenho do time.
Alguns treinadores brasileiros estão incomodados com Sampaoli. Ficarão ainda mais se Jorge Jesus der certo no Flamengo. É uma mistura de ambição com inveja, dois sentimentos habituais e compreensíveis, desde que não prejudiquem ninguém e não atinjam níveis inaceitáveis e antiéticos. Parafraseando Caetano Veloso, "de perto, ninguém é santo".
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