De lateral a camisa 10, Dani Alves mostra que futebol se joga com a cabeça em atuação memorável
Numa noite histórica, Daniel Alves mostrou inteligência tática acima do normal e ajudou o Brasil na vitória contra a Argentina. Leia a análise.
03/07/2019 12h07
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foto: Washington Alves/Reuters
Em alguns anos, provavelmente a atuação de Daniel Alves contra a Argentina - o Brasil ganhou o jogo por 2 a 0 - estará na lista das melhores atuações de um lateral com a amarelinha. Dani fez de tudo. Participou do primeiro gol pensando toda a jogada, fechou a defesa como um verdadeiro cão de guarda e colocou os companheiros para jogar com passes certeiros.
Daniel Alves foi o jogador do Brasil que mais acertou passes (70) e o que ganhou mais enfrentamos com outro jogador (12)
O segredo não está nos pés, mas na cabeça. Desde que saiu do Barcelona, em 2015, Dani vem mostrando uma inteligência acima da média para criar e resolver as situações que se apresentam.
Porque o jogo nada mais é do que uma série de problemas que os jogadores devem resolver em poucos segundos. O bom jogador é aquele que toma as decisões que irão criar as melhores condições para os times, não aquele que tem mais recursos com a bola ou um drible potente.
Porque o jogo nada mais é do que uma série de problemas que os jogadores devem resolver em poucos segundos. O bom jogador é aquele que toma as decisões que irão criar as melhores condições para os times, não aquele que tem mais recursos com a bola ou um drible potente.
Um exemplo é a jogada do primeiro gol. Ela começa com Daniel Alves mais ao centro, recebendo a bola e pensando o jogo de frente. Ele toca a Coutinho, que perde a bola. No momento que o GIF começa, Dani tem duas decisões que pode tomar: dá um pique pra encurtar o espaço do adversário e tenta roubar a bola, ou começa a correr para trás para preencher a lacuna na defesa? Ele decide pelo primeiro, e depois de dois dribles magistrais, tem mais decisões a fazer: faz um cruzamento para Gabriel Jesus ou toca para Firmino, que abriu lá pelo lado direito e está livre?
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Gif Daniel Alves gol Brasil seleção brasileira Argentina — Foto: Reprodução/TV Globo
A inteligência ao servir companheiros nem sempre foi o forte de Dani. Ele explicou numa entrevista recente que mudou um pouco a maneira de jogar quando percebeu que os pontas começaram a ficar mais abertos, preenchendo o espaço que normalmente era do lateral. Faria mais sentido jogar mais por dentro. Assim poderia prolongar a carreira, correndo apenas na faixa central, e também teria um leque maior de opções para jogar: é pelo centro que meias, volantes e atacantes estão perto.
Sou muito consciente do que posso dar dentro e fora de campo. Tive que me reinventar porque o futebol se reinventou, não se joga mais com laterais apoiando o tempo todo. As seleções jogam com pontas, consegui entender isso muito rapidamente. Hoje, jogo da maneira que sempre pensei que deveria, na criação e a serviço dos companheiros -
Exemplo: nessa jogada, Gabriel Jesus está aberto pelo lado. Éverton também está aberto do outro. São dois dribladores, que podem receber a bola e partir para cima dos laterais da Argentina. O espaço que sobra para Daniel Alves é o centro. Com a aproximação de Arthur e Coutinho, ele é o grande regente dos ataques da seleção, moldando as movimentações dos companheiros e tocando para quem estiver nas melhores condições de receber.
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Daniel Alves triangulando com Arthur e Gabriel Jesus no meio-campo — Foto: Leonardo Miranda
Minha posição não deveria se chamar lateral-direito, e sim amigo de todos. Acredito que consegui captar as mensagens que o futebol foi mandando para jogadores da minha posição, me considero um jogador inteligente nesse aspecto - Daniel Alves, em entrevista coletiva
Tite vem percebendo essa evolução de Daniel Alves e mudou um pouco a seleção desde 2016 justamente para encaixar esse potencial. Antes da Copa, Willian já ensaiava um posicionamento mais aberto, dando a Dani a chance de ficar mais por dentro. A lesão antes da Copa e o sofrimento do Brasil para criar mostrou o quanto o time precisa dele. Nesse ciclo pós-Copa, Tite achou Jesus como esse ponta que pode combinar sempre com Daniel, mas também mudou a forma como a seleção sai ao ataque.
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Mapa de calor de Daniel Alves: presença pelo lado e pelo centro — Foto: Sofascore
Ao invés da "saída sustentada" com muita gente perto, agora é Daniel quem fica mais por dentro, quase no círculo central. Alex Sandro ou Filipe Luís guardam mais o posicionamento, fazendo a seleção ter sempre três jogadores e Casemiro próximos da defesa, caso algo dê errado. Veja como Dani procura ocupar espaços vazios no centro. Além de receber a bola perto dos volantes, ele também permite que Arthur fique mais à frente, perto da defesa do rival.
Saída sustentada do Brasil — Foto: Leonardo Miranda
Na defesa, Dani é lateral. Aí não tem conversa. Ele tem como obrigação fica alinhado com Marquinhos e Thiago Silva, sempre numa linha de quatro defensores bem visível aos olhos. É o momento que o esquema tático pode ser visto, o 4-1-4-1, como na imagem.
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Daniel Alves na linha defensiva — Foto: Leonardo Miranda
Como é bom presenciar a maturidade e o auge daquele que é talvez o melhor lateral-direito que a Seleção já teve. Nas palavras do próprio Dani, ele é a combinação da técnica de Jorginho ou de Carlos Alberto Torres com a raça de Cafu. Jogador histórico que merece, mais do que nunca, um título de Copa do Mundo com a seleção. Será em 2022?
Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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