segunda-feira, 17 de junho de 2019

Colômbia dá show de organização e mostra que Argentina precisa muito mais do que apenas Messi

Apagado, Messi pouco recebeu bolas diante de um time sem opções e travado pela forte organização da Colômbia 

São Paulo 
15/06/2019 21h45 
Colômbia dá show de organização e mostra que Argentina precisa muito mais do que apenas Messi
foto: Getty Images 
Qualquer jogo da Argentina nos últimos dez anos é uma espécie de resumo do que o país vive. Em eterna crise, mas confiante de que um salvador salvará o povo. Em campo, ele tem nome e sobrenome: é Lionel Messi, o extraterrestre que pouco recebeu bolas para brilhar diante de uma Colômbia organizada com afinco e que mereceu a vitória de 2 a 0, na Arena Fonte Nova.
Isso acontece porque a Colômbia é mais time. As intenções dos jogadores são parecidas, o que cria uma unidade nos movimentos que consegue atingir ao objetivo final, que é fácil: na defesa, evitar o gol. No ataque, fazer o gol. Sim, é óbvio, mas lembre-se que muitas vezes o óbvio é o mais difícil de ser visto. Unidade é o que falta à Argentina há anos.
Messi contra a Colômbia — Foto: Getty Images
Messi contra a Colômbia — Foto: Getty Images 
Uma comparação entre os momentos de construção da jogada dos dois times ajuda a entender esse abismo. A construção é o momento no qual o adversário está se defendendo e seu time começa a avançar. Precisa mexer as peças para que a bola chegue aos finalizadores, ou vá para a área com condições de ser finalizada. 
A Colômbia entendia esse momento aproximando jogadores e tentando ocupar todos os espaços possíveis. O lateral Tesillo abre e fica longe da defesa argentina. É uma opção para receber a bola no lado e fazer uma jogada de linha de fundo. Para não embolar, o atacante Martínez se junta a Falcao na linha defensiva, enquanto James procura ficar de lado, pronto para receber. Cuadrado avança, enquanto Uribe tenta passar à sua frente. Veja como o campo parece ter mais colombianos, porque eles estão no lugar certo, na hora certa.
Colômbia construindo as jogadas de ataque — Foto: Leonardo Miranda
Colômbia construindo as jogadas de ataque — Foto: Leonardo Miranda 
Agora veja como a Argentina lida com esse momento. O campo parece estar com menos argentinos, de tão distantes que eles estão uns dos outros. Guido e Paredes, os dois volantes, se colocam numa mesma linha. Se um recebe a bola, como acontece com Guido nessa imagem, fica mais difícil tocá-la para alguém mais acima. Esse papel poderia ser de Lo Celso e Di Maria, os meias do 4-4-2 argentino, que apenas ficam parados. Não procuram zonas livres, não se movem e prejudicam a saída do time.
Argentina construindo as jogadas de ataque — Foto: Leonardo Miranda
Argentina construindo as jogadas de ataque — Foto: Leonardo Miranda 
Isso para não falar de Messi. Ele faz a mesma coisa que o consagra quase que todo jogo no Barcelona - se movimenta, procura os espaços entre as linhas de marcação do adversário e espera a bola. É sempre assim. Só que a Argentina não o ajuda. A bola nunca chega. E a intenção de Scaloni, ao reprisar a ideia de Alejandro Sabella na Copa de 2014, parece ser essa mesma: deixar Messi confortável, mais à frente, sem tantas obrigações coletivas. A diferença é que lá, a bola chegava.

Messi não jogou bem, mas precisa de um time

Como nunca é mérito ou desmérito únicos, boa parte dessa trava da Argentina com a bola se deu pela forte marcação da Colômbia. Uma marca registrada do técnico Carlos Queiróz. O sistema foi um 4-1-4-1 bem definido, com o volante Barrios entre as linhas de marcação. O diferencial vinha da coordenação dos movimentos: linhas bem compactas e jogadores saindo do alinhamento apenas quando alguém recebia a bola e estava perto o suficiente para ser pressionado, numa tentativa sempre de recuperar e sair rápido ao gol.
Abaixo, Otamendi irá tocar para Paredes, e você pode ver que Uribe já sai para pressionar o volante argentino.
Colômbia organizada na defesa: 4-1-4-1 bem sólido — Foto: Leonardo Miranda
Colômbia organizada na defesa: 4-1-4-1 bem sólido — Foto: Leonardo Miranda 
Foi um jogo de inversão de papéis. A Colômbia só não controlou a partida e teve mais volume de jogo aos 15 minutos iniciais do segundo tempo, quando a Argentina avançou as linhas e passou a girar o jogo no campo de ataque. Nos 75 minutos restantes, um duelo totalmente colombiano, de inteligência e unidade. Com e sem a bola. O lançamento de James Rodriguez no primeiro gol é um primor: primeiro pelo acerto técnico, segundo pela movimentação de buscar a bola da defesa e ter Uribe ocupando aquele lugar e até Falcao vindo buscar. 
Detalhe do primeiro gol da Colômbia — Foto: Leonardo Miranda
Detalhe do primeiro gol da Colômbia — Foto: Leonardo Miranda
Ganhou a melhor equipe. Aquela mais acertada, e nem falamos em tempo de trabalho. Falamos em ideia de jogo, no modo de como fazer o talento individual aparecer em prol do coletivo. As duas coisas se combinam, e quando uma não está tão boa, o talento não consegue desequilibrar. É o que acontece com Messi, há anos na Argentina. Mesmo assim, ele conseguiu chegar à quatro finais - para chegar a mais uma será preciso do que mais do que apenas seu brilho de outro mundo.

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