quinta-feira, 6 de junho de 2019

O problema do meio com Arthur e Casemiro é que ninguém passa da linha da bola

Eles dão muita proteção e ajudam a zaga na saída. Mas Arthur e Casemiro pouco entram na área com a bola na frente. Um dilema para Tite resolver na seleção, agora sem Neymar.

06/06/2019 14h41 
O problema do meio com Arthur e Casemiro é que ninguém passa da linha da bola
FOTO: Getty Images 
Na jogada do primeiro gol do Brasil contra o Catar, Daniel Alves recebe a bola vinda da linha de fundo e cruza na medida para Richarlison. Arthur, o volante que compõe o meio junto a Casemiro no 4-4-2/4-2-3-1 da seleção, dá alguns passos para trás. Não passa da linha da bola. Segura o posicionamento, algo repetido no segundo gol e em boa parte do jogo, marcado por uma dinâmica ofensiva de mobilidade e participação dos laterais, mas que ainda explora pouco a chegada dos meias.
Se o jogo de Casemiro é sabido, é em Arthur que recai a responsabilidade de armar as jogadas. Algo que o volante do Barcelona nunca fez, nem no Grêmio, nem no Barcelona. Arthur não é um volante de chegada e velocidade. É um gestor de bola. Sempre próximo, nunca na frente da bola. Recebe, gira, dá sentido e faz a bola girar para os homens de frente.
Arthur Brasil seleção brasileira Catar — Foto: Pedro Martins/Mowa Press
Arthur Brasil seleção brasileira Catar — Foto: Pedro Martins/Mowa Press 
A Seleção joga de uma outra forma. É um contexto diferente, que exige coisas diferentes do jogador. Por ontem, Tite abandonou a ideia de ter esses pontas abertos. A ideia é contar sempre com muitas opções dentro da área, para que a bola chegue em condições de ser finalizada, e formar “pequenas sociedades” pelos lados. Filipe Luís e Éverton, Dani e Richarlison. Eles vão tocando curto e avançando até finalizarem a jogada.
Meu ponto de vista de futebol sempre foi o do passe ser a maior característica que um meio-campista precisava ter para chegarmos com a bola trabalhada da defesa até o ataque. Tenho carinho especial pela bola, tudo fica mais fácil quando se resume a bons passes - Arthur, em entrevista ao Globoesporte.com
Exemplo na jogada abaixo: bola na esquerda e a formação dessas pequenas sociedades para tabelar. Éverton aproxima, Coutinho vem, Filipe recebe e eles tocam a bola juntos. A lógica é ir caminhando de pé em pé até chegarem numa local onde o próximo passe será em direção ao gol. Observe como Arthur está atrás. Não se movimenta, nem avança, não participa dessa triangulação. 
Jogada de ataque do Brasil — Foto: Leonardo Miranda
Jogada de ataque do Brasil — Foto: Leonardo Miranda
Quando a jogada é finalizada, há uma inversão e quem recebe é Daniel Alves. Arthur continua distante, longe. Há mais zagueiros do Catar na área que jogadores do Brasil. Logo, há mais proteção, o que exige dos atacantes mais poder de rompimento, mais força física e timing para receberem no momento certo. Também exige de Dani e Filipe uma gama ampla de movimentos, algo que com mais de trinta anos pode ser um problema. A Copa América irá apresentar adversários mais difíceis, sem conceder tanto espaço e tempo assim.
Jogada termina com Arthur longe do gol — Foto: Leonardo Miranda
Jogada termina com Arthur longe do gol — Foto: Leonardo Miranda 
O lógico nessa jogada, um repeteco de quase todo o jogo, seria Arthur ocupar um espaço mais à frente. Mais próximo de Casemiro. Aqui, ele não apenas está longe da jogada, mas também está no mesmo setor que Casemiro já cuida - e muito bem.

As consequências de um meio-campo com Arthur e Casemiro

  • O time fica mais protegido, porque sempre tem dois jogadores atrás da linha da bola
  • Os laterais conseguem avançar mais com essa proteção
  • O time fica sem a chegada surpresa do volante ou meia
  • A área tem um jogador a menos que pode ocupá-la
Outro perigo é perder aquela chegada surpresa de um volante, que vindo de trás, sempre finaliza nas costas dos zagueiros e pega o goleiro de surpresa. Foi assim que Paulinho foi fundamental nas Eliminatórias, em especial no espetáculo contra o Uruguai: três gols de volante, “morando na área”, como Tite o chamou e participando o tempo todo do ataque. Era a configuração ideal: Renato Augusto articulava, Casemiro protegia e Paulinho virava um atacante, tirando também os zagueiros de lugar para as entradas de Neymar.
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