Maurizio Sarri na Juventus: necessidade pela jogo ofensivo, risco pelo legado de Allegri
Treinador chega à Juventus após título com o Chelsea e tem com difícil missão conquistar a Liga dos Campeões, obsessão e trauma da Juventus.
16/06/2019 15h06
foto: Reprodução / Twitter
Anunciado na manhã deste domingo (16) como novo treinador da Juventus, a decisão de Maurizio Sarri de deixar o Chelsea, de onde acabou de ser campeão da Liga Europa, é uma daquelas coisas que serão difíceis de entender após um tempo. Mas treinadores são seres humanos e ele preferiu ficar perto da família, algo semelhante ao que aconteceu com Vanderlei Luxemburgo em 1995, que tinha o Brasil à seus pés e trocou o multicampeão Palmeiras pela agitação do Flamengo.
A volta para a Itália representa um duplo desafio para Sarri. Ao mesmo tempo que casa com os anseios por uma mudança de um estilo histórico que acompanha o clube, também é um risco imenso, dado ao legado deixado por Massimiliano Allegri e o histórico de treinadores considerados ofensivos.
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Sarri no Chelsea — Foto: Getty Images
Allegri conquistou títulos e aprimorou sistema tático de Conte
A jornada de Allegri foi de provação o tempo todo. Recebido aos gritos de “você é um homem de m..” pela torcida, logo na primeira temporada, em 2014-15, Allegri chegou à todas as finais que podia. Conquistou o Campeonato Italiano sem sustos, a Coppa Italia e eliminou o Real Madrid para fazer uma improvável final de Liga dos Campeões contra o Barcelona. Havia 11 anos que a Juve não conseguia se impor desse jeito.
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Allegri e Marcelo Lippi são dois dos técnicos mais vencedores pela Juventus — Foto: Getty Images
Também foi um ano de experimentações táticas. Enquanto que com Antonio Conte a Juve sempre se portava num 3-4-3 que virava 5-3-2 na defesa, Allegri deu novos componentes e uma multiplicidade imensa de sistemas. Ora era um 3-5-2, com os alas voltando junto aos zagueiros, ora um losango no meio-campo, como a final da Champions, com Pirlo na frente da defesa, Marchisio e Pogba nos lados e Vidal atrás de Tévez e Morata.
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A filosofia? Um futebol de controle de espaços, contra-ataques velozes e, sobretudo, controle do jogo. Com a chegada da Daniel Alves, Mandzukic, Higuaín, Allegri reformava o elenco e o jogo da Juve sem perder o domínio interno. A eliminação para o Bayern em 2016 foi menor do que a campanha de 2017, com um chocolate inesquecível no Barcelona conquistado a partir de uma obediência tática invejável. Um time mutante, com Dani Alves ora meia, ora lateral, e um meio-campo igualmente mutável.
Em cinco anos, Massimiliano Allegri se tornou o 3º treinador com mais títulos pela Juventus, atrás apenas de Marcello LIppi e Giovanni Trapattoni
O problema é que esse pragmatismo também era visto como a razão dos fracassos nas duas finais perdidas. E nos últimos dois anos ficou evidente no péssimo jogo feito contra o Real Madrid ano passado e na eliminação para o Ajax com um segundo tempo onde faltou um ímpeto ofensivo maior para superar um time que atacou mais que os donos da casa em Turim.
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Cristiano Ronaldo jogou bem, mas não conseguiu avançar na Liga dos Campeões — Foto: Getty Images
Allegri saiu desgastado psicologicamente, como disse. Porque se foi vencedor, ao mesmo tempo deixou algumas lacunas.
Juventus é conhecida pelo jogo pragmático, e mudanças deram errado
A primeira é vencer a Liga dos Campeões. A Juventus é a maior vice-campeã do continente, com sete dores, e os rivais Milan e Inter tem mais taças. Isso para não comentar de 2003, na única final italiana de Liga dos Campeões...perdida pela Juventus. Internamente, há a impressão de que falta competitividade e um bocado de sorte. O que falar de Buffon? Cristiano Ronaldo foi contratado inclusive para isso.
A Juventus é 3º maior finalista de Liga dos Campeões. Mas tem apenas dois títulos.
Outro trauma é a pecha de clube de futebol feio. A história da Juve é cercada de treinadores brilhantes, mas com fixação pelos três zagueiros, como Giovanni Trapattoni, ou por linhas de quatro bem fechadas e contra-ataques fulminantes, como Ancelotti, Conte ou Marcelo Lippi.
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Luigi Maifredi chegou como treinador ofensivo, mas saiu após vexames — Foto: Getty Images
É por isso que Maurizio Sarri tem zilhares de problemas para tratar. Talvez a Juventus procure no técnico a mistura do estilo rápido e direto do Napoli, que realmente fez história na Itália, com a competitividade do Chelsea, que muitas vezes venceu no brilho individual de Hazard nessa temporada.
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Jornalista, formado em análise de desempenho pela CBF e especialista em tática e estudo do futebol
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