segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Felipão e Sampaoli: maneiras diferentes de entender o jogo, um único objetivo

Treinadores têm estilos antagônicos, mas querem a mesma coisa: vencer

Por Leonardo Miranda
Felipão e Sampaoli: maneiras diferentes de entender o jogo, um único objetivo
foto: Infoesporte 
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O Palmeiras recebe o Santos, às 19h desse sábado, num confronto de estilos no Allianz Parque. De outro, o técnico mais vencedor da história do futebol brasileiro. Do outro, um ídolo no Chile e melhor discípulo de Marcelo Bielsa. As trajetórias e estilos são diferentes, mas há algo que os une: o desejo pela vitória.
Felipão é o bom exemplo do estilo brasileiro de futebol. Seus times são pautados por grande segurança defensiva e uma intensidade grande no ataque. Já Sampaoli é adepto do “jogo de posição”, filosofia produziu times como a Holanda de 1974, o Barcelona de 2008 e a Espanha de 2010, entre outros. Ele acredita que a posse é a melhor forma de defender e atacar.
Nada melhor para mostrar as ideias dos dois no único encontro: o empate de 1 a 1 entre Brasil e Chile, pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2014. David Luiz abriu o placar e o Brasil e Vidal empatou.
Felipão x Sampaoli: ataque — Foto: Leonardo MirandaFelipão x Sampaoli: ataque — Foto: Leonardo Miranda
Felipão x Sampaoli: ataque — Foto: Leonardo Miranda
Para Felipão, o principal instrumento que seus times têm ao chegar ao ataque é a condução e o drible. Ele gosta que seus atletas arrisquem, recebam a bola perto do defensor e partam para cima. Tudo muito rápido, intenso. O Brasil da Copa de 2014 criava poucas triangulações. A ideia era que Neymar, centralizado, driblasse até chegar em Fred e Hulk – que sempre estavam à frente, garantindo profundidade ao time.
Brasil de 2014 no ataque: bola para Neymar driblar e Fred na profundidade — Foto: Leonardo Miranda
Brasil de 2014 no ataque: bola para Neymar driblar e Fred na profundidade — Foto: Leonardo Miranda 
Sampaoli pensa radicalmente diferente. Para ele, o passe é o condutor de chegada ao ataque. Por isso, muito mais que drible ou condução, seus atletas precisam ocupar espaços e criar jogo para quem está com a bola. É o chamado apoio – o deslocamento até um espaço vazio. Primeiro, o jogador fica nessa lacuna. Depois, recebe a bola. Aí sim ele pode escolher entre o drible, finalização ou mais um passe.
O jogo de posição do Chile de Sampaoli — Foto: Leonardo Miranda
O jogo de posição do Chile de Sampaoli — Foto: Leonardo Miranda
E qual é melhor ou pior? Não existe. Tudo é uma questão de escolha. Ao passo que a intensidade de Felipão pode ser muito estratégica se há grandes dribladores em seu grupo – como Neymar ou Dudu. O jogo de passes de Sampaoli pode ser bom num time com bons passadores, como o Chile, mas ruim se o jogador mais criativo estiver próximo do gol, como Messi.
Felipão x Sampaoli: defesa — Foto: Leonardo Miranda
Felipão x Sampaoli: defesa — Foto: Leonardo Miranda 
As diferenças também são vistas sem a bola. Felipão preza por um time que recupere rápido a bola quando perde, mas que saiba se defender sem dar espaço, com zagueiros saindo muitas vezes da linha de defesa e vindo procurar um bote no meio-campo. Para isso, confia que cada jogador tenha um alvo – um adversário que ele não pode deixar solto, com a bola. São os encaixes. Quando David Luiz saía que nem louco até o meio-campo em 2014, a ideia era perseguir Vargas.
Brasil de 2014, com David Luiz no meio-campo — Foto: Leonardo Miranda
Brasil de 2014, com David Luiz no meio-campo — Foto: Leonardo Miranda
Sampaoli também quer recuperar rápido a bola, mas não está disposto a deixar seus zagueiros saírem do lugar por isso. Por isso, só quem está perto deve pressionar e buscar roubar. O intuito é tomar a bola de volta pro time o mais rápido possível. Não conseguiu? Tem que voltar. Fecha o espaço, todo mundo junto. A chamada compactação, como o Chile em 2014 nessa jogada.
Chile na defesa — Foto: Leonardo Miranda
Chile na defesa — Foto: Leonardo Miranda
Novamente, não tem melhor ou pior. Defender como Sampaoli pede é mais difícil e complicado, ainda mais quando o calendário permite poucos treinos como no Brasil. Já o modo de Felipão pode encontrar dificuldades quando não há jogadores rápidos no grupo.
É tudo uma questão de escolhas. Nesse sábado, Felipão e Sampaoli farão as suas no Allianz Parque. E mostrarão que o futebol é o mais democrático e completo dos esportes.
https://globoesporte.globo.com/blogs/painel-tatico/post/2019/02/22/felipao-e-sampaoli-maneiras-diferentes-de-entender-o-jogo-um-unico-objetivo.ghtml?fbclid=IwAR3iyLgb13BD66EpaIQ_pGwsgTAGb0ev97HYmDT9QvYb_6blD0-7ZIPvQS4

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