quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Por que o Corinthians sofre tanto para criar e depende de Gustagol?

Com mais posse de bola em sete dos dez jogos em 2019, Corinthians ainda não consegue transformar sua posse de bola em gols. Confira uma explicação tática.

Por Leonardo Miranda
18/02/2019 13h46 
Por que o Corinthians sofre tanto para criar e depende de Gustagol?
foto: Marcos Riboli
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Autor de sete dos dez gols do Corinthians em 2019, a fase de Gustagol impressiona. Com confiança e tempo de bola, ele converte jogadas de bola parada, como escanteios e faltas, em gols salvadores. Mas depender tanto dos cruzamentos revela também um Corinthians que vem sofrendo para chegar ao gol pelo chão. Algo que Carille identificou e prometeu: “vou soltar mais o time”.
Tudo começou no Bem, Amigos! com Fabio Carille, quando ele revelou que pensava a equipe como um time que trabalha mais a bola. As chegadas de Ramiro e Sornoza preencheram o elenco com mais jogadores associativos, ou seja, que gostam de ter a bola e procuram os adversários. A ideia era fazer o Timão mais ofensivo e com bola no chão.
A ideia de Carille para o Corinthians em 2019 — Foto: Leonardo Miranda
A ideia de Carille para o Corinthians em 2019 — Foto: Leonardo Miranda
O jogo curto e de aproximações já é visto em campo, mas está longe do funcionamento ideal. Sornoza, Ramiro ou Pedrinho sempre procuram a bola, dão opções de jogo. Carille até afirmou que encontrou a forma ideal no clássico, num 4-1-4-1 com Pedrinho de armador. Falta o próximo passo, que Carille chama de “soltar”: tocar e ultrapassar, procurar o espaço vaio e dar suporte para quem está com a bola. Veja o exemplo abaixo: Júnior Urso está com a bola. Pedrinho e Sornoza aproximam para criar uma triangulação e continuar o jogo. O que falta?
Corinthians sem profundidade contra o São Paulo — Foto: Leonardo Miranda
Corinthians sem profundidade contra o São Paulo — Foto: Leonardo Miranda
Há um espaço imenso, atrás da linha de meio-campo do São Paulo, que está vazio. Estar lá significa receber a bola sem marcação, com mais tempo para dominar e pensar a sequência. Também significa causar um problema ao adversário, pois ele precisa combater o jogador livre. É o zagueiro que tenta roubar a bola? Ou a defesa prefere esperar e guardar o espaço?
Na imagem abaixo, Fagner está com a bola e as aproximações também acontecem. Júnior Urso se soltou, Pedrinho se movimentou. Mas quantos jogadores estão na frente da linha da bola, prontos para receber perto da defesa? Apenas três, e só Urso perto da bola. Empurrar o rival pro gol e preencher sua defesa é o conceito da profundidade. Aqui, o Corinthians tem muito apoio, mas pouca profundidade.
Corinthians com a bola e poucas opções de jogo — Foto: Leonardo Miranda
Corinthians com a bola e poucas opções de jogo — Foto: Leonardo Miranda
Combinar esses dois conceitos - apoio e profundidade - é o que dá dinâmica ao time. É o que desorganiza o adversário, tira os zagueiros de lugar e abre espaço para a finalização. A imagem abaixo mostra o Corinthians com apoio - a triangulação entre Urso, Pedrinho e Fagner. E pouco apoio: você só vê o Clayson, lá pelo centro, meio perdido. Em amarelo, o São Paulo monta uma linha de meio-campo e faz o toque de bola do Timão ficar mais perto de Cássio que de Volpi.
Corinthians com apoio, mas pouca profundidade — Foto: Leonardo Miranda
Corinthians com apoio, mas pouca profundidade — Foto: Leonardo Miranda 
O Corinthians precisa de mais profundidade. Mas, como nada é fácil, não basta só ir lá perto do gol e esperar a bola. É preciso movimento. É preciso que os jogadores entendam bem quando se aproximar, quando tocar e quando ultrapassar. Uma combinação entre bola, espaço e tempo. Um time mais solto, mais rápido e dinâmico para fazer o Corinthians versão 2019, com dois meias, depender menos das subidas de Gustagol.
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