Falta de mobilidade e proteção da defesa: os motivos do Fluminense perder tantos pontos
Equipe de Fernando Diniz tem muita posse de bola e quase sempre domina seus jogos, mas tem poucos movimentos para furar as defesas adversárias e sofre com contra-ataques.
16/07/2019 13h25
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foto: Mailson Santana
“O que mais incomoda no nosso time é a gente criar e não concluir em gol”. É assim que Fernando Diniz resume o sentimento do torcedor do Fluzão desde março, quando apesar das dificuldades financeiras, a equipe começou a mostrar sua cara: ofensiva, ocupando o campo de ataque e rodando a bola do goleiro até o atacante. O problema é que a equipe finaliza muito mal - e para piorar, vem levando muitos gols.
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Os números mostram que o Fluminense teve 23 finalizações no empate de 1 a 1 contra o Ceará, nesta segunda (15). Apenas 7 certas, o que resulta num aproveitamento de 30%. Essa é, inclusive, a média de finalizações dos últimos cinco jogos, no qual o time fez apenas 4 gols. Em apenas uma oportunidade o Fluminense conseguiu ter um aproveitamento próximo de metade das chances criadas, contra o Cruzeiro, na qual heroicamente levou o duelo para os pênaltis.
Aproveitamento de finalizações nos últimos cinco jogos
| Adversário | Finalizações | Finalizações no gol | Aproveitamento |
| Ceará | 23 | 7 | 30% |
| Chapecoense | 10 | 3 | 30% |
| Flamengo | 18 | 6 | 33% |
| Cruzeiro | 12 | 5 | 42% |
| Athletico | 9 | 2 | 22% |
O problema começa na falta de mobilidade. O ataque sempre está espetado na frente, perto da linha defensiva. No meio-campo, apenas Ganso dá um toque de mobilidade e chama os marcadores, com Yuri mais recuado entre os zagueiros. Diante desse cenário, os adversários se sentem mais confortáveis em recuar, fechar a área e sair em velocidade.
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Fluminense em boa parte de 2019: no campo de ataque, mas com pouca gente livre — Foto: Leonardo Miranda
É como se o Fluminense criasse sua própria retranca, ao invés de quebrar a que o adversário apresenta
Vamos explicar didaticamente como se dá essa “auto-retranca”. No início das jogadas ofensivas, quando a bola está saindo do meio-campo do Flu e indo ao ataque, o desenho é claro: Yuri afunda entre os zagueiros para que os laterais Gilberto e Caio Henrique possam ir mais à frente. O restante do time avança pra receber a bola lá na frente, perto do gol. Ofensivo, futebol bonito, não? Veja a imagem abaixo e pense: quem está livre para receber o passe dos zagueiros e dar continuidade à jogada? Há um clarão imenso no meio-campo, e logo atrás, metade do time do Ceará fechando a conexão entre os atacantes. Ganso, que assim como Nenê foi contratado para pensar a jogada, está longe. Quando ele não se movimenta para buscar a bola, o Fluminense simplesmente não consegue construir.
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Buraco no meio-campo quando Daniel ou Ganso não se movimentam — Foto: Leonardo Miranda
Com o time tão avançado assim, o Flu toca, gira…e quase sempre não consegue furar o bloqueio. O ataque composto por Pedro, Yony e João Pedro vai para a área, na cola dos zagueiros. Os laterais ficam abertos, e Daniel e Ganso se revezam entre avançar e recuar. Ninguém se movimenta nos espaços que os adversários deixam, o chamado espaço entrelinhas. A lógica de ocupar o vácuo entre as linhas do adversário é ficar livre para receber a bola e criar dúvida no outro lado: o defensor deve sair para acompanhar ou ficar no espaço? No lance abaixo, apenas João Pedro se desloca para receber a bola. Muito pouco.
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Fluminense com poucos movimentos entrelinhas — Foto: Leonardo Miranda
Quando há poucos movimentos nesse sentido, o jogo fica pouco vertical, zagueiros geralmente conseguem espanar as bolas que chegam e sobram os cruzamentos para a área. É a principal forma de concluir as jogadas do Fluminense de Fernando Diniz. Seja pelo alto, arma que ficou forte com a volta de Pedro, ou o cruzamento rasteiro, geralmente pelo lado. O time consegue fazer alguns gols assim, mas muitas vezes falta movimentação para sair do setor no qual os zagueiros conseguem chegar e ficar livre para finalizar.
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Cruzamento para a área é a principal arma de ataque — Foto: Leonardo Miranda
Na imagem abaixo, você consegue contar sete jogadores do Fluminense no ataque. Parece ofensivo…mas e se essa bola não for finalizada? E se o Ceará (ou qualquer outro time, pequeno ou grande) conseguir retomar a bola e avançar? O resultado é um espaço imenso, coberto por apenas três jogadores. Apesar de muitas vezes pressionar e conseguir “matar” a jogada antes de virar contra-ataque, o Fluminense corre riscos demais. E leva gols demais. Imagens como a abaixo, com o adversário saindo e pouquíssimos jogadores do Flu defendendo a área, são comuns. E vem rendendo pontos perdidos.
O Fluminense tem a pior defesa da Série A, com 17 gols tomados em 9 partidas - quase 2 por partida
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Transição defensiva muitas vezes é lenta e prejudica o time — Foto: Leonardo Miranda
O Fluminense vive um momento financeiro complicado, e o torcedor já aceitou - e abraçou - a ideia de que a meta do time é não cair. Não há problema em admitir isso. Mas o time tem uma ideia de jogo tão bem aceita pelos jogadores que pode sonhar em conquistar uma vaga na Sul-Americana e conseguir um campeonato mais seguro se traduzir a posse de bola e a divertida troca de passes em mais gols e mais movimentação. Será que Nenê conseguirá resolver esse problema? Dor de cabeça para Diniz.
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Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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