segunda-feira, 24 de junho de 2019

Vantagem no placar, o cenário perfeito para o Brasil fazer valer sua ideia de jogo

Gol de Coutinho logo aos 11 minutos do primeiro tempo deu calma para o time se impor

São Paulo 23/06/2019 12h54 
Vantagem no placar, o cenário perfeito para o Brasil fazer valer sua ideia de jogo
foto Bob Paulino/BP Filmes 
Até os 11 minutos do primeiro tempo, o Brasil fazia seu pior início de jogo na Copa América. Não conseguia trabalhar a bola e sofria com os deslocamentos de Guerrero. O Peru é o adversário mais qualificado do grupo, e a dificuldade era mais que normal. Depois do gol de Casemiro, um novo time. Rápido, leve, “ousado” como pedem as sempre pesadas cornetas.
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Melhores momentos: Peru 0 x 5 Brasil pela 3ª rodada da fase de grupos da Copa América
Num esporte com diversos eventos, o gol é o mais importante deles - e tende a afetar todo o funcionamento do jogo e os comportamentos dos jogadores.
Fazer o gol primeiro significou ao Brasil condicionar o duelo ao controle da partida, escolhendo o que fazer e como fazer. Sem esse controle, a seleção - e o futebol brasileiro como um todo - tende a desmoronar. O efeito em campo é perceptível: os jogadores de frente tendem a “espetar” na área, criando um buraco no meio-campo. Zagueiros e volantes ficam com medo de avançar, e sobra a bola longa como único meio de criar jogadas.
O (Carlos) Queiroz falou no jogo Colômbia x Catar, no sentido de quando faz gol no início, adversário tem que propor situação diferente e abre espaços. Tem esse componente. Quanto é, não sei - Tite
É a mesma ideia de jogo e o mesmo esquema tático de sempre. A diferença está na execução. Um exemplo é essa jogada. Aqui Coutinho e Arthur flutuam e buscam ocupar um espaço vazio, criando linhas de passe para Casemiro. Você também pode ver Dani Alves e Filipe Luís mais fechados, perto do centro do campo. Era a mesma ideia contra a Venezuela, mas muitas vezes Coutinho preferia ficar mais acima para receber a bola e levar rápido para a área. O placar estava no zero. Hoje, sem esse peso, ele escolhe gastar mais tempo para flutuar e buscar a bola.
Brasil saindo para o jogo com mais proximidade — Foto: Leonardo Miranda
Brasil saindo para o jogo com mais proximidade — Foto: Leonardo Miranda 
A imagem também deixa claro como a entrada de Jesus e Éverton mudou o time. Os dois estão abertos, colados nos laterais adversários. Guardam o posicionamento quando a bola está lá atrás, sendo trabalhada. Isso provoca dois efeitos: o time ocupa mais espaços em campo, porque tem sempre dois jogadores na cola dos laterais adversários, e dá a chance deles receberem a bola já próximos ao gol, podendo levar para dentro e chutar. Adivinha como sai o gol de Éverton? Numa jogada na qual a bola é trabalhada com os laterais por dentro e termina no ponta.
Éverton e Jesus ficaram nas pontas — Foto: Leonardo Miranda
Éverton e Jesus ficaram nas pontas — Foto: Leonardo Miranda
O esquema é o mesmo. Não teve mais ousadia, não teve mais liberdade: teve um condicionante para a seleção fluir. O próximo estágio de evolução do time é fazer esses movimentos quando não há o gol logo no início para dar calma ao time. E Tite sabe disso. Todos sabem disso.
Falei no intervalo que temos que trabalhar com todas as variáveis, preparar para toda circunstância. Aí de fazer o primeiro ou fazer o segundo. Como fizemos no primeiro, aí tem que continuar no mesmo ritmo. É a nossa característica. Aí traz esse componente de alívio. Solta mais. Emocionalmente te dá mais confiança, sim - Tite
Essa ansiedade não é só no campo. Ela é fruto de um contexto muito maior, um jogo de extremos, um 8 ou 80 eterno que cria certos absurdos e prejudica o futebol como um todo no país.

Romantização excessiva do jogo atrapalha diagnóstico certeiro

O principal problema é a falta de um diagnóstico mais técnico. O Brasil romantiza demais o futebol. Sempre tenta criar emoções, buscar personagens, achar heróis e vilões. Crônicas, opiniões, narrativas…não falta um diagnóstico racional? Técnico, sem emoção, apenas elencando pontos bons e ruins sem juízo de valor? O problema dessa romantização é criar uma expectativa alta - que é mão da frustração.
A consequência é um jeito de entender o futebol que é muito nocivo. O torcedor não torce, não apoia, apenas cobra. E os padrões são altos. Quando a expectativa irreal não é atendida - ela nunca será cumprida porque não existe, cria-se um problema na cabeça do torcedor. Se o time não vai bem, basta trocar o técnico. Se o jogador não fez o gol, basta mudar a escalação. Vira uma roda de mudanças, uma ansiedade, uma urgência e gritaria. Parece até eleição.
Tite técnico Brasil Peru Copa América — Foto: Marcos Ribolli
Tite técnico Brasil Peru Copa América — Foto: Marcos Ribolli
Nesse preto e branco, há um cinza imenso que cada vez menos é ouvido. O Brasil não está pronto porque não existe time pronto. Simples assim. O time pronto é aquele que vai no jogo e vence, não aquele que o torcedor acha que é tão bom e vai vencer, e se não vencer, precisa mudar. Tite completa três anos na Seleção com apenas duas derrotas e iniciando um ciclo de formação de time que tem como objetivo ganhar a Copa do Mundo. A Copa América é só o início dessa história.

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